Índio narrando Assim que a gente saiu do morro, eu olhei de canto e vi ela sorrindo. Não era qualquer sorriso. Era aquele sorriso aberto, bonito, de quem tá animada de verdade, de quem tá se permitindo viver o momento sem medo. Aquilo me pegou de um jeito que eu nem sabia explicar. Verônica tava ali do meu lado, com a mão apoiada na perna, olhando tudo pela janela como se estivesse descobrindo um mundo novo. E talvez estivesse mesmo. Por muito tempo eu coloquei na minha cabeça que ninguém nunca ia querer conhecer a minha casa. Não por falta de luxo, de espaço ou de conforto, mas porque aquela casa sempre foi vazia demais. Sempre fui eu por eu mesmo. Mulher nenhuma nunca ficou tempo suficiente pra eu pensar em dividir aquele espaço. Nunca levei ninguém ali com a intenção de ficar. E agor

