capítulo 77

1117 Palavras

Nayara narrando Sempre fui eu e a minha mãe. Desde que me entendo por gente, nunca teve outra versão da minha história. Não teve pai presente, não teve finais de semana com presente surpresa, não teve mesada nem aquela sensação de segurança que eu via nas outras meninas. Era só nós duas e um monte de conta atrasada. Enquanto as meninas da minha idade reclamavam porque o pai não comprou o celular novo ou porque não deixava sair, eu aprendia cedo que desejar não significava ter. Minha mãe fazia o possível, e eu sei disso hoje, mas naquela época o possível sempre parecia pouco demais. Ela se virava como dava, trabalhava quando a saúde deixava, e mesmo assim tinha dias que faltava. Faltava comida melhor, faltava roupa nova, faltava tudo. Eu cresci olhando ao redor e comparando. Comparando a

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