Enquanto o almoço seguia, a avó dele, Isavéis, olhou para Lívia com um sorriso caloroso:
— O que aconteceu, querida? Não quis comer a salada? Tá uma delícia!
Lívia sorriu, mantendo a postura educada e contida, como Alessando esperava:
— Ah, senhora… é… não estou fazendo desfeita, de forma alguma. — respondeu, delicada — Realmente tá com uma cara ótima, mas eu sou alérgica a camarão e champignon, por isso não comi a salada.
O olhar da avó suavizou, e Alessando, de pé ao lado dela, observava cada gesto.
— Poxa, deixa eu fazer outro tipo de salada, posso pedir para a funcionária preparar rapidinho — disse a avó, preocupada.
— Não, senhora, jamais — respondeu Lívia, firme e educada — Tá tudo ótimo, muito obrigada.
Ela sorriu levemente, e Alessando percebeu cada movimento, cada detalhe. Observou como ela seguia todas as regras dele, mas ainda se comportava com simpatia e cuidado diante dos avós, sem exageros, sem se expor demais.
Ele permaneceu rígido, mãos cruzadas, postura imponente. Não demonstrou afeto, não sorriu, mas por dentro… algo mexia com ele. Ele já sabia: estava preso àquele olhar, àquela presença, mas não iria admitir, nem deixar transparecer.
— Ela está fazendo tudo certo — pensou ele, fixo nela — obediente, respeitosa, educada… e ainda assim… impossível não notar.
O silêncio entre eles se manteve enquanto o almoço continuava. Alessando não precisava falar nada; cada gesto de Lívia, cada movimento, cada pequena demonstração de simpatia contida reforçava para ele que ela sabia jogar o jogo sem quebrar regras, e isso o fascinava, mesmo que ele continuasse mantendo o papel de durão, c***l e implacável para todos os outros.
E naquele instante, mesmo sem nenhuma palavra carinhosa, Alessando percebeu que a presença dela mexia com ele mais do que qualquer outro na sua vida dura e violenta, mas ele continuaria firme: durão, controlador, implacável… pelo menos em aparência.
Mais tarde, enquanto o dia ia passando, a avó dele se aproximou:
— Meu filho, eu quero conversar um pouquinho com a jovem, tá?
Alessando ergueu uma sobrancelha, surpreso:
— Tem certeza, vovó?
— Sim, meu filho — respondeu ela, firme — Quero conversar um pouquinho com ela. Aproveita e conversa com sua avó, seu avô queria falar com você antes.
— Tá bom — ele disse, olhando para Lívia — Já volto, tá?
— Tá — ela respondeu, com um sorriso contido, assentindo.
As duas foram para o jardim. Lívia sentou-se com postura perfeita, mantendo a calma, calculando cada palavra, cada gesto. Conversava como se fosse a namorada ideal, mostrando respeito, admiração e uma leve simpatia que encantava qualquer observador. Seu sorriso era natural, encantador, e cada palavra parecia medida para impressionar sem exageros.
De longe, Alessando observava, os braços cruzados, a postura rígida, mas os olhos atentos. Ele não admitiria, não mostraria nenhuma emoção, mas o que via mexia com ele de forma silenciosa, quase imperceptível.
Enquanto isso, a avó se aproximou dele, com um sorriso astuto:
— Você tá apaixonado, né, meu filho? Só não quer demonstrar.
— Vovô… eu? — ele respondeu, a voz firme, tentando esconder qualquer reação,corrigindo com um gesto — Eu gosto dela, mas…
— Mas você tá apaixonado, meu filho. Eu te conheço. Você é durão…
— Ah… você tá apaixonado por ela — disse a avó, sorrindo — Ela parece ser uma mulher muito boa. Além de ser linda… os olhos azuis são marcantes, os cabelos loiros… parece que ela foi feita sob medida para você, Alessando.
Ele respirou fundo, tentando manter a postura firme:
— Meu filho, seu avô tá velho, mas ainda enxerga bem. E essa jovem é linda, maravilhosa. O corpo dela é lindo. Você deve ficar louco, né?
Alessando desviou o olhar, apertando levemente os lábios:
— Vovô, por favor, o senhor me deixa constrangido…
O avô riu, batendo no ombro dele:
— Ah, meu filho, que constrangido oque rapaz!
Alessando esboçou um sorriso curto, contido, mas seus olhos voltaram rapidamente para Lívia, que continuava no jardim, encantadora, calculada e obediente.
— Olha, gostei muito de conhecer ela e a sua avó também — disse o avô, sorrindo — Dá pra ver, né? Sua avó sente muita falta de conversar. Sua irmã quase não vem aqui. Vê ela, traz essa menina mais vezes. Sua avó gostou dela.
— Vou trazê-la, vovô — Alessando respondeu, firme, mantendo seu papel de durão, mas silenciosamente atento à presença de Lívia, sentindo a tensão silenciosa que ela provocava nele.
No jardim, entre risos e conversas calculadas, Alessando observava. Ela sorria, falava pouco, mas era perfeita no papel que precisava desempenhar. Ele sabia que não podia demonstrar nada, mas algo dentro dele se mantinha em alerta, fascinado por cada gesto dela, sem jamais permitir que alguém percebesse.