– Está tudo bem? – Perguntei chamando sua atenção novamente para mim.
– Está. – Ela respondeu incerta. – Eu acho melhor eu ir.
Ela tentou se levantar para sair, mas eu não podia deixar ela ir. Agora que eu finalmente consegui um tempo a sós com ela. Segurei seu pulso num gesto desesperador.
– Por favor, fique mais um pouco. – Implorei. – À propósito, eu queria me desculpar por... Você sabe... ‐ Fiquei sem graça. – Todo o sexo e as palavras que eu não deveria ter dito. – Ela olhou para mim e depois em volta, antes de suspirar e se acomodar novamente no mesmo lugar. – Então eu queria ficar um pouco mais na sua presença, mesmo que você não seja a pessoa que roubou o meu coração, mesmo que um dia tenha sido... – Sussurrei a última frase envergonhada, mas não pude evitar o sorriso vitorioso que surgiu no meu rosto. Camila aceitou ficar aqui comigo.
Ficamos as duas quietas até ela quebrar o silêncio.
– O que aconteceu hoje?
– Sobre?
– O humano.
Ah isso. Eu podia dizer parcialmente a verdade e não toda ela. Não estaria mentindo só omitindo uma parte dela.
– Bom, eu estava caçando e descuidadamente deixei que o sangue humano me controlasse.
Fiz careta.
– Não é tão r**m assim se alimentar de humano. – Camila tentou se defender.
– E eu realmente não me importo que você se alimenta deles. Só que eu não consigo.
– Por que?
– Porque não quero ser um monstro.
Camila se mexeu inquieta e por fim disse num tom quase inaudível para mim mesmo.
– Eu sou um monstro?
Arregalei os olhos e virei desesperado para sua direção.
Ela tinha os olhos fechados, mas as expressões do rosto eram torturadas. Levantei-me apressadamente e agachei ficando de frente para ela e colocando minhas mãos em volta do seu delicado rosto.
– Camz, por favor, olhe para mim. – Implorei desejando arduamente que ela me obedecesse. Para minha sorte, ela fez o que eu pedi e abriu-os.
Gemi internamente por ver a magoa contidos neles.
– Preste atenção. Eu só falei de mim isso, porque eu posso ler a mente dos outros e sempre que me alimentava dos humanos eu via minha própria expressão causar-lhes o medo que jamais sentiram antes. – Comecei a explicar.
Esfreguei meu polegar nas maças do seu rosto.
– Camila, você jamais poderia ser comparado com um monstro. Você é o mais belo anjo que veio me salvar. Me salvar de mim mesma e principalmente me mostrar e me ensinar o que é o amor. – Sorri. Talvez fosse demais dizer pra ela tudo de uma vez meus sentimentos, mas sentia que esse era o momento certo. – Mesmo com o passar desses anos que passei longe de você, meu amor não diminuiu por nenhum segundo. Sempre me mantive ali acreditando que um dia eu a reencontraria mesmo que não fosse nessa vida. Eu sabia que uma hora ou outra eu te encontraria. E alguém lá em cima deve ter ouvido minhas preces, o meu desespero, pois me trouxe você de volta. Te amei desde a primeira vez que te conheci há quase seis anos atrás e te amei a primeira vez que a te reencontrei dias atrás. Não importa o que você faça, pode até tentar me afastar, me ignorar, me bater. – Ri. – Ou até dizer que me odeia, mas eu nunca desistirei de você e farei o que for preciso para tentar te reconquistar mais uma vez!
Abri meu coração para ela. Disse tudo o que estava guardado dentro de mim. Eu não esperava que ela me beijasse e dissesse que me amasse, eu só esperava que ela acreditasse nas minhas palavras.
Camila nada disse. Apenas ficou ali parada me olhando.
Eu precisava tentar, pode ser que eu esteja precipitada por tentar dar um passo a mais que eu devia, porém eu precisava arriscar só assim eu saberia que pelo menos tentei e não desisti como um covarde.
Talvez ela me bateria pelo que eu estava planejando fazer as chances disso acontecer eram altas, mas quer saber: Que se f**a!
Segurei Camila pela nuca e a beijei. Senti seu corpo travar na hora, no entanto em nenhum momento pensei em me afastar deixaria isso para decisão dela.
Sentir a maciez dos seus lábios nos meus depois de tudo aquilo era a melhor coisa do mundo. Nunca imaginei que conseguiria isso, pelo menos não tão cedo após o desastre do sexo na varanda. Parecia que a qualquer momento eu iria acordar de um sonho e ver que nada era verdade.
Mas se fosse um sonho eu lutaria para nunca mais acordar.
Camila não se afastou de mim, mas também não correspondeu. Ela parecia uma estátua, então decidi que eu devia continuar. Lentamente fiz movimentos suaves na boca ditando um ritmo para o nosso beijo. Camila estava hesitante no beijo e essa percepção me fez perceber algo. Pela sua maneira e sua atitude eu achava, achava não eu tive certeza que durante esses anos ela nunca beijou algum vampiro.
Ela não teve ninguém assim como eu não tive.
Tive vontade de gargalhar de felicidade, mas me controlei. Camila provavelmente acreditaria que eu estava rindo dela. Com a felicidade e a euforia que estava sentindo dentro de mim a beijei com todo amor que podia demonstrar. Era como se ela nunca tivesse beijado ninguém, porém ela aprendia muito rápido. E assim, seus lábios habilidosos se moviam em sincronia com os meus.
Num beijo perfeito.
Ela me beijou de volta!
Fui terminando o beijo aos poucos. Eu não podia continuar por muito tempo eu ainda sentia desejo enorme por ela, não podia me arriscar e avançar a situação. Os sentimentos dela era mais importante que tudo para mim. Quando tentei me afastar. Surpreendentemente Camila me puxou para si. Beijando-me ferozmente.
Sorri da sua atitude. Era ela quem estava me beijando desse jeito e não eu, então nada mais justo que eu corresponde-lo. Puxei Camila para cima de mim nos deitando no chão. Eu não poderia ficar com ela até o final quando nossas roupas estivessem jogadas pelo chão e nossos corpos enroscado um ao outro, novamente. O que ela pensaria?
Merda! Gemi só de imaginar a cena que costumávamos a fazer repetidamente anos atrás.
Eu tinha que me controlar antes que fizesse uma burrice.
Aos poucos eu fui cessando o nosso beijo. Eu olhei para seus olhos assim que ela os abriu. Acho que ambos estávamos com os olhos escurecidos pelo desejo, porque tenho certeza que meus olhos estavam tão negros quanto os dela.
Camila imediatamente arregalou os olhos como se finalmente desse conta do que estava acontecendo e saiu de cima de mim apressadamente.
– O que foi isso? – Ela perguntou meio aturdida.
– Um beijo.
– Eu sei, mas por que me beijou?
Depois dessa eu tive que rir.
– Você me agarrou logo em seguida.
– Eu não. – Ela fechou a cara. – Você me pegou de surpresa!
Gargalhei. Eu posso ter agarrado, mas quem não quis interromper o beijo foi ela.
Senti a neve sendo jogada na minha cara antes delas se levantar e sair pisando duro.
– Aonde você vai? – Gritei mesmo, desnecessário.
– Para longe de você! – Ela gritou irritada de volta.
Como nos velhos tempos.
– E vai ignorar o que aconteceu aqui? – Falei enquanto me levantava e seguia ela. – Mais uma vez?
– Não aconteceu nada!
– Claro que sim. – Rebati. – Da mesma forma que dias atrás o meu corpo agraciou o seu no pátio da nossa casa, Camz? – Ela se virou para mim irritada, mas dentro do seus olhos pude ver o medo que estava sentindo.
– O que aconteceu?
– Nós nos beijamos! – Eu disse lentamente mostrando o obvio.
– E daí? – Camila não demonstrou nenhum interesse. Seu desprezo me machucou, mas conhecendo ela, sabia que estava na defensiva. Então eu não desistiria dela.
– Vai dizer que não sentiu nada aqui dentro? – Apontei para o meu coração enquanto me aproximava lentamente dela. – Pois eu senti, senti como se estivesse viva novamente. Você me faz sentir algo que nunca senti antes. O carinho e o amor por você não tem limites e eu sei Camila... – Parei na sua frente seu rosto a centímetros do meu. Seus olhos se encontravam profundamente com os meus. – Que no fundo, lá no fundo você sente algo por mim também. Por isso sempre foge quando ficamos sozinhas.
– Você não sabe o que eu sinto. – Ela sussurrou.
– Não? – Puxei-a pela cintura mais próxima de mim. – Pois acho que eu sei, não sente como se seu coração pudesse voltar a bater novamente a qualquer instante? A vontade de me ver o tempo todo mesmo me evitando? As reações estranhas no seu corpo quando estou perto assim de você? O sentimento de medo por sentir o desconhecido? E a sensação boa quando está perto de mim? – Ela me olhou levemente surpresa. – Sabe como eu sei disso tudo? É porque eu sinto exatamente o mesmo.
Camila me observava atentamente sem dizer uma palavra.
– Você, Camz, é minha companheira!
– Não. – Ela sussurrou dando um passo para trás.
Senti meu peito doer com sua rejeição.
– Não faça isso comigo novamente, Camila. Com nós. – Implorei. – Você não se lembra agora, mas ouça seu coração você vai saber a verdade.
– Eu preciso... Eu preciso de um tempo para entender tudo isso!
– Você me prometeu uma vez que lutaria sempre por nosso amor.
Camila olhou para o céu pensativa. Se pensou em dizer algo, desistiu dando as costas para mim mais uma vez. Ela ainda ia fugir depois de tudo que eu disse? Minhas palavras não significaram nada?
Camila parou no lugar.
– Lauren... – Ela me chamou virando levemente na minha direção. Camz levou sua mão até o pescoço e de lá puxou seu colar. Não entendi o que ela estava querendo fazer, mas a compreensão tomou lugar quando vi o objeto circular cintilando preso na corrente. – Eu estou lutando. – Ela disse abrindo um pequeno sorriso no rosto e guardando novamente a aliança que lhe dei um dia. .Ela se virou indo embora, mas diferente das outras vezes. Ela não me deixou com uma sensação de vazio, mas de esperança.
Sorri ao perceber que nem tudo estava perdido.