Capítulo 2

1532 Palavras
LR 🌚 NJ: c*****o, olha aquela menina linda ali. — Falou, tirando minha atenção do baseado. Olhei pra onde ele tava olhando, me levantei na hora e encarei ele. Era minha irmã. Essa c*****o sabe como me tirar do sério. LR: Quem morrer, p***a? — Ele riu. KA: Meu amor. — Falou quando ela chegou perto de nós. DN: Minha princesa mais linda do mundo. — Já falei que odeio esses meninos. HG: Por quê, hein? — Falou todo pra baixo. Beatriz: Ah, meninos, para, né. — Falou, chegando perto de mim e me abraçou. — É só três anos, p***a. LR: Mesmo assim, c*****o. Tem faculdade aqui, pra que ir pra longe? HG: Vai abandonar nós, né? Vai fazer novas amizades e esquecer nós. NJ: Se isso acontece, eu vou pra lá e dou um tiro na cara de todo mundo, p***a. — Falou bolado. KA: Não esquece que nós é tua família, viu? E nós somos teus melhores amigos. Beatriz: Ah, gente, eu vou sentir tanta falta de vocês. — Abraçou nós e eu já me afastei. Não tô muito de boa com essa viagem, não. Beatriz tem 21 anos, fazendo faculdade de medicina, sonho dela. Mina estudiosa da p***a, inteligente demais. Ela tava fazendo faculdade aqui, mas não sei o que ela viu na internet e ficou doida querendo terminar a faculdade dela lá em Paris. E eu pude falar alguma coisa? Não. Porque a mina não liga pra minha opinião e, se ela decidiu, tá decidido. Já eu não tive muita escolha e acabei virando dono da Rocinha. Tenho 25 anos, há oito anos nessa vida louca. Meu padrinho me passou essa responsabilidade quando decidiu deixar tudo por uma mulher. Sim, “o amor da vida dele”. Ele falou que queria aproveitar a vida ao lado dela e foi embora, mas sempre dá uma passada por aqui pra ver como estão as coisas, usar o baseado dele e curtir com a gente. NJ, KA, DN e HG são meus parceiros. Subiram comigo no movimento. NJ é meu braço direito. KA, DN e HG são meus gerentes. Crescemos juntos. Minha coroa só tinha eu e a Beatriz. Primeiro chegou o NJ. A mãe dele abandonou ele no morro e minha mãe pegou pra criar. Os três chegaram depois de dois anos. Minha mãe encontrou os três na praia, com 4 e 5 anos, e trouxe pra cá. Minha coroa é conhecida como “Fátima da creche”, porque todo menor que vinha por aí ela queria trazer pra dentro de casa. Meu coroa foi de boa e criou nós tudinho com amor, sempre falando que nós era irmão e tinha que permanecer juntos. E isso nós fez. Entrei pro crime porque meu coroa morreu e minha mãe entrou numa depressão das bravas. Ela passou quatro anos sem reagir a nada. Meu coroa foi o primeiro namorado, primeiro amor da minha mãe. Ela quase foi com ele. Nós ainda tava menor, mas já entendia as coisas, tá ligado? Começou a faltar as coisas em casa, a casa ficava uma bagunça, minha mãe perdeu o emprego e nisso nós passou três dias sem comer. Não tinha ninguém pra ajudar. E quando vi minha irmã chorando com fome, minha mãe em cima da cama, sem tomar banho por dias, eu decidi entrar no crime. Fui até o dono do morro, que era meu padrinho e eu não sabia. Cheguei lá na marra mesmo, querendo um trampo. Mas quando eu fui lá, só tava o sub dele. Expliquei tudo que tava acontecendo e ele mandou eu passar lá mais tarde pra trocar uma ideia com o chefão. Passei o dia na agonia. Quando chegou a hora de ir lá, eu fui só com um pico de coragem. Não queria morrer e deixar meus irmão, até porque eu era o mais velho. Cheguei na boca e fui logo entrando. Quando entrei na sala, meu padrinho quase me matou. Não tinha entendido direito, mas depois ele explicou tudo e ali soube que ele era meu padrinho. Ele tinha se afastado porque queria que eu tivesse uma vida boa, sem correr o risco de alguém me pegar por ser afilhado dele. Mas a vida deu outra volta, né? Acabei entrando no movimento. Foi luta, mas consegui. Depois foi o NJ e, depois de dois anos, os outros três entraram. Como meu padrinho não tinha filho, eu aprendi tudo e ele colocou tudo nas minhas mãos. E nós tá aqui até hoje. Graças a Deus, minha coroa tá bem, tá feliz, saiu da depressão e hoje é nossa rainha. Nós dá a vida que ela merece, mesmo ela não sendo muito a favor da ideia de nós viver do crime, mas ela entende e tá de boa. Hoje eu fiz um baile pra minha mini princesa. Daqui a pouco ela tá indo embora e eu tô com raiva, com ódio, tá ligado? Mas se ela quer isso, eu vou apoiar. E espero que volte formada, porque o preço dessa faculdade não é nada barato, tá doido. Mas eu tenho dinheiro e é pra isso. Se ela quiser comprar Paris, eu compro. Beatriz: Mano, tá na hora. — Falou, me tirando dos pensamentos. LR: Tem certeza, Bia? — Falei, puxando ela pra um abraço. Beatriz: É meu sonho e três anos passa voando, tu vai ver. — Me deu um beijo no rosto. — Olha a coroa aí. — Falou alto e minha mãe chegou dando um tapa na cabeça dela. Fátima: Coroa é teu pai. — Ri de canto. LR: Tá fazendo o que aqui? E ainda mais a essa hora, dona Fátima? Fátima: Vou com vocês pro aeroporto. Tenho que ver minha filha, né, menino? Beatriz: A gente já ia embora. Meu voo sai daqui a pouco, mãe. LR: Então bora? — As duas concordaram e fomos até os quatro que tavam fumando e nem viram a mãe chegar. Fátima: Bonito, muito bonito. — Encarou os quatro, que jogaram o baseado na hora e ficaram nervosos. NJ: Tá fazendo o que aqui, dona? — Levou um tapa. Fátima: Dona é teu pai. Me respeita, p***a. NJ: Fala do pai não, mocinha. — A gente riu e ela fechou a cara. Beatriz: E aí, vamos? Senão eu vou perder o voo. Saímos do baile, mas antes esperamos ela falar com as amigas dela. Dez minutos só de abraço, beijo no rosto, choro e os c*****o. Depois entramos no carro e fomos pro aeroporto. Não posso sair do morro, mas paguei uma grana pra desligarem as câmeras do aeroporto só pra me despedir da minha irmã. Chegamos no aeroporto e ajudamos ela com as duas malas. Pra que tanta mala, mano? Ela fez o check-in e despachou as malas. Ficamos esperando e depois de uns minutos ela voltou, toda sorridente. Beatriz: Daqui dez minutos vão chamar meu voo. NJ: Dá tempo de desistir e voltar com nós, mana. KA: Pô, maninha, três anos é muito. DN: Eu não tô acreditando nisso, não. A bebê que peguei no colo tá indo pra outro país. — Falou abraçando ela, que já tava chorando. Beatriz é sensível. Sei que é o sonho dela, mas ela nunca ficou longe de nós. Fátima: Vamos parar, né? — Minha coroa abraçou ela. — Meu amor, vai e seja feliz. Realiza teu sonho e volta como a doutora Beatriz Rodrigues. Vamos estar aqui esperando de braços abertos. No momento que você quiser voltar, vamos estar aqui. Se não gostar de lá, volta e termina sua faculdade aqui, entende? Beatriz: Ah, mãe. — Eu já tava ficando com raiva, pra não falar outra coisa. — Eu vou dar orgulho pra todos vocês. Abraçamos ela porque o voo já tava sendo chamado. Mas quando senti um perfume familiar, soltei o abraço e olhei em volta. Vi uma morena um pouco mais à frente. O perfume era igual o... Flashback LR: De boa, só relaxa. — Falei e voltei a beijar ela. Ela foi se tranquilizando. X: c*****o, fode com força. E eu obedeci. Fudi ela com força mesmo. E foi assim que tirei a virgindade de uma mina que não sei o nome, a idade, onde mora e nem o rosto eu lembro. Eu tava chapado pra c*****o e bêbado num nível extremo. Ela também. Mas eu lembro do perfume. Esse perfume eu lembro muito bem. Flashback Off Beatriz: Ei, p***a. — Me bateu no braço, me fazendo voltar pra realidade. LR: O que foi? Beatriz: Tô te chamando há minutos, p***a. — Dei de ombro. — Eu já tô indo, maninho. LR: Vai lá, doutora Beatriz. Já sabe, né? Quando voltar, teu consultório já vai estar pronto lá no morro. Beatriz: Eu te amo muito, meu amor. — Ela sempre sonhou com um consultório no morro e o b***a aqui vai realizar, né? Eu sou doido e mimo essa menina em tudo. — Agora eu já vou. É o último chamado do meu voo. Eu amo vocês demais, viu. Ela mandou um beijo pra nós e foi andando com a bolsa nas costas. Fomos até o portão. Ela deu uma última olhada e entrou lá pra dentro. Agora só daqui a três anos....
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