Capítulo 8 - Quero você aqui e agora (Parte 2)

2562 Palavras
- E ela não pode esperar um minuto sequer? Nessie fez uma careta de desagrado e eu bufei, saindo do lago, levando sua blusa e sutiã no caminho. Nessie pegou quando atirei para ela e começou a se vestir, sem dizer uma palavra. - Ei - a chamei enquanto ela estava concentrada nos botões, alguns conseguiram se salvar do meu puxão. - O que foi? - Topa namorar comigo? Ela parou e me encarou espantada. - Se eu topo...? - perguntou devagar. - Desculpe, não faço o típico romântico. O que quero dizer é… você me daria a honra de me apresentar a seus pais como seu namorado? Ela diminuiu a distância entre nós e passou os braços pelo meu pescoço. - Sim, topo. Vai ser divertido convencer meus pais de que agora você é meu namorado. Não pude deixar de perceber seu tom sarcástico maravilhoso. Ri alto, a abraçando para mais perto. A felicidade irradiava por todos os meus poros, fazendo eu me sentir uma lanterna. Selamos a nova fase de nosso relacionamento com um beijo carinhoso e demorado. - Agora vamos ver o que aquela loba quer - disse ela ao me soltar. - Sim, antes que eu enlouqueça de novo. Suspirei dramaticamente, sem soltá-la por um segundo sequer e partimos de volta à floresta. Não sei se foi por causa da alegria que compartilhávamos ou das brincadeiras que fazíamos, mas o caminho de volta pareceu mais curto, quando demos conta já estávamos na reserva. - Acho melhor eu seguir para casa, não quero outro episódio como o de hoje cedo - disse Renesmee, soltando nossas mãos entrelaçadas. A tristeza da separação agora rondava sobre nós como uma fumaça tóxica. Sempre foi assim, desde que ela era pequena, mas agora parecia dez vezes pior. - Tá certo. Quando eu resolver isso aqui eu passo lá pra falar com meu sogrão. Ela deu uma risada gostosa e um beijo estalado, mas não a deixei fugir tão facilmente, a puxei pelo braço e beijei de novo, e de novo, e de novo. - Você não vai me deixar ir? - perguntou ela entre beijos e risadas. - Na verdade, estou pensando em continuar o que começamos no lago. Mordisquei seu lado inferior e a senti tremer de prazer em meus braços. - A ideia é tentadora, mas acho que estamos muito perto da vila e a qualquer momento um lobo pode tropeçar na gente. - Argh! Tem razão - grunhi, a soltando. - Então até mais tarde. E a observei correr entre as árvores até sua silhueta sair do meu campo de visão. Quando cheguei em casa encontrei meu pai e Leah na sala. Lancei a Leah um olhar de raiva, ela sabia muito bem que tinha que ficar com o bando durante minha ausência. - Trate de desfazer a careta Jacob, se bater um vento ela congela - disse ela sem me olhar. - Foi o que aconteceu com você? - provoquei. - Ao contrário de você, eu não dei o cano na matilha de uma hora para outra. Embry e Jared estão na ronda agora. Suspirei frustrado e me joguei no sofá, derrubando um pacote de salgadinhos no chão. O sofá envergou para trás com meu peso e eu senti todas as molas daquela velharia nas minhas costas. - Qual é o incêndio? - reclamei, cansado. Leah saiu da minha frente e pude ver a maca improvisada encostada no canto da sala. Mia estava lá com ataduras até o pescoço e respirando com muita dificuldade, seu rosto tinha vários hematomas. Me endireitei de imediato, assustado com aquela cena. - Meu Deus. O que houve? - Parece que a transformação fez mais estragos do que antes - falou a voz de Sue e logo depois sua figura saiu da cozinha com uma tigela nas mãos, um cheiro delicioso de sopa chegou até meu nariz. - Teria valido a pena se eu tivesse conseguido arrancar a cabeça daquela coisa - disse uma voz fraquinha e rouca, e percebi que vinha de Mia. Tudo bem, ela aparentava ser a coisa mais frágil da sala naquele momento, mas isso não me impediria de sacudi-la pelos ombros até que retirasse cada palavra. Era de Renesmee que ela estava falando, não conseguia sequer imaginar minha deusa machucada. Leah percebeu a raiva lampejando em meus olhos e se colocou de novo na minha frente. - Mas a boa notícia é que o veneno está quase eliminado de sua corrente sanguínea e você vai se curar rapidinho - disse Leah de bom humor. Eu já tinha estranhado o comportamento de Leah com relação a garota lobo há algum tempo, mas sempre imaginei que fosse algum tipo de compaixão enterrada dentro dela, depois de tudo que tinha acontecido a Mia. Mas agora eu vendo o olhar que as duas trocavam, as mãos de Leah protetoramente a sua volta, como se fossem amiguinhas, eu entendi tudo. Leah achou uma companhia, alguém com quem se identifica, alguém como ela. Que ótimo, agora tínhamos uma irmandade feminina na tribo, era só o que faltava para tudo ficar mais esquisito. Enquanto Sue dava de comer a Mia eu batia impacientemente os pés no assoalho de madeira. Já que eu estava alí, que eles desembuchassem logo o que era de tão urgente, para que eu pudesse voltar o mais rápido possível para Nessie, a saudade já estava insuportável, principalmente depois de tudo que fizemos… ou deixamos de fazer. - Dá pra parar com isso? - reclamou Leah pra mim. - A minha presença era exigida para apreciar a hora do jantar? - resmunguei, meu mau humor falando por mim. - Espere um pouco, Sue - falou a fraca voz de Mia. Eu me levantei e fui até a maca, próximo aos pés enfaixados da garota. - Como pode ver Jacob, isso não pode acontecer de novo - falou ela e seu olhar recaiu sobre o próprio corpo. - Sim, espero que tenha entendido que não pode se transformar por enquanto. - O que eu não posso fazer é suportar a presença de qualquer vampiro, principalmente daquela coisa. Ela me lembra demais o bebê que eu matei e Leah me contou sobre criaturas metade humanas e metade vampiros. Fechei o punho com força e trinquei os dentes, mas Mia continuou. - Como sabe, eu não tenho para onde ir e agradeço demais tudo o que estão fazendo por mim. Eu quero ficar, morar em La Push… - Sabe que é muito bem vinda - interrompeu Leah. - Obrigada - sussurrou Mia e depois limpou a garganta com dificuldade. - Eu posso ser útil, estudei enfermagem por alguns anos, sou uma ótima cozinheira e posso me juntar ao bando sem problemas, fazer rondas e tudo mais. Aquilo estava ficando interessante, era na verdade melhor do que eu imaginava. Só Deus sabia da necessidade de mais um lobo no bando, principalmente forte maduro como ela e não aquelas coisas raquíticas que ainda frequentavam a escola, como os garotos mais novos. Jared e Paul já estavam ficando insuportáveis, queriam deixar a matilha o mais rápido possível. Todavia eu sentia um "mas" chegando, sabia que não seria tão simples. - Mas… - começou ela - eu não quero ter que conviver com vampiros, semi vampiros ou qualquer outra coisa daquelas. - Não - respondi simplesmente. - Escuta. Eu prometo não atacá-los, nem nada do gênero, prometo deixá-los em paz. Leah me contou sobre um antigo tratado que vocês tinham, que ninguém poderia invadir o território do outro. É disso que eu preciso, que o tratado volte. Não estou pedindo nada demais. - Absolutamente não. - Ela está sendo bem razoável, Jacob - disse Leah. - Os Cullen não têm nada a ver com o que aconteceu. - Tampouco eu poderia aceitar isso - esbravejou Mia, usando todo o resquício de força que tinha - Para você eles podem ser seus melhores amigos, mas pra mim não passam de assassinos manços. A raiva que borbulhou em mim foi desmedida. - É graça a esses assassinos que você está viva - rosnei. - E perdi tudo. Eu não poderia culpá-la. d***a, eu mesmo há alguns anos estava prestes a m***r todos eles, se não fosse o tratado que me impedia. - Não precisa decidir nada agora, pense um pouco, eu não vou a lugar nenhum mesmo - ela tentou soltar uma risada irônica, mas tudo que saiu foi uma tossida. - Mas esse é o acordo. Ou volta o antigo tratado com os sangues… os Cullen, ou, assim que eu me recuperar, vou embora. Que petulância dela. m*l chegou e já quer fazer exigências. Pelo seu olhar determinado eu vi que ela não cederia, eu tampouco podia aceitar isso. Como alfa eu tinha que fazer o melhor para a matilha, que naquele momento era ter Mia como m****o. Mas era absolutamente impossível concordar que Renesmee não venha mais a La Push. Me despedi de todas com um gesto vago, prometendo a mim mesmo que pensaria no assunto mais tarde - de preferência no meio de uma aula entediante de história - e chegaria num acordo que beneficiaria nós dois. Eu já estava louco de saudade da minha ruivinha, como sempre acontecia um segundo após deixá-la, e como hoje eu já tinha chutado o balde das minhas responsabilidades mesmo, decidi atirá-lo ainda mais longe e rumei para a casa dos Cullen. Pensando em tudo durante o caminho, eu colocaria o sorriso mais presunçoso na minha cara de p*u e diria a Edward que estava namorando sua filha. m*l podia esperar para ver a cara dele se contorcer como um maracujá murcho quando eu falasse isso, já podia até ouvir o som de seus dentes trincando de raiva. E ele nada poderia fazer a respeito, pois sabia tanto quanto eu que esse momento era inevitável, que teria que enfrentar uma hora ou outra. Talvez num próximo final de semana eu pudesse arranjar um tempinho livre e levar Nessie para um passeio, algo que nos permitisse conversar por horas e horas, sem a interrupção de ninguém, e fazer outras coisas também, lógico. Droga, isso fez lembrar que eu esqueci de perguntar a ela sobre a escola. Confesso que não passou pela minha cabeça em momento algum. Bom, mais um dos milhões de motivos para vê-la. Porém, não me dei conta do tumulto que estava na sala principal da mansão, distraído como eu estava. Havia nove vampiros do recinto e dois corações acelerados. Um era de Nessie, eu reconheceria aquele som a qualquer distância, o outro era desconhecido. Ninguém veio me receber na porta, o que eu já estava acostumado. Quando cruzei o grande arco que separava o cômodo de entrada da sala vi toda a família Cullen reunida - Renesmee bem ao lado da mãe - e dois estranhos próximo a mesa. A mulher tinha pele amendoada, olhos vermelhos e uma expressão de desconforto no rosto, o outro era um rapaz jovem e grande, de cabelos pretos e olhos castanhos. Ele mantinha uma expressão presunçosa. - Jacob, esses são Huilen e Nahuel - disse-me Carlisle. Depois de uma recepção nada simpática da minha parte, os convidados dos Cullen foram se acomodar em seus quartos enquanto eu e Nessie tentamos sair de fininho, mas infelizmente tivemos que ouvir as piadas sem graça de Emmett, os pulinhos da Alice e a carranca fechada da loira psicótica, sem que Nessie tenha ao menos contado qualquer novidade. - Quanta surpresa - resmungou Rosalie, revirando os olhos e cruzando os braços na frente do corpo. - Tia Rose! - reclamou Nessie. - Desculpe querida, mas você poderia ter um gosto melhor. - Ou um olfato melhor - disse Emmett tapando o nariz teatralmente. - Valeu hem. - Estamos felizes por vocês, meu amor - disse Esme ao abraçar Nessie. - Mas nenhum pouco surpresos, eu presumo? A mamãe vampira deu um sorriso envergonhado. - Claro que não, até eu que não vejo o futuro de vocês já sabia o que ia acontecer - falou Alice. - Tá legal, vocês vão ter muito o que fofocar a noite toda agora. Vem Jake, vamos dar uma volta. Depois que saímos porta afora ouvi que Edward e Bella nos seguiam, imaginei que fosse para conversar comigo, mas eles seguiram direto para o chalé, então nos afastamos até ficar não muito longe - pouco menos de um quilômetro, na verdade - sentados numa pedra na margem do rio. - Eles pretendem ficar muito tempo? - perguntei depois de um segundo de silêncio. - Não sei - respondeu Nessie - Nahuel sempre quis sair de sua aldeia e estudar fora, então depois de nossa visita ao Brasil ele finalmente conseguiu convencer sua tia Huilen de que não teria perigo ficar conosco, porque ela é protetora em exagero quando se trata dele. Eles pretendem ficar alguns meses conosco até se estabelecerem e até que Nahuel comece suas aulas na Universidade de Washington. - O que?! - acabei esbravejando de surpresa. Não conhecia o rapaz, não tive oportunidade de falar com ele, mas não sei se gostava da ideia de estudarmos juntos. - Pois é, loucura, você não acha? Estava mais para um pesadelo, mas eu não quis acrescentar. Renesmee percebeu meu desconforto e resolveu mudar de assunto. - Meu pai está num mau humor terrível depois que cheguei em casa e ele leu meus pensamentos. - Putz, acabei me esquecendo de falar com ele. Tornar as coisas mais oficiais, sabe como é. - Ah, mas tenho certeza de que ele está nos ouvindo agorinha mesmo. Disso eu não duvidava, irritante do jeito que era. - Ninguém mandou ser tão intrometido. Acho que podemos irritá-lo mais um pouquinho. Passei então um de meus braços sobre os ombros de Nessie e a trouxe para mais perto. Ela me olhou no momento exato que colei minha boca na sua. Seus lábios eram muito delicados e me senti derreter por sua doçura. Seu corpo se movimentou e ela se virou para ficar de frente para mim, uma das mãos acariciando meu rosto enquanto a outra começou a puxar levemente meus cabelos da nuca. Entreabri a boca um centímetro e percorri a ponta de minha língua em seu lábio inferior, um gemido baixinho e rouco saiu de sua garganta e ela se aninhou ainda mais contra meu peito. Foi quando senti o sabor de sua língua e meu corpo todo esquentou subitamente, o desejo se apoderou de mim, trazendo uma dor deliciosa até a pélvis. Eu senti seu coração bater em ritmo ao meu, ambos acelerados e urgentes. - Tchau Jacob, obrigado pela visita - disse a voz de Edward de dentro do chalé, nos sobressaltando. Renesmee fez uma careta e revirou os olhos. - Edward! - ouvi Bella sussurrar. Limpei a garganta e me afastei um pouco dela. - É melhor eu ir, já testamos muito a paciência dele hoje - murmurei, dando-lhe um último abraço e sentindo seu cheiro maravilhoso. - Quando vai voltar? - perguntou, a ansiedade brilhando em seus olhos. Como eu queria responder "amanhã", ou melhor "daqui a uma hora", ou melhor ainda "vou ficar", mas não faria outra promessa a ela que não conseguisse cumprir e eu precisava voltar para aquela d***a de faculdade urgente, antes que fosse expulso por abandono. - Logo - falei, plantando um selinho no canto de seus lábios e partindo em direção a floresta antes que enlouquecesse de desejo.
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