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A sala era enorme, silenciosa e fria.
Fênix estava sentada no sofá de couro escuro, os braços cruzados e a expressão fechada. Dois seguranças permaneciam ao lado da porta, imóveis, com os braços cruzados.
Ela lançou um olhar irritado ao redor.
— O que eu estou fazendo aqui? — perguntou, levantando-se de repente. — Eu quero ir embora daqui.
Ninguém respondeu.
Fênix soltou uma risada sem humor.
— Estão me ouvindo? Eu quero sair daqui.
Ela estava diferente da menina que fugira cinco anos atrás.
A garota assustada de quatorze anos havia desaparecido.
Agora, aos dezenove, ela tinha o olhar afiado e desafiador. Era magra, elegante, os cabelos longos e lisos caindo pelas costas. Prestes a completar vinte anos, carregava uma beleza madura e uma força que parecia desafiar o mundo inteiro.
Foi então que ela olhou para o lado.
E o viu.
Sentado em uma poltrona, com a postura relaxada demais para alguém tão perigoso, estava Street.
Os olhos dele a observavam atentamente.
— Oi, Fênix — disse ele calmamente. — Bom te rever.
Ela revirou os olhos imediatamente.
— Não. Não, vocês não podem me manter aqui. Não podem.
Stri permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de olhar para os seguranças.
— Podem sair.
Os homens hesitaram apenas por um instante antes de obedecer e fechar a porta atrás deles.
Assim que ficaram sozinhos, Fênix apontou um dedo para ele.
— O que vocês querem? Eu não sou mais aquela garotinha, está bem?
O olhar de Street percorreu seu rosto antes de descer discretamente.
A menina magricela, de roupas largas e olhar assustado, havia desaparecido.
No lugar dela existia uma jovem mulher.
Forte.
Bonita.
Teimosa.
Perigosamente independente.
— A gente está vendo — respondeu ele.
Fênix estreitou os olhos.
— Eu não vou ficar aqui. Vocês não podem mais me manter presa. Não têm tutela sobre mim. Eu já sou maior de idade.
Do outro lado da sala, uma voz masculina surgiu pela primeira vez.
— É mesmo, Fênix?
Ela virou o rosto.
Encostado na entrada do escritório interno, estava o segundo dono da alcateia.
E atrás dele, saindo lentamente das sombras, surgiu o terceiro.
Os três.
Os três Alfas destinados a ela.
Os homens que ela abandonara aos quatorze anos.
Os homens que passaram cinco anos procurando por todos os reinos, cidades e territórios ocultos.
Fênix ergueu o queixo.
— É, sim. Eu era uma criança. Agora não sou mais criança.
Ela encarou cada um deles sem abaixar os olhos.
— Posso me virar muito bem sozinha. Não preciso de vocês.
O silêncio tomou conta da sala.
Até que um deles perguntou, em voz baixa:
— Então por que escondeu o seu cheiro durante cinco anos?
Fênix congelou por uma fração de segundo.
E foi o suficiente para que os três percebessem.
Ela não tinha fugido apenas porque queria liberdade.
Ela estava escondendo alguma coisa.
Alguma coisa tão perigosa que a fez abandonar o destino que a ligava à alcateia.
Stri inclinou levemente a cabeça.
— Nós não estamos aqui para discutir tutela, Fênix.
Os olhos dele adquiriram um brilho sobrenatural.
— Estamos aqui porque finalmente descobrimos por que você fugiu.
O coração dela disparou.
— Vocês não sabem de nada.
O terceiro Alfa deu um passo à frente.
— Então nos conte.
Fênix recuou.
Seu olhar endureceu.
E, pela primeira vez em cinco anos, uma faísca dourada atravessou suas íris.
Uma magia antiga.
Proibida.
A magia que nenhuma loba deveria possuir.
A magia das fadas.
E talvez...
a magia das bruxas.
Ela respirou fundo antes de dizer, com a voz trêmula de raiva e medo:
— Se vocês soubessem o que eu realmente sou... teriam me deixado fugir para sempre.