Capítulo 005

1072 Palavras
26 de maio, 2016 20:55 da noite Sicília, Itália Zola D'Angelo Batuquei os dedos na mesa, me irritando com o som que eu mesmo produzia enquanto me dedicava a ler os documentos sobre a nova remersa de armas que chegaria num porto em Florença nesta noite. Eu queria poder sair de casa para trabalhar, indo eu mesmo receber mas fui proibido por Fabrizio que havia me obrigado a curtir meus dias de lua de mel. Ele era um i****a. Entendi perfeitamente porque Elena estava tão irritada com ele. Ele sabia que era um casamento de interesses e que a irmã era um dragão em relação aos modos. Me odiava, eu sentia isso assim que seus olhos vinham sobre mim. Porém, eu tinha mesmo que dar um jeito de fazer a princesinha se acalmar. Ela ainda era jovem, faria dezoito em pouco mais de um mês mas ainda por estar com poucas semanas de gestação corria o sério risco de perder nosso bebê de ouro e isso não poderia acontecer de jeito nenhum. Aquela criança veio na hora certa. Pelo pouco que eu sabia sobre Andrei Kuznetsov , soube que ele era leal aos seus compromissos com a Bratva. E se a Bratva dizia que um filho era sagrado, bom, ele seguiria isso. Como eu disse, esse bebê caiu do céu, e após m***r o desgraçado, eu me livraria de Elena. Ela chegou num momento em que as famílias já estavam completas e até o momento só havia trazido problemas. Se fosse embora, não faria falta. E eu estaria livre. Ninguém irá saber. Deixo o computador de lado, subindo as escadas até o andar superior, apenas para bater contra a porta do quarto da garota. Ela gritou que eu podia entrar e eu praguejei contra sua falta de educação. Ela estava jogada em meio a cobertores e caixas de doces. Um lenço na mão enquanto lágrimas deixavam seus olhos em grandes quantidades. Me virei para a tv onde um romance clichê mostrava um casal se reencontrar. Ele prometia a garota todo amor do mundo e ela estava acreditando, mas até eu sabia que apesar de ser um filme, ele faria de novo. Erraria com a garota vezes demais até chutá-la, e ela, mesmo assim sempre o perdoaria. — Está chorando por causa disso? Ele vai trair ela de novo. — m*l vi quando a almofada veio em minha direção, apenas senti o impacto, cambaleando para trás e recebendo seu olhar de raiva. — Não seja c***l! Estou chorando porque estou sofrendo! Você, homem, não entende que estou com meu coração em pedaços? — Ela exagerou, enfiando um belo pedaço de chocolate dentro da boca. Se continuasse daquela forma, engordaria muito mais do que deveria, podendo prejudicar até o bebê. Caminhei até a cama, pegando o pacote e o tomando. Ela veio atrás de mim enquanto eu descia as escadas para encontrar uma lixeira. — Você já controla minha vida toda, vai querer também controlar o que eu como? Seu desgraçado, vá se f***r! — Suas mãos pequenas socavam minhas costas e eu estava perdendo a paciência. Quando me virei em sua direção, Elena veio tentar bater em meu rosto mas agarrei seu pulso, balançando a cabeça enquanto negava. Ela não seria maluca. — Nem tente. — Rosnei em sua direção, a vendo arrebitar o nariz perfeito, mostrando que não iria ceder. — Me dê os chocolates então! — Rebateu o rosto contra o meu, usando o mesmo olhar assustador que seu irmão tinha. Ela estava nas pontas do pés e aquilo era um tanto patético. Eu a olhei de cima, deixando o sorriso debochado brotar em meus lábios. — Por que eu daria? — Vontade de grávida, Zola. Deveria saber dessas coisas. — Arqueoou as sobrancelhas, como se não fosse o óbvio. Apertei os olhos desconfiado. Soltando sua mão, deslizei a minha até seu rosto, secando os vestígios de lágrimas. — Não acredito que está mentindo pra mim dessa forma achando que eu não sei disso. E não acredito mesmo que esteja assim por causa de um homem. — Soprei a verdade, vendo-a bufar e me dar as costas, indo em direção a cozinha. Eu fui atrás, disposto a saber o porque daquilo, tanto sofrimento por algo tão e******o. — Ele era diferente está bem? Foi o único homem que me fez sentir tudo que eu lia em livros, me levou à lugares e era tão gentil. Ao menos uma vez, ele não pode ter fingido. Deve ter me amado alguma vez! — Gritou como se a culpa fosse minha. Ela já deve ter lido o termo iludir, não dava para acreditar que era tão cega. — É um homem! — Reforcei pois eu sabia exatamente como éramos. Eu havia ficado com uma porção de moças, mas nunca ligava no dia seguinte. As mulheres da máfia que o digam, quantas virgindades tirei sem prometer compromisso? Elas eram loucas para ter uma chance comigo. Se eu fosse descente, teria firmado compromisso com a primeira, mas eu , como quase cem por cento dos homens não prestava. Oh, Dio, era assim tão difícil de entender? — Você é homem também. — A ouvi choramingar após um tempo em silêncio. Os olhos estavam cheios de lágrimas e eu estava quase me sentindo culpado. — E eu não presto. — Reafirmei tanto para ela quanto para mim mesmo. Eu me convencia de vez em sempre que era preciso pensar no que acreditava. Elena assentiu, suspirando quando as lágrimas começaram a deixar seus olhos. Me virei e fui embora, levando os chocolates comigo. Durante toda a noite, eu a ouvi chorar no andar de baixo. 27 de maio, 2016 08:08 da manhã Sicília, Itália Elena Martinelli D'Angelo Faça-o sentir e vá embora. Deslizei a escova pelos cabelos molhados, enquanto fitava meu reflexo através do espelho. Faça-o sentir e vá embora. Eu estava bonita, usando um dos vestidos novos e a maquiagem leve, mas o batom vermelho me deixava bonita e destacava tudo em mim. Ah, ele estava fodido com a boca que eu tinha. O faça sentir e vá embora. Repeti mais uma vez mentalmente, o mantra de toda a madrugada. Zola havia feito eu ver um pouco melhor as coisas. Abriu meus olhos para que pudesse ver as coisas com mais clareza. Sim, ele é um homem. Mas eu sou uma mulher, e vou mostrar a ele que posso ser pior do que ele achou se possível.
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