🖤 NARRADO POR PILAR — “A MADRUGADA, AS PORTAS FECHADAS E O NOME QUE NÃO ME LARGAVA” A madrugada não passou. Ela simplesmente se recusou a seguir o fluxo do tempo. Ficou ali, estacionada sobre mim como um bloco de chumbo, uma presença física e sufocante que drenava qualquer rastro de esperança que o cansaço extremo ainda não tivesse devorado. O quarto de hotel cheirava a mofo, a cigarro antigo e a um produto de limpeza barato que tentava, sem sucesso, mascarar a decadência do lugar. O relógio do meu telemóvel, com o ecrã estilhaçado por um golpe que eu preferia não recordar, marcava horas que pareciam congeladas. O brilho azulado da tela ferindo os meus olhos cansados. Parecia que o universo tinha decidido fazer uma pausa apenas para me observar em silêncio, curioso, numa vigília sádica,

