Olivia Hayes Acordei sentindo o mundo girar, o gosto metálico do medo secando minha boca. Meus pulsos ardiam, presos por cordas ásperas que escavavam a pele, e meus olhos ardiam, tentando se ajustar à penumbra de um lugar que tinha cheiro de ferrugem, poeira e pânico. Estava deitada sobre um chão gelado, umidade penetrando na roupa, os ombros doendo pelo desconforto da posição. Por alguns segundos, tudo o que ouvi foi o som abafado do meu próprio coração. Minha cabeça latejava, uma mistura de confusão, medo e raiva correndo por minhas veias. A última lembrança era de passos ecoando no galpão, vozes sussurradas, uma mão grosseira em meu braço e, logo depois, escuridão. Um vulto. Lembro de um vulto passando por mim, um cheiro desconhecido de cigarro e alguma fragrância masculina — não era

