almoço

992 Palavras
Passaram-se alguns dias desde aquela noite no quarto. A rotina da fortaleza continuava pesada, cheia de regras e vigilância constante. Alessando era implacável com todos, mas com Lívia… havia uma linha que ele tentava não cruzar com brutalidade, ainda que continuasse firme e dominante. Naquela manhã, ele entrou no quarto dela sem aviso. Nas mãos, carregava um vestido preto longo e um par de saltos altos. Colocou-os sobre a cama, de forma calculada, sem qualquer sorriso, sem gentileza. — Se arruma — disse, a voz grave e direta — Fica bonita, cheirosa. Vamos sair. Lívia engoliu em seco, o corpo tenso. Ela não perguntou para onde iriam, nem discutiu. Alessando não fazia pedidos, fazia ordens. — Agora — ele completou, atravessando o quarto com passos firmes. O silêncio era pesado, carregado de poder e controle. Ela pegou o vestido e os saltos, sentindo o peso da situação. Vestiu-se rapidamente, cada movimento sendo avaliado pelos olhos escuros de Alessando que nunca desviavam dela. Ele não falava nada, não sorria, apenas observava, implacável, testando a obediência e disciplina dela. Quando terminou, levantou-se, alinhou o vestido, e ficou parada diante dele, esperando instruções. Alessando se aproximou, mediu-a com os olhos do topo da cabeça aos pés, e finalmente acenou com a cabeça: — Tá bem. Agora vamos. Ela assentiu, consciente de cada passo que dava, sabendo que qualquer deslize poderia provocar a ira dele — mesmo que com ela ele tentasse não ser c***l demais. Cada gesto, cada olhar, carregava tensão, medo e o peso absoluto do poder dele. Enquanto caminhavam pelo corredor da fortaleza, Alessando na frente, Lívia atrás, o ar parecia carregado de algo silencioso, perigoso, uma química contida que nem ele conseguia ignorar. Mas não havia gentileza, não havia romance declarado. Havia apenas ele, o gangster implacável, e ela, a garota que aprendera a obedecer e sobreviver sob seu olhar intenso. E naquele momento, cada passo que davam juntos era um lembrete de quem mandava, de quem controlava, e de que ela estava, de fato, sob o domínio de Alessando Cardoso. O carro preto deslizou pelas ruas silenciosas, o motor baixo e pesado ecoando no ambiente noturno. Alessando olhou para ela, voz grave e firme: — Atenção… você é minha namorada, tá? — disse, cortando qualquer hesitação — Não fale muito. Responda só o necessário. — Tá bom — respondeu ela, a voz calma, mas com o coração acelerado. O carro parou diante de uma mansão imponente, cercada por jardins bem cuidados e luzes que iluminavam a fachada de pedra. Alessando desceu primeiro, abriu a porta para ela, e indicou que saísse. Os portões se abriram, e logo que entraram, Lívia percebeu o cuidado e a riqueza do lugar. Mas antes que pudesse pensar em qualquer outra coisa, um casal de senhores apareceu para cumprimentá-la. — Que prazer recebê-la! — disse a senhora, elegante, os cabelos grisalhos presos com cuidado. — Que menina linda! Alessando tem muito bom gosto! — Sim, realmente muito bem escolhida — completou o senhor, sorrindo com simpatia, mãos cruzadas à frente do corpo, olhando para ela de forma acolhedora. Lívia sorriu levemente, mantendo a postura educada e discreta, respondendo apenas o necessário: — Obrigada… é um prazer conhecê-los. Alessando ficou ao lado dela, mãos na cintura, postura firme e imponente. Seus olhos escuros observavam cada gesto dela, avaliando se ela cumpria as regras que ele estabelecera: educada, controlada, obediente. Ela desempenhava o papel de simpatia perfeitamente, mas sem se abrir demais, mantendo a linha exata que ele exigia. — Vejo que Alessando realmente tem bom gosto — disse a senhora, sorrindo de forma calorosa. — Mas você parece tímida… não se preocupe, estamos felizes em tê-la aqui. Lívia assentiu, mantendo o sorriso leve: — Obrigada, senhora. Alessando permaneceu em silêncio, mas seu olhar dizia tudo: ela está sob meu controle, mas por enquanto, faz tudo certo. A tensão entre eles era palpável, mas não havia romance declarado. Ele era o gangster implacável, e ela a garota que obedecia, se mantinha segura e sabia exatamente o que podia dizer e fazer. Enquanto eles caminhavam pela mansão, os avós conversando, cumprimentando e elogiando discretamente, Alessando continuava a liderança silenciosa, o poder e a autoridade dele dominando cada passo, cada gesto de Lívia, enquanto ela aprendia a jogar o jogo sem perder a própria segurança. O dia avançou e, após a recepção formal, Alessando conduziu Lívia à sala de jantar da mansão. A mesa estava impecavelmente posta, pratos sofisticados, talheres de prata e uma variedade de comidas que denotava riqueza e cuidado. Alessando permaneceu ao lado dela, firme, observando cada gesto. Ela se sentou, mantendo a postura que ele esperava: educada, contida, pronta para obedecer. Quando olhou para a salada, seu coração disparou. Pequenos pedaços de camarão e champignon estavam misturados, e ela sabia que isso era um perigo real: era alérgica. Ela respirou fundo e falou baixinho, quase sussurrando, sem querer chamar atenção demais: — Eu… eu sou alérgica a camarão e champignon… — disse, olhando rapidamente para ele. — Se eu comer… posso morrer. Alessando a observou por um instante, olhos escuros e penetrantes, a mandíbula rígida. Ele não sorriu, não fez piada, não suavizou a voz. Apenas falou firme, direto, controlando a situação: — Então não come — disse, simples e seco. — Eu não vou permitir que você se coloque em perigo. Ela assentiu, aliviada, sentindo que mesmo na dureza dele havia controle sobre o risco. Ele não demonstrou afeto, não disse palavras doces, mas a mensagem era clara: ninguém tocava nela de forma que pudesse machucá-la — nem mesmo um prato de comida. Os avós dele, sentados à mesa, não perceberam o pequeno drama que se desenrolava entre eles. Ela se manteve calma, pegando outro prato, evitando qualquer coisa que pudesse desencadear sua alergia. Alessando, ao lado, continuava rígido, mas atento. Cada gesto dela era medido, cada movimento observado, como se dissesse silenciosamente: não erro contigo, mas também não te trato como qualquer outra pessoa.
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