capitulo 92

1755 Palavras

NARRADO POR RENATO (CARDEAL) — SOBERANIA NÃO SE TESTA O vento que fustigava o topo do morro não era apenas ar em movimento; era o hálito de um organismo que eu domava com mãos de ferro. Ele trazia consigo o cheiro da pólvora oxidada, da poeira e do suor dos homens que morrem apenas para sustentar o meu nome. Mas hoje, aquele vento trazia um odor que me causava náuseas: o cheiro do domínio alheio. Nada corrói mais as minhas entranhas do que sentir a respiração de outro suposto rei ocupando o mesmo horizonte que eu. Fiquei estático na borda do precipício, observando onde as luzes do meu império terminavam e as do Playboy começavam. Aquele brilho lá embaixo era uma ferida aberta na minha autoridade. Coveiro, a minha sombra mais fiel, estava parado logo atrás. Ele não ousava interromper. Ele

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