Acordei antes que o sol terminasse de escalar as janelas altas da Suíte Valguarnera. O silêncio do Palazzo era diferente naquela manhã; não era o silêncio de museu - tumba - de sempre, mas um silêncio pesado, como se as paredes de pedra estivessem processando a violência da noite anterior. Virei-me devagar no colchão. O lado de Dante estava vazio, os lençóis esticados e frios. Ele sempre levantava cedo, como se o sono fosse uma fraqueza que ele não podia se permitir, mas hoje o vazio parecia mais extenso. Levei a mão à testa, exatamente onde a dele tinha encostado. Eu ainda podia sentir o fantasma do calor dele, a vibração da voz dele rosnando que ninguém além dele tinha o direito de me tocar. Levantei-me e caminhei até o espelho. Eu não parecia a mesma garota que saiu de Trapani, muito

