bc

SEMPRE FOI VOCÊ

book_age12+
12
SEGUIR
1K
LER
família
HE
predestinado
seconde chance
amigos para amantes
doce
bxg
alegre
cidade
paixões infantis
musculoso
love at the first sight
athlete
like
intro-logo
Sinopse

Lia cresceu acreditando que o amor era bonito demais para ser confiável.

Gui sempre achou que a vida precisava do vento na cara, de impulso, de queda, nunca de raízes.

Seis anos depois do último reencontro o acaso — ou talvez o tempo — colocam eles frente a frente novamente.

Entre medos antigos, culpas guardadas e desejos que nunca morreram, eles precisam reaprender a caminhar lado a lado.

Entre danças, patins, promessas e silêncios, Lia e Gui descobrem que amar não é voltar.

É ficar.

É construir.

É se permitir.

E quando um passado desconhecido começa a pedir espaço, eles percebem: o amor que criaram é forte o suficiente para seguir, mesmo quando a vida muda de ritmo.

Uma história sobre recomeços possíveis, laços que o tempo não apaga e a beleza de escolher o mesmo coração todos dias.

chap-preview
Pré-visualização gratuita
Quando o vento encontrou a música
“Alguns encontros não precisam de destino. Basta o acaso saber dançar.” Era uma tarde qualquer de outono dessas em que o sol parece preguiçoso, mas ainda se demora, espalhando um calor manso sobre a pele. A praça central fervilhava de vida: o farfalhar das folhas secas, o riso distante das crianças, o tilintar dos sinos da igreja marcando o fim da tarde. As árvores, altas e generosas, deixavam cair folhas em tons de cobre e dourado que se espalhavam pelo chão como pequenos confetes da estação. O ar tinha cheiro de terra morna e pipoca, misturado ao perfume das flores que o vento trazia dos canteiros. Lia atravessava a praça com os fones no ouvido e o coração apertado de ansiedade. Faltavam poucos dias para a audição que poderia mudar sua vida, uma vaga para o conservatório de dança mais renomado de São Paulo. Tinha apenas dezesseis anos, mas a determinação nos passos parecia de alguém que já sabia o próprio caminho. Parou perto do coreto, um espaço liso e aberto, perfeito para treinar. Colocou a mochila no chão, ajeitou o fone e respirou fundo antes de dar o play. A música encheu seus ouvidos, uma mistura de piano e cordas, intensa e delicada. Lia fechou os olhos por um instante, sentindo o corpo reconhecer o som, como se as notas chamassem cada músculo pelo nome. E então começou a dançar. Os pés, envoltos nos tênis brancos já um pouco gastos, deslizavam com precisão pelo chão de pedra. Cada movimento tinha um propósito: o giro, o salto, o toque leve dos dedos no ar. O corpo dela falava e a praça ouvia. Lia tinha aquele tipo de beleza que não gritava, apenas sussurrava. Baixinha, de um metro e meio, leve como um pensamento. A pele clara refletia a luz do entardecer, e os cabelos loiros-escuros presos num r**o de cavalo balançavam em ritmo próprio. Alguns fios rebeldes escapavam e se grudavam à testa, mas ela não se importava. Os olhos, castanhos cor de mel, guardavam uma mistura curiosa de inocência e intensidade o tipo de olhar que observa o mundo como se pudesse traduzi-lo em movimento. A cada batida, o corpo dela respondia. A praça parecia respirar junto. Até que… VRAU! Um som áspero cortou o ar, seguido de um susto. Um patinador passou voando bem na frente dela, raspando o chão com as rodinhas, fazendo uma manobra tão ousada quanto irresponsável. Lia deu um pulo para trás, tropeçando, e o fone escapou do ouvido, despencando no chão. — Você tá maluco?! — ela gritou, levando a mão ao peito. O coração parecia querer fugir dali também. O garoto virou o rosto e, em vez de desculpas, abriu um sorriso torto o tipo de sorriso que irrita e encanta ao mesmo tempo. Ele era magro, de pele morena clara, o rosto queimado de sol e liberdade. Os cabelos negros, um pouco longos e desgrenhados, pareciam moldados pelo vento. Usava calça larga, patins surrado (colado com fita prateada) e uma corrente pendurada no bolso. Tinha algo de desafiador nele, como se o mundo fosse apenas mais uma pista onde podia deslizar sem freios. — Calma aí, bailarina — disse, rindo. — A praça é pública, sabia? — E eu quase virei poste no seu “caminho público”! — retrucou ela, tentando disfarçar o tremor na voz. Ele deu uma risada leve, desarmante, dessas que fazem a raiva perder força. — Foi m*l. É que esse chão é perfeito pra manobra. — Então manobre seus patins para o outro lado — respondeu, cruzando os braços. — Ou podemos dividir o espaço. — Ele impulsionou os patins girando em torno dela com naturalidade. — Eu fico com o chão, você com o ar. Lia arqueou uma sobrancelha. — Engraçadinho. — Gui — Ele estendeu a mão . — Prazer, engraçadinho profissional. Ela hesitou por um segundo antes de apertar a mão dele. — Lia. — Bonito nome. Combina com dança. E você dança bem… pra alguém que quase caiu. — E você anda bem… pra alguém sem freio. - retrucou ela, cruzando os braços, tentando esconder o sorriso. Os dois se encararam por um instante. Não era antipatia, nem simpatia. Era curiosidade. Ela, toda leveza e controle; ele, todo impulso e vento. Dois opostos presos no mesmo instante, como se o destino tivesse encenado um tropeço só pra que o olhar de um se perdesse no do outro. Gui abaixou-se para pegar o fone que tinha voado e o entregou a ela. — Tá inteiro — disse, estendendo a mão. — Valeu — respondeu Lia, pegando de volta. O toque rápido fez o coração dela dar um pulo, mas ela disfarçou ajeitando o fio. Ela tentou não sorrir, mas o canto dos lábios a traiu. — Você sempre chega assim, atropelando as pessoas? — Quase sempre — respondeu ele, rindo. — Mas geralmente são velhinhos, você deu sorte hoje. Ele se afastou num impulso, deslizando os patins em zigue-zague, como se o chão fosse uma extensão do corpo. Lia o observou, fingindo desinteresse, mas acompanhando cada movimento com o olhar. Havia algo hipnótico na leveza dele, uma mistura de descuido e controle, como se dançasse com o asfalto. Ela voltou à música, determinada a ignorá-lo, mas o corpo hesitou. A presença dele parecia ter bagunçado o compasso. Ela tentou conter o riso, mas falhou. O jeito espontâneo dele era difícil de ignorar. Gui era barulhento, mas tinha algo de cativante. Lia não sabia se era o jeito despreocupado, o sorriso fácil ou o fato de ele parecer viver tudo como se fosse a última vez. Ele, por outro lado, reparava em cada detalhe dela, o modo como mexia o cabelo, o olhar concentrado, a forma como batia o pé no ritmo mesmo quando não percebia. O sol já se inclinava no céu, tingindo o horizonte de tons rosados e dourados. O vento brincava com o cabelo dela e carregava o som distante de uma flauta tocada por um músico de rua. Por um instante, tudo pareceu se alinhar: o som, o vento, os passos e o olhar de Gui, que, sem querer, se fixou nela. Havia algo ali, um tipo de curiosidade calma. Não era atração imediata, nem simpatia pura, era como se ambos reconhecessem, um no outro, o mesmo tipo de inquietude. Ele parou de se mover, ficou alguns segundos em silêncio e, com um sorriso contido, perguntou: — Você vem aqui sempre? — Quase todo dia. — Ela puxou o elástico do cabelo e o prendeu de novo, como se isso lhe desse tempo para pensar. — E você? — Desde sempre. Aqui é meio que meu lugar. — Ele olhou em volta. — Quando tô aqui, o tempo meio que para, sabe? Ela assentiu fingindo que não ligava — Sei bem como é. Mas sentiu o coração dançar um compasso a mais. O resto da tarde escorreu manso. Ela voltou a treinar, e ele, fingindo distração, manobrava cada vez mais perto. Às vezes trocavam olhares, outras vezes apenas sorrisos que não duravam mais do que o tempo de um giro. Quando o céu ficou alaranjado e o sino da igreja anunciou o fim do dia, Lia guardou o fone e a garrafa de água na mochila. Gui se aproximou, até que seus patins parasse próximo aos pés dela. — Até amanhã, bailarina? — perguntou, com um tom entre provocação e convite. — Quem disse que eu volto? — Ela o olhou de soslaio. — Ninguém precisa dizer. Eu só… sei. Ela balançou a cabeça, rindo baixinho. — Você é bem convencido. — E você é previsível. — Ele piscou, colocando os patins em movimento e partiu, deixando para trás o som ritmado das rodinhas sobre o chão de pedra. Lia ficou ali, parada por alguns segundos, olhando o caminho por onde ele sumira. O vento passou devagar, levando uma folha dourada até cair sobre seu tênis. Pegou a folha, girou-a entre os dedos e sorriu, sem entender muito bem por quê. No mp3 a playlist chegava ao fim. Lia fechou os olhos e pensou que talvez o acaso tivesse ritmo próprio, um ritmo que, naquele fim de tarde, havia escolhido dançar com ela. E foi assim que tudo começou. Sem promessas, sem planos. Apenas dois adolescentes, uma praça e o primeiro compasso de algo que o tempo ainda chamaria de destino.

editor-pick
Dreame-Escolha do editor

bc

O Lobo Quebrado

read
128.0K
bc

De natal um vizinho

read
14.0K
bc

A Vingança da Esposa Desprezada

read
4.7K
bc

Amor Proibido

read
5.4K
bc

Primeira da Classe

read
14.1K
bc

Meu jogador

read
3.3K
bc

Menina Má: Proibida Para Mim

read
1.7K

Digitalize para baixar o aplicativo

download_iosApp Store
google icon
Google Play
Facebook