Talibã narrando Eu já tava acostumado com o silêncio daquela casa. Mas não era um silêncio bom. Nunca foi. Era aquele tipo de silêncio que pesa. Que lembra. Que cobra. Depois que a Fernanda subiu pro quarto, eu fiquei na cozinha mais um tempo. Terminei de comer na calma, mastigando devagar, sem nem prestar atenção direito no gosto da comida. Minha cabeça tava longe. Sempre tá. Deixei o prato na pia, sem lavar mesmo, e subi. Passei pelo corredor, sem fazer questão nenhuma de ser silencioso. Se ela ouviu ou não, não me importava. Fui direto pra varanda do meu quarto. Ali era o único lugar da casa que ainda dava pra respirar um pouco. Encostei na grade. Olhei pro morro. As luzes espalhadas, o som distante, a vida acontecendo… e eu ali, no meio de tudo, mas ao mesmo tempo completamente for

