capitulo 93 Suzana

1682 Palavras

RESSACA MORAL, CAFÉ FORTE E VIDA REAL Acordei. Ou melhor: recuperei a consciência como quem emerge de uma trincheira sem saber ao certo se a bandeira hasteada lá fora ainda é a minha. Meu corpo inteiro protestava. Não era aquela dor dramática e perfumada de heroína de cinema, que acorda com a maquiagem intacta após uma noite de paixão; era uma dor prática, crua, distribuída com uma justiça quase c***l por cada fibra muscular que eu nem lembrava que possuía. Pernas? Duas colunas de gelatina inútil. Lombar? Um abaixo-assinado formal contra os excessos da madrugada. Pescoço? Travado como uma engrenagem sem óleo. Abri um olho. O teto era branco, alto, impecável e irritantemente impessoal. Fechei. Abri os dois, mais devagar desta vez, porque nutria a esperança infantil de que o mundo tive

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