Arrependimentos

1178 Palavras
EDU -Mas…e agora? Está claro que nós dois temos algum sentimento maluco um pelo outro, o que vamos fazer? Ignorar e seguir como se nada tivesse acontecido? - ela me perguntou confusa. -Você sabia que fui convidado a não ir mais visitar vocês?- respondi tentando ser coerente e não levado pelos meus instintos. -Não, mas…espera, foi por minha causa?- ela me olhou assustada se levantando do sofá. -Só porque você disse para os seus pais que queria casar comigo quando fosse adulta…seu pai surtou… o que acha que ele vai fazer se souber que eu te beijei? -Ele vai querer te matar.- ela deduziu.- ele é muito ciumento, foi pai muito cedo né, aos 17. -Pois é… só que quando estou perto de você eu não penso direito. Achei que ia conseguir manter distância quando seu pai me pediu para você ficar aqui em casa, mas confesso que está muito difícil. -Esta tudo errado Edu, mas gostei de ouvir isso. - ela acariciou meu rosto- Mesmo assim, tem razão, temos que manter distância. -Não chora, você acaba comigo, Carol. Isso tudo é minha culpa, fui inconsequente.- eu a abracei, ela encostou a cabeça no meu peito. -Pois eu faria tudo de novo.- ela olhou para mim. -Você se tornou uma mulher incrível, pirralha.- eu baguncei seu cabelo. -Também gostei dessa sua versão, tio Edu.- ela sorriu, mas estava triste quando se afastou do meu abraço- O que fazemos agora? -O melhor e mais coerente é tentarmos esquecer, uma hora deve passar, você vai conhecer alguém e…- senti uma pontada no meu peito ao imaginar ela com outra pessoa. -Você está certo- ela falou com tristeza mudando de assunto- acho que já está se sentindo melhor né? Sem febre também. -Estou sim. Estou bem.- eu disse enquanto ela mexia no celular olhando alguma coisa. -Nesse caso acho melhor eu ir para as aulas da tarde e noite,vi aqui os horários e ainda dá tempo.- Ela disse tentando não olhar para mim. -Tudo bem, peço uma pizza quando você voltar, ainda gosta de calabresa e Califórnia com chocolate?- perguntei me lembrando do gosto dela de quando era criança. -Você lembra! Ela disse feliz.- seus olhos brilharam. -Mas é claro, eu implicava com você por causa disso, não lembra? -É mesmo- ela riu indo para o quarto e pegando sua mochila. - eu já vou então, tio. -Tá bom pirralha.- A alcancei antes que saísse lhe puxando para mim e lhe dei outro abraço. -Assim fica difícil.- ela reclamou com a respiração pesada e os olhos com um brilho diferente mordendo os lábios e olhando para a minha boca. -Eu sei.- falei com a voz fraca. Então dei um beijo no topo da cabeça dela.- vai logo antes que… -Antes que o que, tio?- ela provocou. -Antes que você pegue um resfriado de ficar tão perto de mim. - eu brinquei. -Faz sentido.- ela disse, e então me deu um selinho.- beijo de sobrinha, tá? -Aham- eu disse com um sorriso bobo vendo ela sair. Então no mesmo instante, entrou meu amigo Jordan. -Aquela era ela? Digo, a moça que passou por mim era sua sobrinha?- ele me perguntou. -Sim.- falei cansado. -Agora tudo faz mais sentido para mim, ela realmente é muito… -Cuidado com as palavras, você está falando da minha sobrinha, cara.- eu falei em tom ameaçador. -Muito bonita- ele se corrigiu antes que eu lhe desse um soco no nariz.- isso realmente justifica você sair na chuva sem carro no meio da noite…e eu aqui preocupado. -Só peguei um resfriado, mas tô bem, obrigado. -Eu trouxe seu carro- ele me jogou as chaves- agora vou treinar, quer ir? -Não, prefiro descansar pra me recuperar desse resfriado.- eu disse espirrando novamente. ***CAROL*** Procurei focar nas aulas e não pensar mais no Edu, pelo menos até a noite quando teria que ficar perto dele e ser forte, ele tinha razão, meu pai jamais aceitaria saber que houve alguma coisa entre eu e o irmão de consideração dele. Como eu estava cansada, não houve muita conversa quando voltei para o apartamento, tomei um banho enquanto ele pedia a pizza, depois comemos conversando sobre as aulas que tive e sobre a prova do dia seguinte, depois já fui dormir…diferente do que imaginei, não demorei muito para pegar no sono. No outro dia fui cedo para o vestibular e de tarde só passei no apartamento pegar minhas coisas, Edu não estava pois ele tinha um evento para fotografar então fui rapidamente para a rodoviária. Antes que eu entrasse no ônibus ele apareceu, estava ofegante como quem veio correndo e olhou para mim aliviado quando percebeu que eu ainda não tinha ido. -Eu tinha que me despedir de você.- Tive a impressão de que ele ia chorar a qualquer momento, mas porque? E pior, porque eu estava com vontade de chorar tambem quando o vi? Joguei minhas malas no chão e corri para ele, ele me segurou com força em seus braços e escondeu a cabeça no meu pescoço cheirando meus cabelos, parecia querer guardar com ele o meu perfume. - Obrigada por me hospedar.- Eu disse triste me afastando dele e mesmo que eu quisesse evitar, uma lágrima escorreu. - Eu… queria que tudo fosse diferente Carol, mas não podemos. - Vi que ele estava engolindo seco. - Seja muito feliz, tá? - Vou me esforçar, mas agora o meu nível de exigência em relação aos garotos está muito alto, sabe. - Tentei brincar. - Que nada… - Ele tentou argumentar. - Eu acho que gosto mesmo de você.- Eu confessei triste.- Não sei se terá espaço na minha vida para outra pessoa, Edu. - Não faz isso, Carol, não me faz… - ele parou por um momento e então passou por mim, pegou minhas malas e me puxou pela mão.- vem comigo. - Espera, o ônibus ja chegou eu preciso ir… - Eu vou te levar de carro.- Ele disse resoluto. Eu puxei a minha mão da dele. - Não tio, se isso precisa mesmo acabar, é melhor não prologar meu sofrimento, melhor arrancar logo o curativo e deixar a ferida cicatrizar por si- Tentei ser madura. Ele chegou perto de mim, segurou meu rosto de forma apaixonada e disse. - Você tem razão, amor, mas olha bem nos meus olhos agora, quero que você saiba que eu nunca vou esquecer o que houve e que esta sendo muito difícil deixar você ir. - Queria que tivesse algum jeito.- Chorei encostando a cabeça no seu peito, ele acariciou meus cabelos soltos e tão armados como daquela personagem do desenho Valente da disney, exceto por ser castanho e não ruivo. - Quem sabe o que o futuro nos reserva, não é?- ele falou tentando se convencer disso. - As reuniões de família nunca mais serão as mesmas.- Eu sorri fraco. - Seu ônibus vai sair, Tchau Pirralha.- Ele disse triste. -Tchau, tio.- entrei no ônibus e não olhei para trás até que quando o ônibus partiu eu olhei pela janela e o vi secando as lágrimas dos olhos com as costas das mãos.
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