Capítulo 3

1239 Palavras
Yasmin 🌝 Entrei no avião e fui procurar meu lugar. Achei, coloquei minha bolsa na cabine, me sentei e comecei a chorar. Chorei por tudo isso: por estar indo pra longe, por não ter carinho das únicas pessoas que tinham que me amar. Eu não tenho ninguém pra ficar comigo numa casa enorme. Vou realizar um sonho que nem é meu, mas sim deles. Coloquei minha mão no rosto e senti alguém sentar ao meu lado. X: Moça, tá tudo bem? — Tirei minha mão do rosto e encarei a menina que vi no aeroporto com a família dela. Yasmin: Tá sim, moça. — Falei limpando meu rosto. X: Você não tá nada bem, pô. Pera aí. — Ela levantou e fiquei sem entender nada. Passaram uns minutos e ela voltou. — Pega. — Era uma garrafinha de água. — Toma e respira, pô. Você tá pálida aí. Yasmin: Obrigada. — Falei tomando a água. X: Que falta de educação a minha, me chamo Beatriz, prazer. — Sorriu. Yasmin: Prazer, me chamo Yasmin. — Ela deu um sorriso e eu também. Beatriz: Prazer, gatinha. — Encarei ela. — Tá indo pra onde? Claro, se quiser responder. Yasmin: Sem problema, tô indo pra Paris. Beatriz: Ah, sério? — Falou toda animada, batendo palminha. — Eu também tô indo pra Paris. Yasmin: Sério? Vai a passeio? Beatriz: Não, tô indo pra estudar. Yasmin: Eu também. Vai estudar o quê? Beatriz: Medicina, na Sorbonne Université. Yasmin: Não acredito! — Botei a mão na boca, passada. — Eu também vou estudar nessa faculdade. Beatriz: Ah, que tudo! — Ela falou toda animada. — Então já temos companhia. Yasmin: Sim, não vou mais me sentir sozinha. — Ela passa uma vibe bem legal, sabe? Vibe de gente simples, do jeito que eu gosto. — Vai morar onde? — Ela ficou calada e encarou o chão. — O que foi? Beatriz: Eu esqueci isso, menina. — Ri e ela colocou a mão na boca. — Simplesmente esqueci esse detalhe, amiga. Yasmin: Se quiser ficar comigo na minha casa... — Ela me encarou. Beatriz: Mulher, tu vai colocar uma desconhecida na tua casa assim, do nada? Vai eu te matar quando tu tiver dormindo. — Fiquei séria e ela riu. — Tô brincando. A parte de te matar. Mas você m*l me conhece, mulher. Yasmin: Você passa uma vibe boa, pessoa simples, pessoa alegre, e eu preciso disso na minha vida, sabe? — Falei com a voz triste, virando o rosto pra janela e vendo que o avião já tava decolando. Beatriz: Ô. — Pegou no meu queixo, me fazendo olhar pra ela. — Por que você tava chorando? Eu tô aqui, se quiser conversar. Do mesmo jeito que você confiou em mim pra ficar na sua casa, confia em mim pra conversar. Yasmin: Eu... — Não consegui falar e comecei a chorar. Ela me deu um abraço de lado, fazendo minha cabeça ficar no ombro dela. Beatriz: Se acalma, vai ficar tudo bem agora, amiga. Me acalmei e expliquei pra ela tudo: sobre meus pais, meu sonho, o sonho deles, o jeito deles comigo. Ela me escutou com atenção, sempre fazendo carinho no meu cabelo. E foi confortante, sabe? Um carinho que eu só recebia da Nina e do Antônio. Beatriz: Vai ficar tudo bem, Yasmin. Agora você tem a mim e vamos ficar juntas. Me acalmei e fomos conversando sobre tudo. Ela me falou dela, eu falei de mim — as poucas coisas. Ela é doida, mora na Rocinha. O pessoal que tava com ela era a família dela, os irmãos e a mãe. Medicina é o sonho dela. Desde que comecei Medicina, nunca me senti bem. Mas agora, vendo que vou ter uma amiga, eu posso até começar a gostar. [...] Depois de 11 horas de voo, chegamos em Paris. Nosso novo lar por três anos. Já eram uma da tarde. Pegamos nossas malas e fomos até um ponto de táxi. Beatriz: Mulher, tem certeza que posso ficar na sua casa? Yasmin: Já falei que sim, mulher. — Ela sorriu pela forma que falei “mulher”. Ela falou tanto isso no voo que eu acabei pegando. Beatriz: Então tá. Mas vou ajudar nas coisas da casa, viu? Eu neguei. Beatriz: Então vou pra um hotel mesmo, beijo. — Falou pegando a mala e mandando beijo. Yasmin: Tá bom. Ela sorriu e fomos até um táxi. Como as malas não iam entrar todas, pegamos outro só pras malas. Entramos e passei o endereço pro motorista. Fomos admirando tudo, e Beatriz falando que amanhã já vai dar uma voltinha pra conhecer uns gatos. Eu só ri. Depois de 30 minutos, chegamos na casa que vou morar por três anos. Beatriz: c*****o, olha o tamanho da casa, mulher! Realmente era linda por fora. Pagamos os táxis, tiramos as malas e entramos. Por dentro era ainda mais linda e luxuosa. Beatriz: Muita frescura por dentro. Yasmin: Realmente. Meus pais pensam que eu gosto disso, mas eu odeio. Beatriz: Amo luxo, mas isso já é demais. Gosto de ser simples também. — Falou se jogando no sofá enorme, e eu me sentei ao lado dela. Yasmin: Obrigada. Ela me olhou sem entender. Yasmin: Obrigada por você ter aparecido na minha vida. Beatriz: Aparecemos uma na vida da outra no momento certo. — Me abraçou. — Agora vamos ver o que tem pra comer aqui, porque eu tô morrendo de fome. Yasmin: Eu tô com vontade de comer sanduíche com bastante cebola. — Só de falar me deu água na boca. Beatriz: c*****o, fiquei com vontade também. Vamos pedir no app. Ela abriu o Uber Eats e fizemos o pedido. Ia demorar quase uma hora, então decidimos ver nossos quartos e tomar um banho. Eu tava precisando. Ela foi pro quarto que vai ser dela e eu pro meu. Só mandei uma mensagem pros meus pais e deixei o celular de lado. Abri a mala, peguei um vestido soltinho e fui pro banheiro. Tomei um banho relaxante, me sequei, coloquei o vestido e deixei meu cabelo secar naturalmente. Tava na sala esperando Beatriz sair do quarto. Nosso pedido já tinha chegado e eu tava com tanta vontade de comer que o cheirinho tava me chamando. Beatriz: Era só pra avisar que cheguei bem. Fiz uma amizade maravilhosa no voo. — Olhou pra mim e sorriu. Ela tava falando por vídeo chamada. X: Se tu esquecer de nós, eu vou aí e meto minha mão na tua cara. O outro falou e ela só riu. Fiquei olhando o jeito que eles conversavam. Era uma verdadeira família. Beatriz: Então é isso. Agora eu vou desligar. Até, meus amores. Ela desligou e veio até mim. Beatriz: Minha família fala muito. Yasmin: Queria uma família assim. — Falei triste. — Inveja de você, viu? Mas inveja boa. Beatriz: Mas agora você tem eu. Eu vou ser tua família. Olhei pra ela e senti vontade de chorar. Beatriz: Quando nós voltar pro Brasil, vamos conhecer eles. Você vai amar minha família maluca e minha mãe vai amar você. Yasmin: Que esses três anos passem rápido então. Beatriz: Amém. Sentamos pra comer e eu devorei meu sanduíche. Ainda fiquei de olho no da Beatriz, mas ela foi mais rápida e comeu tudo. Só faltei chorar. Fomos pra sala e colocamos um filme. Nossa primeira noite aqui vai ser com filminho, porque amanhã começam as aulas. E eu até que tô animada pra isso.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR