O portão do Palazzo Rossi se fechou atrás de nós, engolindo o barulho da cidade e nos devolvendo ao silêncio de pedra da nossa prisão de luxo. Assim que o carro parou no pátio interno, a figura esguia e impecável de Carmelo Quattrocchi desceu os degraus de mármore. O maggiordomo parecia não envelhecer e não dormir. Ele estava sempre lá, com a coluna ereta como um cabo de vassoura e o uniforme sem um único vinco, como se fosse parte da arquitetura do prédio. Ele abriu a porta para mim antes que o motorista pudesse se mover. — Bentornati a casa, Signori (Bem-vindos de volta à casa, Senhores) — disse ele, com aquela reverência curta e eficiente que eu começava a achar fascinante. O cara parecia saído de um filme. — Grazie, Carmelo — respondi, descendo do carro. Minhas pernas agradeceram

