Luna narrando
- Qual prova o senhor tem contra o meu cliente, delegado Ferraz? - pergunto ao ver que ele vai encaminhá-lo ao presídio.
- Olha, senhorita Albuquerque, acho bom você não se meter com esse cliente, senão vai se dar m*l - ele fala, e eu dou um sorrisinho cínico.
- Se o meu cliente sair daqui sem a minha autorização e sem uma prova da sua parte, eu garanto que você vai se arrepender. Você tem até 48 horas para comprovar que ele é um criminoso. Caso não apresente provas, você não pode mantê-lo aqui.
- Olha aqui, garota - interrompo ele.
- Garota não, Dr. Albuquerque ou senhorita pra você, e a nossa conversa acaba por aqui. Com licença, senhor Ferraz - falo curta e grossa e saio da sua visão, indo diretamente ver o meu cliente. Assim que ele chega, já dá um sorrisinho.
- Pô, patroa, tu veio mesmo - ele fala, e eu fecho logo a cara.
- Olha aqui, Perigo, se você falar alguma coisa que te comprometa, eu não vou fazer esforço para te tirar daqui. Então, por favor, mantenha-se calado - falo, e ele concorda. - E não me chama de patroa, aqui eu sou sua advogada - ele confirma.
- Sim, senhora, mas já tem previsão de quando eu vou sair daqui?
- Se em 48 horas não acharem uma prova concreta que realmente te julgue culpado, você vai estar em liberdade. Não tem nenhuma testemunha que te viu e muito menos prova que te incrimine.
- Só tem a minha arma, tá ligada, né?
- Pra isso eu já resolvi. Consegui um porte de arma pra você, então a arma é o menor problema. E quanto aos tiros, o meu pai encarregou-se de fazer o limpa das balas da sua arma na região onde você matou - falo, e ele apenas confirma. - Daqui 48 horas eu volto - falo, e ele apenas confirma. Me levanto dali e saio da delegacia. Perigo foi acusado de matar uma mulher aqui no asfalto. É lógico que ele matou, porém não há provas suficientes que o incriminem. A mulher estava devendo na boca, mas pro azar do Perigo a polícia pegou ele na rua debaixo com a arma. Mas, como eu disse, eles não têm uma prova sequer que foi ele que matou, e tenho certeza de que não vão conseguir alguma.
Vocês já devem ter ouvido falar de mim, mas acho que devo a vocês uma apresentação mais formal. Me chamo Luna, tenho 25 anos, meu cabelo agora está em um ruivo um pouco puxado para o vermelho, mas nada vulgar. Estou pensando se vou manter ele nessa cor ou se vou colocar ele preto novamente. Tenho 1,57 de altura, meus olhos são puxados mais para a cor do castanho escuro. Meu corpo é considerado um corpo padrão, sou magra, com s***s e b***a fartos. Eu gosto do meu corpo até porque lutei muito na academia para alcançar esse resultado. Ah, claro, o mais importante: eu sou formada na área de advogada criminalista. Amo a minha profissão e vamos dizer que eu sou o terror dos delegados. Eles sabem que pegam as pessoas certas, mas eu sempre viro o jogo pra mim e nunca perdi uma causa. Por essa questão, sou considerada a melhor. Na favela, eu sou chamada de princesinha e no meio jurídico sou chamada de d***o. Nenhum desse meio gosta de mim e eu não me importo, na verdade. Eu gosto do poder de ser temida.
Defendo todos os meus clientes com prazer. O único que eu não pego a causa é do Arcanjo, mesmo ele fazendo parte do comando. Eu e ele nos odiamos. A gente namorou quando eu tinha 17 anos e ele tinha os seus 19 anos. Durou um ano, mas isso eu vou relatar pra vocês mais pra frente. Não gosto de relembrar o passado que eu tive com ele.
Chego no morro e vou direto para o escritório que tenho aqui. Entro e já abro o meu notebook para começar a organizar as audiências que vou ter no próximo mês.
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Quase meia hora depois, o meu irmão entra na sala, simples assim. Ele entra como se não precisasse bater. A minha vontade quando ele faz isso é quebrar a mão dele, porque eu ainda não sei pra que ela serve.
- Perdeu a mão, garoto?
- Não enche, Luna. Pai tá te chamando na boca - estranho.
- Adianta o assunto - falo me levantando e calçando uma sapatilha. Aqui eu ando formal, mas odeio andar de salto.
- A defesa do chefe - quando ele fala isso eu acabo sorrindo.
- O que eu tenho a ver com a defesa dele? Até onde eu sei, é a Laissa que está com o caso dele - falo e ele n**a.
- A Laissa foi dispensada, não conseguiu nada com ele. Você sabe bem que essas advogadas só vão para se deitar com ele, porque defender elas nunca conseguiram - n**o.
- Nem elas e muito menos eu. Se o senhor Ryan estiver cogitando me colocar na defesa dele, eu sinto muito, mas a resposta é não - falo e ele concorda.
- Então, minha irmã, se prepara, porque parece que o papai tem um plano, viu - respiro fundo tentando manter a calma.
- Vamos lá - falo e entramos no carro. Não é muito longe o meu escritório da boca, por isso com dois minutos eu encosto e já vejo o carro da tia May, mas do tio menor ali. Desço do carro e bato na porta, escutando um "pode entrar" do meu pai.
- Bom dia - falo e vou até os meus tios dando bênção.
- Senta aí, Luna - meu pai pede sério.
- Não vou defender o Arcanjo. Ele se enfiou nisso porque quis. Eu não vou limpar a sujeira dele depois de todos esses anos - falo sem sentar, e ele me olha com uma cara de poucos amigos.
- Eu não te formei pra você escolher quem você vai defender, eu te formei pra você defender o comando. E quer você goste ou não, Luna, você vai sim defender ele - ele fala e eu respiro fundo.
- Eu sinto muito em desapontá-lo, pai. Eu defendo quem você quiser do comando, mas o Arcanjo eu não vou defender - falo, e quando viro as costas pra sair, eu escuto ele bater forte na mesa me fazendo paralisar. Eu nunca o vi assim.
- VOCÊ NÃO TEM QUE QUERER NADA NESSE c*****o, LUNA. VOCÊ VAI E PONTO. E SE NÃO FOR, PODE SE CONSIDERAR SEM EMPREGO. EU TENHO FORÇA O SUFICIENTE PRA DERRUBAR A SUA CARREIRA - ele grita me assustando, e eu o encaro.
- Você não tá falando sério - olho pra ele desacreditada.
- Amanhã mesmo quero você dentro daquele presídio e tomando as devidas providências para tirar o Arcanjo de lá - ele fala, e eu sinto um misto de sentimentos. Tem exatamente 9 anos que eu não vejo o Arcanjo, e eu nem sei se quero ver. Que ódio.
- Como quiser, pai - falo fria e seguro o choro saindo dali. Dirijo até uma praia, porque a única coisa que me acalma nesse exato momento é o mar. Eu não posso ir contra o meu pai. Advogar é a minha vida. Eu amo a minha profissão, não posso deixar ele destruir a única coisa que me ajudou a sair da merda da depressão.
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