Pré-visualização gratuita Prólogo.
Narrador:
A neve cobrindo as ruas de Londres mostrava o quanto aquele inverno estava sendo rigoroso, na janela do carro uma garotinha ruiva olhava as ruas, seu coração acelerado apertava em seu peito por saber o que iria acontecer e estava triste por mais uma vez não ter conseguido ser aceita. Ninguém a queria.
Aconteceu a mesma coisa de sempre, um casal a escolheu para ser a irmãzinha mais nova, eles a levavam para casa e chegando lá o filho ou filha mais velha a tratava m.al, a criança mais velha nunca a aceitava e ao invés dos pais os ensinarem que era errado o que faziam, eles só colocavam a pequena Amélia dentro do carro e lá ia a pequena para o orfanato novamente. Ela estava cansada desses casais de ricos irem até lá, se “encantam” por ela e depois de um mês a descartava como um objeto nas mãos das madres que cuidavam do orfanato, ela queria ser como as crianças que iam com suas novas famílias e não retornavam mais.
O carro parou em frente ao orfanato e a pequena Amélia pôde ver a madre Celeste em frente a porta de entrada, ela tinha um pequeno sorriso no rosto e ao ver Amélia saindo do carro ela tentou disfarçar a cara de tristeza. A madre Celeste sempre ficava muito feliz toda vez que uma das suas crianças iam para um lar, mas ela sempre ficava triste por Amélia, a pequenina merecia um lar feliz e amoroso, a madre não sabia o porque de todas as famílias desistirem da garotinha, ela era doce, educada e muito carinhosa, mas os casais que iam ali procurava status, procuravam uma criança para fazer parte da imagem de família perfeita e a sorte é que sempre eram cuidadosos com as crianças que eram levadas. Mas com a pequena Amélia era diferente.
— Bem-vinda de volta, minha pequena Amélia! — Celeste sorri para a menina.
— Olá madre! Vou ficar no mesmo quarto? — A garotinha de sete anos perguntou.
— Sim, minha querida. — Celeste sorri para ela. — Não quer se despedir do senhor e da senhora Smith?
— Não quero senhora, quero arrumar minhas coisas de volta no quarto. — Ela sorri para a madre e então entra no orfanato seguindo para o quarto que sempre foi seu.
— Ela deve estar um pouco magoada, afinal ela e Drake não se adaptaram. — A mulher diz ao lado de seu marido. — Mas gostaríamos de conhecer outras crianças. — Ela diz andando para a entrada do orfanato mas é parada pela madre.
— Para novas visitas vocês precisam contatar a assistente social primeiro. — A madre diz simpática. — E existe uma política, como vocês estão devolvendo uma criança neste local, a assistente social deve encaminhar vocês para outro orfanato, afinal nossas crianças não chamaram a atenção de vocês.
— Mas há outras crianças por aqui, só precisamos de alguma que se dê bem com nosso filho. — O homem alto diz de forma arrogante.
— Aqui é um orfanato senhor, não uma loja que podem devolver um produto e pegar outro no lugar. — A madre diz séria. — São crianças, com sentimentos e que esperam por um lar feliz.
— Meu marido não quis dizer neste tom, madre. — A mulher diz sorrindo. — Só gostaríamos de alguém para fazer companhia para nosso querido Drake.
— E vocês perguntaram para o seu filho se ele quer companhia? Pois pelo pequeno hematoma perto do olho de Amélia mostra que talvez o seu filho não queira uma companhia.
— Aquilo foi um pequeno acidente. — O homem diz fazendo pouco caso. — Coisas de crianças.
— Coisas de crianças ou não, essa informação vai para o relatório para a assistente social e vocês vão ser encaminhados para outro orfanato. — A madre diz. — Então terminamos por aqui, tenham um dia abençoado!
Dentro do orfanato a pequena Amélia arrumava suas coisas na gaveta da cômoda, seu casaco de inverno estava pendurado atrás da porta e sua mala no cantinho do quarto, depois de um certo tempo as madres do orfanato acharam que seria bom Amélia ter o quarto só para ela, já que as meninas que ela dividia já haviam sido adotadas e a garotinha era mais reservada, mas isso não quer dizer que ela não tinha amigos ali.
— Toc-toc! — A voz de Celeste faz com que Amélia tire a atenção do que estava fazendo e olhe em sua direção. — Já arrumou tudo?
— Sim, madre! Eu arrumo rápido. — A pequena se sentou em sua cama e logo a madre estava sentada em sua frente.
— O que aquele garoto fez com você? — Celeste perguntou se referindo ao roxo no canto do olho da menina.
— O filho deles não gostava de mim, ele acabou me empurrando da escada e uma das empregadas viu. — Amélia diz. — Acho que foi por isso que decidiram me trazer de volta.
— Ouça Amélia, caso isso aconteça de novo, eu quero que você se defenda! — Celeste olha no fundo dos olhos da garotinha. — Não deixe que alguém machuque você, nunca! Se for preciso se defenda, pois você é brilhante e vai se tornar uma pessoa incrível no futuro, seu coração é bom e és talentosa.
— Mas madre, a senhora acha que ainda vão me querer?
— Deus está guardando uma família perfeita para você, lembra do que já falei para você sobre esses empecilhos?
— Deus só coloca em nossa vida aquilo que podemos suportar. — A garotinha diz. — Então, se tentarem me machucar, posso me defender? Mas eu não tenho que ser boazinha?
— Se defender não vai te deixar menos boazinha. — Celeste diz. — E isso vale para a vida, Amélia, jamais deixe que diminuam você e a diga que você é capaz de tal coisa. — A madre faz um carinho no rosto da menina. — Você é capaz de fazer o que quiser!
Amélia foi adotada três meses depois, o casal havia levado a filha mais velha e a menina fez amizade com Amélia no mesmo segundo, o casal não era rico, mas eram trabalhadores e tinham uma boa vida, a mulher infelizmente não pôde mais engravidar depois da primeira filha e com isso a família se alegrou em adotar uma criança que precisava de uma família.
Pela primeira vez, Amélia chorou ao se despedir de Celeste, no fundo do seu coração ela sabia que desta fez estava na família certa, os Albrecht era muito animados e carinhosos, Camilla a filha mais velha do casal fez questão de ajudar Amélia a arrumar seu quarto.
Com o passar do tempo Amélia e Camilla se tornaram inseparáveis, viraram melhores amigas e sempre que Amélia ia visitar a madre no orfanato, Celeste agradecia a Deus pela família boa que apareceu na vida da garota.
Então verões, primaveras, invernos e outonos se passaram, aniversários foram comemorados, a formatura no colegial e na universidade foram festejadas, até chegar o momento que as duas irmãs decidiram ser independentes e foram morar em um apartamento em Boston, onde elas iriam viver as dificuldades da vida adulta, onde Amélia precisava de um trabalho e iria conhecer o ser mais insuportável que poderia existir.
“Vaga de Secretária
Salário $4.000,00 dólares.
Local: Angel’s Company.
Interessados mandar o currículo para o e-mail:
modelscompanyRaul@xmail.com”
“E-mail enviado com sucesso.”