Luna 03

1073 Palavras
Luna narrando Acordo no outro dia com a força do ódio. Estou indo pela primeira vez atender um cliente de quem eu faria questão de não conseguir a liberdade. Respiro fundo, pois não posso misturar o profissionalismo com o pessoal. Espero muito que o arcanjo não queira me ver, para pelo menos eu ter a desculpa de que tentei e ele não quis. Me levanto e vou direto ao banheiro, faço minha higiene e tomo um banho de água fria, porque o Rio de Janeiro não brinca quando o assunto é calor. Saio do banheiro, passo meus produtos corporais, visto a lingerie, coloco uma camisa branca de manga longa aberta até o rumo dos s***s, visto uma calça de alfaiataria azul-clara com a barra mais larga, coloco um cinto nude e calço um scarpin branco. Faço uma maquiagem básica, pego minha bolsa, meu celular e a chave do carro, e saio trancando tudo. — É, Luna, tantos anos evitando ele, agora é hora de encarar a realidade — falo para mim mesma e dou partida no carro. O presídio fica a mais ou menos 100 km daqui, então tenho uma hora e meia para curtir minha paz dentro do carro. Coloco Veigh para tocar e vou sem pressa para o meu destino. { . . . . . . } Será que ele sabe que eu viria hoje? Me pergunto em frente a esta penitenciária. Acho que sim, com certeza meu pai, no mínimo, deve ter ameaçado-o. Mantenho a calma, respiro fundo e sigo em frente. Assim que entro, o diretor, que já estava avisado da minha visita, vem me receber. — Doutora Albuquerque, como é bom vê-la — ele diz com um sorriso falso. — Sei que não está feliz em me ver, diretor Sales, poupe-me da sua falsidade — ele engole em seco. Sei que ele me odeia, como todos deste meio, mas verdadeiramente não me importo. Só odeio que sejam falsos comigo. — Mas vamos direto ao ponto. O meu cliente, Rafael Martins, já foi avisado da minha visita? — Já sim, me acompanhe — ele pede, passa à frente e eu o sigo até chegar a um local mais reservado. — Em breve ele estará aqui com você — apenas confirmo e ele sai. Me sento ali na cadeira. O guarda está na porta do lado de fora. Estou confiante que ele não vem e, se vier, será para recusar a proposta. Quase dez minutos depois, me levanto para ir embora. Se não veio até agora, é porque não está interessado. Assim que chego na porta para sair, a mesma se abre e ele me olha nos olhos. Ele não mudou nada. Seus olhos azuis me olham com ódio, mas consigo ver que não é só isso que ele transmite. Respiro fundo, tentando não demonstrar emoção, mesmo que minha vontade nesse exato momento seja de matá-lo aqui. — De saída, doutora? — ele pergunta com a voz rouca e fria. — Acha conveniente deixar sua advogada esperando? — pergunto sarcástica. — Para isso você será bem paga — ele fala com o semblante fechado. — Agora entre! — Abusado, isso é o que ele é. Só vou porque não quero ouvir meu pai no meu ouvido. — Eu não te queria aqui. — Acredite, nem eu faço muita questão de te defender — falo fria e ele me encara. — Continua a mesma, né, Luna? A língua sempre afiada. — Para você, é doutora Albuquerque. E você continua o mesmo s*******o. Mas vamos ao que interessa, porque quero sair daqui o quanto antes — ele mantém o semblante fechado. — Claro, LUNA — ele fala meu nome bem alto e eu fecho os punhos para não surtar com ele. — Qual é a sua situação aqui? — Presidiário, não está vendo? — Olha, Rafael, acho bom você colaborar. Não quer que eu leve seus abusos para o meu pai, quer? — ele trava o maxilar. — Quem te deu o direito de falar meu nome? — O mesmo direito que você teve de chamar o meu. Agora pare de infantilidade e me fale qual é o nível da sua situação aqui. — Eles desconfiam que eu sou o chefe do comando. — Sabe se tem alguma prova? — Até onde eu sei, não. Mas como me pegaram roubando o banco, não há muita coisa a fazer — ele fala e eu o encaro. — Tem alguma prova de que você realmente assaltou esse banco? — Não exatamente. — Explique-se. — Eu entrei com o rosto tampado, e o carro que levou o dinheiro não era o meu. Mas coincidiu que na hora que saí, eles me viram com a arma na cintura e tudo apontou para mim. Fora que a — ele engole em seco e eu sei de quem ele vai falar. — A Reilaine? — ele confirma. — Ela me entregou a eles, disse que eu sou o chefe do comando e que armei para roubar o banco. Eles acreditaram nela, pois ela era casada comigo, mas nunca houve uma investigação mais profunda — eu presto atenção em tudo que ele diz. — As advogadas que você contratou nunca conseguiram nada? — ele n**a e me olha malicioso. — Normalmente, elas não pensam em me tirar daqui — ele se levanta e vem por trás de mim. Sinto sua respiração no meu ouvido. — Normalmente, elas querem f***r comigo, princesinha — ele fala, me causando arrepios, mas eu me recomponho. — Acho bom você se manter no seu lugar, Rafael. Não estou aqui para ser sua p**a, estou aqui para tirar você deste lugar. Me respeite e se mantenha no seu lugar. — Vai falar que não sente saudades, Luna? — resolvo provocá-lo. — Nunca senti saudades de você, até porque sempre houve homens melhores que você, Rafael. Mas minha vida pessoal não te diz respeito. Semana que vem eu volto para te ver. E se mantenha calado. — Eu vou fazer uma rebelião, doutora, não precisa vir. — Escuta aqui, Rafael — me aproximo dele —, você não vai fazer nada. Vamos à audiência e, se lá você não sair pela porta da frente, aí sim você faz o que quiser. — E quem você pensa que é para me dar ordens, c*****o? — SOU SUA ADVOGADA E NÃO ME FAÇA ARREPENDER DE TER PEGADO O SEU CASO. 200 COMENTARIOS PARA O PRÓXIMO CAPÍTULO.
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