O vestido estava estendido sobre a cama como uma pele que eu precisava vestir. Não era uma roupa; estava mais para uma fantasia. Um vestido longo de seda cor de vinho, escuro como o Nero d'Avola que eles colheram, com um decote que Viviana certamente aprovou, mas que me fazia querer cruzar os braços sobre o peito antes mesmo de vesti-lo. Fui até o espelho. O banho demorado tinha tirado a sujeira grossa da cozinha, mas não tudo. Olhei para as minhas mãos. As pontas dos meus dedos ainda guardavam sombras escuras, manchas teimosas da seiva das carciofi que nem a escova mais dura conseguiu remover. E havia pequenos cortes, linhas vermelhas finas na palma da mão, marcas da faca e do trabalho. Eram mãos de criada em uma fachada de senhora. Passei a maquiagem com cuidado, lembrando das

