FERNANDA NARRANDO Tava quase dormindo, quando ouvi a voz do Talibã me chamando. Coloquei um vestido rápido, penteei o cabelo que eu tinha lavado, e sai do quarto ouvindo meu estômago roncar. Assim que cheguei na cozinha, ele tava sentado na mesa terminando de comer. — vem cá. E ai como foi?.- ele perguntou e eu respondi sem conseguir olhar pra ele. Falei que tinha ficado com medo, mais que tinha dado certo. Disse que o dinheiro estava com o Coiote e ele concordou. Ia sair dali quando ele perguntou se eu ia comer e eu menti. — Não tô com fome. — Respondi, já virando pra sair. — Tu tem que comer. — Ele continuou. — Eu preciso de tu viva pra pagar a dívida. Fechei os olhos por um segundo. Respirei fundo. Mas não virei. Acho que foi Deus porque eu tava pronta pra falar várias coisas

