Natalie narrando Assim que eu cruzei a porta da casa da Tatiana, tive a certeza de que aquele lugar nunca seria neutro pra mim. O ar parecia pesado, carregado de algo que não tinha nada a ver com luxo ou dinheiro. Era tensão. Cada passo que eu dava pelo corredor impecável reforçava a sensação de que eu estava entrando num território que não era meu — e que, de certa forma, nunca seria. A decoração gritava riqueza, tudo no lugar exato, como se alguém tivesse parado o tempo ali dentro. Nada fora do eixo, nada humano demais. Eu andava ao lado do mago mantendo a postura firme, médica, mulher segura, mas por dentro meu estômago já começava a se revirar. Não por ciúmes exatamente. Era algo mais profundo, mais incômodo. Intuição. Quando entramos no quarto, a cena foi ainda mais clara. Tatiana

