Pré-visualização gratuita CAPÍTULO 1
Meu destino parece não ser favorável. Meus pais me abandonaram quando eu mais precisava deles. Não sei quem são e nem como são. Mas hoje isso não importa. Tudo que quero é concretizar o que meus pais não tiveram coragem de fazer quando descobriram que eu viria ao mundo.
Meu namorado, se posso chamá-lo assim, não se importou em me trair com a primeira que pudesse promover sua posição social, promover seu emprego. Sei que ele se casou com uma riquinha. Mas uma vez estou lamentando por algo sem importância. Tudo na minha vida hoje não tem importância. As coisas que fiz, não tem importância.
Me lembro dos dias no orfanato, foram dias legais. Sempre com brincadeiras com as meninas. Sempre esperando o dia certo que cada uma iria sair dali abraçadas aos seus pais.
Me via todos os dias na janela, olhando o céu e fazendo pedido para os meus pais irem me buscar logo. Nos 18 anos, ali, trancada, eu pedia sempre a mesma coisa. Que meus pais aparecessem, e me levassem. Porém nada, esperei anos por eles, e tudo que tive foi a companhia das meninas do orfanato.
Quando sair do orfanato, comecei a fazer faculdade, sim fiz não sei para que sentido. Não exerci nada do que me formei. Sempre fazia alguns empregos temporários, tentando decidir o que eu realmente eu queria. Porém nunca optei por nada. Me via fazendo, sem um porque para minha vida chata.
Passado um tempo, conheci meu namorado. Ele era tudo que eu queria, talvez eu devia está depositando todas as minhas expectativas nele. Mas eu me apaixonei por ele, esperando que fossemos felizes algum dia.
Na minha cabeça, eu casaria com ele e teria filhos, mas aí, mais uma vez o destino me dá mais uma dica que não tenho direito de ser feliz. Meu querido ex namorado nunca me tocou como eu desejava, me abraçava como se fosse amigo meu, ou talvez um colega.
Ele sempre que podia, me evitava, isso no final, quando ele me deixou, dizendo que somos incompatíveis. Comecei a me questionar o que havia feito de errado com ele, com a gente. Tentei de todas as formas sondar dele o que aconteceu mesmo para ele querer terminar.
A gente estava bem, pelo menos para mim, naquela época estávamos bem, porém ele me disse que ele queria algo mais. Eu estava disposta a me entregar para ele, aí ele me disse que não era isso, e sim sua carreira. Ele queria ter nome e ser reconhecido, e comigo ele não teria nada disso.
Como um ser humano fala isso para outro? Como ele pode se esquecer do amor? Como ele pode se esquecer de mim? Do que sinto?
E meu pensamento vem mais uma vez forte. Ninguém se importa com a gente, não existe amor verdadeiro, as pessoas só buscam seus próprios egos. Querem crescer à custa de tudo e de todos.
Meu ex não queria crescer junto comigo. Não queria viver comigo.
Tempo depois, descobri a forma de crescimento que ele estava almejando. Ele me traia com uma garota rica, seu dinheiro e status fez com que ela o amarrasse. Fora o dinheiro e status que ela proporcionou a ele, ele ainda a engravidou. Imagine como eu fiquei ao saber que ele a engravidou. Fiquei m*l por semanas, chorando e sofrendo, pois apesar de tudo eu ainda gostava dele.
No fundo tinha esperança de que ele voltasse atrás e ficasse comigo. Porém essa esperança morreu ao saber do filho. Ele poderia ter me poupado dessa. Além de me trair ainda engravidou a tal garota.
Queria que alguém me respondesse o sentido da vida, o sentido da minha vida. Não tenho o porquê está viva, não tenho o porquê continuar aqui na terra, se eu mesmo pedir o sentido de tudo que era bom.
As ruas estão fazias. Para onde eu vou é deserto, nada e ninguém vai me atrapalhar com meus planos para mim. Como disse vou fazer o que meus pais não tiveram coragem de fazer quando descobriram sobre a minha existência. Eles deveriam ter feito um favor para eles e para mim, pois hoje eu não precisaria está aqui sofrendo e me lamentando, pela minha terrível vida.
Me sento em uma ponte pouco movimentada. Aqui quase não passa ninguém, e nem carros. Será ótimo não ter ninguém aqui para me impedir do meu ato.
Retiro do meu bolso uma gilete. Respiro fundo e sinto que esse é o momento. Amanhã estarei sendo enterrada como indigente.
Não me importo com isso, afinal de contas, ninguém me conhece, sou um ninguém em meio à multidão. Então não importo como serei enterrada. Meu apto deixei sem nenhuma conta para pagar. Não vim com nada que pudesse me identificar.
Cortei um dos pulsos, não sentir nada. Cortei o outro, também não senti nada. Fiquei ali vendo o sangue ser jorrado.
Esperando meu corpo esfriar, me levanto, ficando na beirada da ponte para assim me jogar. Quando sinto que vou me lançar, sou puxada, não vejo quem, e como, só sei que desmaiei e não vi mais nada.