Acordo em um lugar todo branco, estou confusa. Olho para os lados e não tem ninguém. Me sento na cama e sinto um puxão em meus pulsos. Droga, porque me salvaram? Será que meu desejo não é respeitável? Só me lembro de ser puxada por alguém e desmaia nos braços do mesmo.
Porque ele tinha que me tirar de lá? Essa hora a dor do meu peito teria já se curado, eu não estaria aqui com essa angústia, e com esse sofrimento.
De repente adentra o quarto uma mulher de branco com um crachá que não conseguir ler o nome, e que também julgo ser a enfermeira. Ela vem até a mim, e me diz que bom que eu acordei. Não respondo nada. Eu não sei o que há de bom em está viva ainda.
Ela faz algumas checagens e me disse tratará do meu café e chamará o médico para vim falar comigo. Pergunto a ela porque me salvaram, se eu queria era morrer? Ela tem um olho de pena para mim, e me diz que eu não devo pensar nisso. Eu sou muito jovem.
Não digo nada. Ela me pergunta meu nome, e eu não respondo. Ela sai me dizendo que chamará o médico. Levanto e vou até o banheiro e pego minhas roupas, me visto e saiu do quarto. Deixei o hospital sem olhar para trás.
Quando chego em meu apto, me jogo no sofá e começo a chorar. Porque aquele estranho teve que me salvar? Eu não queria está aqui agora. Não queria viver mais, será que é difícil alguém me entender? Fiquei horas pensando e acabei dormindo.
Acordei na era tarde da noite e nada em mim mudou.
Me levanto, tomo um banho e volto para cama. Não tenho vontade de nada. Morrerei assim. Passei dias, semanas dormindo a base de remédios, nada melhorou.
Eu preciso realmente acabar com isso. Não posso mais ficar adiando algo que inevitável.
Já sei irei para uma igreja, quem sabe lá Deus me perdoe pelos meus atos e por ter nascido.
Saio de casa e vou para uma farmácia. Compro alguns venenos.
Me dirijo até a igreja e sento no último banco. Olho para o altar e peço perdão, perdão por tudo que fiz e pelo que vou fazer. Sei que minha vida não importa mais para mim. Tomo os venenos e deito no banco da igreja. Adormeço.
Acordo novamente em um quarto branco. Meus Deus porque as pessoas não respeitam o meu desejo? Não quero viver mais, não quero fazer parte desse mundo.
Merda, eu não sirvo nem para morrer e nem para me matar. E novamente a mesma situação de antes, a enfermeira me encara séria, e me diz que eu quase morri. Era tudo que eu queria, penso comigo.
Ela diz que eu tive sorte. Eu não quero ter sorte, eu não quero viver, digo baixo, mas ela parece ter escutado. Me olha triste, e me diz que Deus não quer a minha morte, e que eu deveria ser grata pela minha vida.
Ela não sabe da minha vida. Ela não sabe o qual triste estou em está viva. Não digo mais nada. Ela sai e eu aproveito para sair também. Não vou ficar em um hospital recebendo conselhos ou sermões de pessoas que não sabem da minha vida.
Volto para solidão da minha casa. Droga, porque Deus não me deixa morrer? Porque tenho que ficar aqui sofrendo?
Dois dias se passam, levanto sem ânimo nenhum, vou para cozinha, mas antes escuto baterem na porta. E vou abrir
—O Sr aqui?
—Sim, como você está?
—Bem melhor do que mereço. Droga, o que será que ele quer?
—Posso entrar?
—Pastor o que faz aqui?
—Vim ver como você estava, depois de tentar suicídio na minha igreja.
—Eu estou bem. Outro sermão?
—Não falo por fora, e sim por dentro.
—Estou bem pastor, o senhor não precisa se preocupar.
—Filha, eu fui ao hospital te ver, mas quando cheguei lá você já tinha ido sem receber alta.
—Não quero falar sobre isso
—É a segunda vez que você tenta se matar.
—Como o senhor sabe disso?
—Me informaram no hospital que você já tinha sido internada antes com os pulsos cortados e quase pulou de uma ponte. E se não fosse um homem que conheço muito bem, a essa hora você já estaria morta.
—Não sei qual é o problema de querer morrer. Será que nem direito de ir e vim eu tenho
—Deus não quer isso para você.
—É, se já tentei várias vezes e não conseguir, eu acredito que Ele não queira mesmo. Não sirvo nem para me matar.
—Não fale assim, minha filha. Sei que você deve está passando por muitas coisas, mas isso não é motivo para se matar.
—O senhor não sabe o que está falando. Eu sei da minha vida, eu sei o que quero. E nesse momento eu não quero mais viver.
—Você precisa de ajuda.
—Eu não quero ajuda. Não quero ninguém me dando conselho e tentando fazer eu entender a vida.
—Porque está tão desiludida com a vida assim? Que m*l lhe aconteceu?
—Não importa pastor, agora se o senhor me dê licença.
—O hospital me perguntou se te conhecia, se sabia seu nome.
—E... Tomara que ele não falou nada de mim, apesar de que terei que ir lá pagar a conta do hospital.
—Eu não disse nada, mas espero sinceramente não te ver lá de novo.
—Espero também. Falo para ele parar de me impedir, porque se eu conseguir, ele não me verá mais lá.
—Porque você não vai a igreja mais tarde?
—Para que?
—Ouvir a palavra de Deus. Acho que te ajudará em suas decisões para sua vida.
—Eu não acho. E nem quero ir.
—Filha, não tente uma besteira com sua própria vida. Ela é muito valiosa.
—Boa tarde, pastor. Eu quero que ele me deixe em paz. Não preciso que as pessoas me falem o quanto minha vida vale, sendo que para mim, não vale nada.
—Eu virei aqui todos os dias saber de você e não desistirei de você.
—Não perca seu tempo, eu não tenho mais jeito.
—Eu não penso assim, você ainda terá um futuro brilhante.
De que futuro ele está falando? Eu já desistir de mim a muito tempo. E não há nada que ele e nem ninguém possa fazer. Ele se despede e vai.
Agora terei todos os dias ele no meu pé.
Como é possível alguém querer me ajudar se não sabe o que se passa dentro de mim? Eu não quero mais a minha vida, eu não quero mais viver. Será que custa as pessoas entenderem isso?