Henrique.
Estava no trabalho, e exausto.
Quero me aposentar.
Alguém bateu na porta mas antes que eu pudesse dizer algo a mesma foi aberta.
Era Ju, sem café em mãos graças a deus.
- desculpa encomodar mas tem um cliente que está ligando a dias, o senhor quer atendê-lo hoje? - penso, olhando pro relógio no pulso.
- hoje não dá, daqui a pouco preciso ir buscar Maria. - por um segundo Ju fez uma expressão, mas logo concordou e se retirou.
Se tem ciúmes da Maria comigo, não posso fazer nada.
Mas sai da sala pra pegar uns papéis, subi pro próximo andar de reunião e o sol tava forte lá fora e mesmo entrando pelas paredes de vidro, não estava quente aqui.
- ah, me desculpa. - Ju.
- só vim pegar uns papéis. - digo, justo nessa sala ela está?
Mas peguei, vendo Ju pelo canto do olho ajeitar a mini saia. Pelo visto não adiantou de nada falarem pra ela como se vestir.
Vi se eram esses papéis várias vezes, por que são importantes.
- Henrique.
- sim. - peguei mais papéis revendo.
- acha que posso trabalhar aqui? - a olhei. - sei que sou uma substituta apenas mas quero muito esse emprego. - não soube oque juntar e dizer a ela.
- olha.. - penso. - se quer trabalhar aqui precisa melhorar... Começando pela roupa. - desci os olhos por ela. - ser secretaria significa que você precisa deixar tudo organizado pro seu chefe, por que quando ele precisar de algo, estará ao alcance... Sei que é trabalhoso mas as secretárias daqui ganham bem. Você é substituta e ganha 25% a menos que as secretárias que estão aqui a anos. - ela ajeitou os óculos.
- gosto de me vestir assim.
- mas no seu local de trabalho, é melhor que esteja mais apropriada. - olhei para as folhas novamente.
- por que? - a olhei. - homens como você não sabem se controlar? - não falei nada. - antes de julgar a roupa de uma mulher, não acha que deveria julgar o jeito como os homens nos olham?
Não era questão disso, era de profissionalismo. Ela não está andando na rua, está dentro da minha empresa.
Não é machismo da minha parte.
- Juliane. - a olhei. - é isso que precisa mudar, suas atitudes. - ela chegou mais perto.
- eu só quero esse emprego Henrique. - a cena daquela vez se repetiu.
Mas não era Letícia e sim Ju.
Desviei.
- olha, eu sou noivo, tenho uma mulher e pretendo casar com ela. - me afastei. - de novo, suas atitudes. - repreendi mas com educação.
- desde o dia em que pisei aqui... Você não me notou nem um pouco.
- por que tenho mulher Juliane.
- ela ainda é uma criança, você acha que os sonhos delas são casar? - o ódio me subiu.
- sai, por favor sai, não quero agir com emoção e te mandar embora. - digo normal, mas bravo ao mesmo tempo.
Ju saiu e contrai o maxilar.
Que tipo de mulher ainda tem essas atitudes?
Maria Clara.
- tá mais o que eu expliquei? - estávamos em frente a mesa do professor.
Eu e uma aluna que fez dupla comigo.
- aqui vocês precisam dividir.
- eu falei. - digo. - e aqui somar e colocar com esse número.
- exato, está prestando bem atenção. - disse ele... O professor de matemática.
O sinal tocou.
- próxima aula quero isso pronto. - disse pra aluna. - Maria, quero falar com você. - concordei fraquinho.
Guardei o meu material e todos os alunos já foram indo, esse era o último sinal.
- aquele é seu irmão? - parei em frente a sua mesa, ele se apoiou sobre ela do outro lado.
- não.
- fique longe dele Maria. - olhei confusa.
- ele é o daddy... Meu noivo. - mostrei o meu anel. - e por que ficar longe dele? - fiquei com medo, Daniel fez uma cara de m*l. - eu não sei como vocês se conhecessem mas não quero saber por que se odeiam. - fui saindo mas fui puxada. - daddy tá me esperando. - ele me olhou nos olhos.
- não consigo acreditar que alguém ingênua como você namora um homem adulto.
- e daí? - me soltei dele.
- você já perdeu a..
- já, e isso é um assunto meu! - sai andando.
- calma. - ele me puxou tão forte, meu corpo bateu de frente com o dele. - você é a menina mais linda dessa escola e namora alguém como ele.
- oque tem?! Por que você o odeia? - me afastei outra vez. - daddy me ama e me protege do mundo inteiro... Principalmente de caras como você! - sai da sala.
Oque Henrique fez?!
Atravessei a rua por que não vi Pedrinho e não estava a fim de esperar, mas no carro ele já estava lá dentro.
- quando eu falo que é pra um esperar o outro eu não tô brincando. - daddy xingou.
- aff ela que demora, onde tu tava Maria? - revirei os olhos e coloquei o sinto.
- na aula de matemática. - cruzei os braços.
Daddy me olhou.
- e demorou por que? - não respondi. - tô falando contigo Maria.
- e por que você conhece ele?! - daddy não falou nada.
- iiih não tô afim de ouvir brigas de ciúmes.
- cala boca Pedro. - disse daddy. - oque ele te falou? Ja fez a tua cabeça né? - revirei os olhos. - não vou mais te mandar pra esse reforço e tu vai trocar de professor. - daddy ligou o carro e não falei nada.
Eu até queria mas deixei quieto.
Sempre tem dois adultos idiotas com rivalidades, quer ver? A briga deles deve ser a mais i*****l e i****a do mundo!
Fomos pra casa em silêncio, mesmo daddy descontando a raiva no volante.
- vai devagar daddy! - segurei na porta e no banco e ele não me ouviu mas pareceu diminuir a velocidade.
Eu estava p**a, queria socar a cara dele e a de Daniel.
Quando chegamos em casa eu desci rápido e bati a porta, daddy bufou de raiva mas não liguei.
- chegaram rápido. - disse tia Cris.
- sim, seu filho quase matou a gente dirigindo igual um louco na rua. - digo brava subindo as escadas.
No quarto eu bati a porta e daddy odeia isso, ele vai brigar.
- não bate a porta! - é uma das coisas que daddy não admite, provavelmente será muito m*l com os nossos filhos quando eles fizerem isso.
- o quarto também é meu.
- mais não precisa ficar quebrando as coisas p***a. - olhei pra ele largando a mochila no chão.
- não fala palavrão pra mim! - digo brava mas isso não intimida daddy, porém seu olhar me intimidou.
- oque Daniel te falou? Por que tá brava comigo desse jeito? Ele só pode ter falado m***a. - daddy fechou a porta atrás dele e revirei os olhos indo pro banheiro onde fechei a porta. - abre Maria. - bateu nela.
- não, eu tô usando. - ouvi ele respirar pesado.
- quando tu tiver com maturidade pra conversar a gente conversa. - ouvi seus passos e a raiva me subiu.
Abri a porta.
- como é que é? Eu?! - se virou pra mim. - VOCÊ sai igual um louco dirigindo na rua por que me estressei com o MEU professor. - andei lentamente até ele e vi o maxilar do daddy contrair.
- se tava brava então tem motivo... Oque ele te falou?
- oque você fez pra ele? - riu.
- ah eu, claro... Esqueço que a MINHA mulher acredita em todo mundo menos eu mim.
- eu não falei que não acreditava em você e muito menos nele mas eu não sei por que vocês se odeiam. - daddy colocou a mão no rosto e a outra na cintura, suspirando.
- não vou discutir isso contigo, nem vale a pena. - deu as costas.
- então o errado é você.
- não Maria que p***a! - tremi quando daddy socou o seu criado mudo. - não sou eu o errado! - me olhou e fragilizei o olhar. - desce pra comer. - saiu do quarto.
Senti medo.
Muito medo.
Mas usei o banheiro e lavei o rosto, tirando toda a roupa e tomando um banho rápido.
Eu não gosto de ser contrariada. Não gosto.
Daddy brinca com o fogo esse... Esse... Esse chato!
Me vesti como quis, com meu vestido curto por estar calor mas também como rebelião. Daddy me deixou p**a.
Aí desci, só de vestido e meia.
Não era um vestido ousado, ele tinha manga curta mas que cobria os ombros e era colado até a cintura, o resto era soltinho tipo a minha saia da escola.
Lá em baixo todo mundo já tava na mesa e me sentei.
Daddy me olhou mortalmente mas esse olhar foi cortado quando Bia saiu correndo da mesa, seus talheres fizeram barulho e vimos ela ir pro lavabo... Logo depois som de vômito.
Daddy foi lá.
- ué. - disse tia Cris.
- acho que é o calor. - falei.
- ou ela tá grávida. - disse Pedro com comida na boca.
- grávido vai ficar você se não calar a boca. - falei e Pedrinho riu, eca, ele nem engoliu a comida.
Mas me servi, sem a ajuda do daddy e sou sim capaz de fazer essas coisas, daddy que é legal e fofinho e me ajuda e eu gosto... Senti falta agora.
Mas coloquei a comida no meu prato.
Sempre é arroz e feijão, mas tinha macarrão também e carne de panela. Salada de sempre mas vi cenouras raladas e peguei também.
Daddy veio logo depois com Bia e tia Cris perguntou oque foi, Bia foi seca.
Acho que elas ainda estão bravas uma com a outra.
Não quis olhar na cara do daddy mas eu não consigo agradecer ele quando ele faz algo e ele me serviu refrigerante sem eu pedir e tive que agradecer.
Aí comemos em silêncio... Tirando Pedro, que menino nojento, e ele falava m*l de um professor.
Isso deixou daddy irritado, talvez ele tenha lembrado de algo mas não quis saber oque era e não tô nem aí.
- tem sorvete na geladeira meu amor. - disse tia Cris assim que me levantei, fui a primeira a terminar. - coloquei em baixo por que tava muito congelado. - sorri fraquinho.
- obrigada tia Cris mais eu não posso comer. - ou... - mais eu vou. - digo andando.
Se daddy falar não, o problema é dele.
Peguei sorvete e coloquei na tigela verde água, eu sempre como na rosinha e essa é muito linda.
Coloquei bastante e peguei alguns morangos e coloquei.
Aí subi, daddy e eu nos olhamos antes disso mas fingi que nem ligava.
Henrique.
- você pode ir mais tarde pro trabalho amanhã e me levar no médico? - perguntou Beatriz e me preocupei.
- tá tudo bem? - concordou.
- tá.. é que... Eu não sei... Se... Ele tá. - apontou pra barriga e quase a tocou mas não quis, parecia estar com receio.
- tá, eu levo. - ela sorriu fraco. - e... Tá comendo bem? - concordou.
- até que não é uma má ideia... Mais... Não parece que é meu. - fechei a geladeira após guardar a última tigela de comida.
- por que você fez com irresponsabilidade. - não falei por m*l. - e mesmo fazendo do jeito certo, acho que toda mulher se sente assim. - ela sorriu fraquinho e olhou pra baixo.
- se... For ele... Eu pensei em... João Lucas... - sorri.
- um belo nome, e se for menina? - sorriu.
- igual Maria disse "pode ser um nome combinando com o seu". - revirou os olhos mas em tom de brincadeira, até por que isso é a cara da Maria. - eu pensei em... Bela... Mas queria que fosse o apelido de Isabela. - sorri fraquinho.
- pensou em que? - d***a. - tão falando do que? - era minha mãe, com o cesto de roupas limpas e dobradas, não fazia ideia de que ela estava na lavanderia, que é no final do corredor que tem ao lado da geladeira.
- nomes. - disse Beatriz normal.
- hum. - suspeitou.
- bom, vou subir e tirar um cochilo, tira também Bia. - ela sorriu fraco.
- tá bom meu filho, vai lá.. e não briguem vocês dois lá em cima em. - revirei os olhos negando só de lembrar o motivo da briga.
Mas subi, desabotoando a camisa que não tirei antes de almoçar, sempre tiro mas não queria brigar com Maria.
No quarto ela estava comendo o sorvete enquanto olhava pra tv, estava passando... Crepúsculo?
Não sei mais parecia.
Fui direto pro banheiro e fechei a porta, nem olhei pra ela e ela certamente nem ligou pra mim.
Tomei um banho frio e demorado, pensando.
O dia era na empresa, duas reuniões de três horas, Daniel estava lá.
Era sócio meu assim como mais três homens que hoje não trabalham mais comigo.
Esperto, engraçado e muito extrovertido.
Foi um ano depois de eu ter conhecido Maria.
Já morávamos juntos.
Depois daquelas reuniões a gente foi beber a noite, Maria me prometeu ficar bem e pra ela era a melhor ideia do mundo, até por que ela nunca tinha passado uma noite sozinha. Confiei mas com medo de deixá-la sozinha.
Aí no bar bebemos, tudo tranquilo, Daniel contando piadas e chegou a hora de ir embora.
Fomos pra casa dele.
Basicamente uma mansão, também, filho de um sócio de marca de carro e de uma dona de cosméticos... Era óbvio que moraria em um lugar como aquele.
A gente bebeu tanto, já nem lembrava de nada mas eu lembro quando ele disse que ia animar a festa... Quando elas meninas chegaram... Quando ele prometeu dinheiro.
Eram novas, com corpos formados mas novas.
Todos os homens presentes ali ficaram loucos e eu não quis entrar nessa.
Pra acelerar a história... Ao amanhecer quando acordei no sofá branco daquela sala enorme, eu vomitei rios e só aí me dei conta de que deixei Maria e perdi a cabeça.
A polícia bateu lá em questão de minutos e eu não sabia da gravidade da situação.
Eram meninas tão novas.
Fomos acusados de e*****o, mas não foi só isso, Daniel jogou a culpa em mim, aquela casa nem no nome dele estava e a culpa ficou toda pra mim. Ah claro, as meninas se aproveitaram também da situação e deporam que foram estupradas.
Enfim, ele foi demitido e os detalhes não posso dizer nem em pensamento, tipo quando ele "analisou" as meninas. As palavras sórdidas que ele dizia como se elas fossem mulheres adultas.
Então a primeira vez que me meti com a justiça foi aí, por e*****o mas não acharam nada pra me incriminar então fui liberado.
Daniel sumiu... Nunca mais tivemos contato e do nada ele aparece em uma escola?
Dando aula pra adolescentes?!
Pra Maria!
Alguém bateu na porta.
- oi? - desliguei o chuveiro.
- preciso fazer xixi. - era Maria, obviamente.
Me enrolei na toalha e abri a porta pra ela, que dava pulinhos indo até o vaso.
Ela fez xixi mas não olhei, só peguei a minha carteira e celular e sai do banheiro.
Me sequei e vesti um short como sempre e estava secando o cabelo quando Maria passou por mim.
- você vai dormir? - me perguntou, normal.
- vou. - respondi.
Ela não falou mais nada.
Levei a toalha pro banheiro e voltei ao quarto.
Algo no meu estômago se revirava.
Sou homem mas reconheço o "charme" que Daniel tem, ele é capaz de qualquer coisa.
E se já aconteceu algo com Maria e eu não sei?
Ela certamente não vai me contar por medo.
Me deitei na cama e olhei pra tv, vampiros... Lobos... Algo fora da realidade pra me tirar desses pensamentos.
Maria estava gelada, sentia seus joelhos dobrados em mim mas não falei nada.
- Daniel te machucou? - perguntei.
- não. - contrai o maxilar.
- se tivesse tu não ia dizer igual.
- ia sim, e se tô dizendo não, é por que ele não me machucou. - suspirei com ódio.
- vai trocar de professor.
- não posso fugir dos meus problemas assim.
- e por que ele é um problema pra ti? - olhei pra ela me sentando na cama.
- por que... Por que pra você ele é. - se sentou e nos olhamos.
- não, tu disse que ele é um problema, oque ele fez Maria Clara?
- ele não fez nada tá? É você que fez algo. - ri.
- eu fazendo ou não, ele fazendo ou não, não vamos discutir. Não vou discutir com você. - me deitei de volta.
- oque ele fez daddy? - não falei nada. - ele é legal.
- não Maria, não é! Nunca será! Não com adolescentes ingênuas como você! - o olhar dela... Aquilo me partiu.
- fala isso como se fosse r**m. - a carinha dela... Eu a machuquei. - é como se eu fosse um bebezinho... - desceu da cama mas segurei ela. - pra tudo eu sou ingênua.
- e isso não é uma ofensa Maria Clara.
- é sim! Você fala isso como se fosse um problema. - se soltou de mim e saiu andando pra fora do quarto.
Me sentei na cama e levei a mão ao rosto, suspirando.
Droga.
Não posso deixar as coisas assim.
Fui atrás dela óbvio. Estava em seu quarto.
- Maria. - ela se sentou na cama e cruzou os braços.
- não quero falar com você daddy, não podemos nem conversar, você me esconde tudo.
- pro seu bem.
- sempre pro meu bem... E igual me machuca, mesmo a notícia sendo boa ou r**m. - ficou triste, fui até ela e me sentei ao seu lado.
- há coisas que as vezes eu não conto por que sei que vai te destruir. - fui paciente.
- Daniel fez oque? - me olhou.
- algo que vai te deixar com medo dele.. - penso. - e até é bom sabia? Vou te contar. - assim ela fica longe.
- oque? Ele já matou alguém? Ele já bateu em alguém?
- ele já transou com alguém. - olhei sério pra ela.
- que legal eu também. - se levantou e fiz o mesmo.
- com uma menor? Tu já transou com alguém 6 anos mais novo que tu Maria? - me olhou.
- e oque tem? Você já fez isso várias vezes!
- com alguém que amo e que cuido. - me olhou sem dizer nada. - eu nunca te dei dinheiro pra t*****r comigo. - cruzou os braços. - já fiz isso Maria Clara? - negou fraco.
- mais é normal, se elas queriam...
- foram manipuladas.
- como você sabe? Por que você sabe dessas coisas?
- eu tava lá. - ela me olhou sem acreditar, desapontada comigo.
- você oque? - me empurrou.
- calma, eu não fiz nada.
- e como sabe que ele fez? Você tá falando que ele fez mas você também deve ter feito!
- eu não fiz nada Maria. - falei firme.
- e como sabe que elas não gostaram.
- por que depois falaram que foram por dinheiro, eram meninas sem escola, sem futuro, sem família... - fiz ela me olhar. - ele é um monstro Maria... Oque ele tá fazendo em uma escola?
- dando aula e me ensinando muito bem. - controlei o ódio.
- enquanto te olha, e tenta algo com garotas fáceis. - me olhou.
- eu sou uma garota fácil pra você Henrique?
- não foi isso que eu falei. - digo bravo.
- foi isso que quis dizer.
- não Maria Clara, não! Presta atenção... - peguei seu rosto.
- tá me machucando. - se soltou de mim. - eu acredito em você daddy mas não nisso que você tá dizendo, ele é o meu professor e é legal... Ele nunca fez isso... E olhar é só... Olhar. - suspirei.
- não é obrigada a acreditar em mim.
- a sua história tá muito estranha. - ri olhando pra cima.
- claro que tá Maria, não tô contando a minha história, tô contando a de alguém... Alguém m*l.
- alguém que você andou junto.
- e que hoje quero bem longe de mim... E principalmente de você. - ela estava sendo marrenta mas era só pose.
- as meninas gostam dele.. - engoliu em seco olhada pra todos os lados menos pra mim.
- e tenho certeza que quando ele comprar elas com história barata, ele vai ter o melhor s**o da vida com elas. - me olhou. - por que é assim que ele gosta.
- eu não acho que ele esteja em uma escola pra isso.
- eu também não.
- talvez ele tenha mudado. - ri.
- alguém como ele não muda.
- daddy você também fica com uma menina mais nova.
- que tem um futuro, um futuro que vou dar a ela e que ela vai conquistar sozinha... Tu é alguém importante pra mim e não te uso Maria... Somos pessoas diferentes, eu e ele não temos nada de igual. - Maria fragilizou o olhar.
- você tá falando a verdade? - cheguei mais perto.
- tô, eu juro.
- você não teve nada haver com isso?... Você... Fez com alguma menina? - neguei na hora.
- não, eu tava bêbado mas tinha consciência. - a toquei. - toma cuidado, não posso dizer "tá, fica na mesma aula que ele" por que eu nunca vou conseguir ir trabalhar sossegado sabendo que tu tá na mesma sala que um homem feito aquele. - dei carinho nela. - me desculpa... Por ter brigado. - concordou.
- seu ciúmes me dá ódio as vezes. - riu fraquinho e sorri.
- desculpa. - abracei ela. - nunca seremos amigos, se um dia fomos não seremos mais... Quero distância dele... Quero ele longe das pessoas que mais amo... Longe de ti Maria. - olhei pra ela.
- tá bom daddy. - sorriu fraquinho.
[...]
Deito Maria na cama, ela dormiu do meu colo depois da gente conversar, mas assuntos bons.
Ajeitei a sua roupa e cobri ela com o cobertor.
Precisava fazer xixi.
Maria e eu fizemos "as pazes", mas conversamos sobre outras coisas também.
Não era uma briga, era mais uma discussão.
Maria entendeu a situação toda mas pra ela oque Daniel fez foi normal, oque não acho por que não dei detalhes pra Maria daquele dia.
Voltei pra cama onde me deitei e abracei ela, ela se acordou aos poucos.
- xii, o daddy tá aqui. - dei carinho nela.
- você.. me abraça?
- uhum.. - abracei e ela virou pro outro lado.
Só tô com medo, de dar tchau pra ela e um beijinho em seu rosto... E não saber oque vai acontecer dentro da escola.
É óbvio que Maria não faria nada em troca de dinheiro, mas ela tem medo das coisas, é ingênua pra certas coisas... Só tenho medo.
Medo de Daniel fazer algo e ameaçar ela. Só isso.
Medo.