Henrique.
Coloco Maria com cuidado na cama e a cubro, ela não se mexeu.
Dou um beijo na sua cabeça e logo depois um carinho, sorrindo todo bobo pra ela.
Meu bebê.
Fui pro banho e não demorei pra sair, mesmo pensando em como o dia ocorreu hoje.
Não era pra ter dito assim pra Maria sobre tudo, não era assim que eu queria ter falado e não hoje.
Mas me sentiria um monstro só falando que tava tudo bem.
Coloquei um short ao sair do banho e peguei um pijama pra Maria, depois ela acorda com dor na i********e e me xinga.
É sério, sempre que ela dorme de short jeans ele aperta naquela parte e realmente, comigo também acontece quando tô de bermuda jeans.
Com cuidado a despi, tirando seu short com toda calma pra ela não acordar.
Mas Maria se assustou.
- é o daddy, desculpa. - ela me abraçou automaticamente e não interrompi.
- achei que.. que fosse..
- eu nunca deixaria isso acontecer... É o daddy. - beijei ela e dei carinho. - sou eu. - aos poucos a sua respiração foi voltando ao normal e ela me soltou.
Continuei despindo ela pensando no que ela pensou, seria um homem tirando sua roupa? Aquele tal de Kaique?... O médico que machucou ela?... Pedro?
Mais ela não tocou no assunto e eu não faria isso. Só iria machuca-lá mais.
Coloquei o pijama nela e levei sua roupa pro cesto de roupas sujas.
- desculpa por hoje daddy. - sorri e me deitei ao seu lado.
É, após Malu e Maria ficarem aqui em cima por algum tempo, elas desceram e o assunto "surgiu" quando Álvaro perguntou oque elas estavam fazendo e por que Maria entrou chorando.
Aí começou.
Em algum momento Maria falou com sangue nos olhos que sua mãe era um monstro, frase essa que fez Malu chorar, minha mãe aconselhas dizendo que não, Álvaro sem ter oque dizer e tentar e eu falando pra Maria que se isso não machuca ela, machuca as outras pessoas.
Malu foi embora chorando e Álvaro queria saber por que Maria dizia aquilo e eu não sabia como contar, também ele estava indo, não dava pra falar em cinco minutos tudo.
Aí marcamos outro dia.
Fiquei com dó da Malu, suas palavras iam de "queria que ela tivesse histórias pra me contar de quando eu era bebê" para "Maria foi privilegiada e tá falando tudo isso!".
Malu não falou com ódio, ela estava muito triste.
- tá tudo bem. - digo por fim a ela.
Não posso brigar mais com esse tipo de coisa, ela precisa aprender.
- olha... Tem que entender que certas coisas machucam as pessoas. - me virei pra ela e cobri a gente. - Malu ficou m*l. - fez um olhar triste. - acho que ela queria ouvir histórias meu amor, tu deveria estar contando a ela algum dia em que a sua mãe fez tal coisa engraçada, ou quando ela chorou por algum homem. - Maria riu fraquinho e sorri. - mais é, conta histórias felizes e engraçadas pra ela ter uma boa imaginação da sua mãe. - ela parou de sorrir.
Eu falava paciente e dava carinho em seu rosto.
- se sua mãe tá viva e aqui pertinho da gente, nada a impede de conhecer Malu e eu duvido que Malu não queira. - me olhou.
- uma mãe ama seus filhos? - concordei. - até quando elas não querem eles? - penso.
- como assim?
- se alguém não abortar e quer, ela vai amar o bebê? - penso, sem saber por que as suas palavras.
- eu acho... Por que tá falando isso? - olhava pro meu peito com um olhar sentimental. - tá grávida Maria? - peguei seu rosto levando ao meu e ela riu.
- eu não é a... - parou de rir e me olhou séria.
- quem? - fiquei confuso.
- da... Do filme.. aquele. - cerrei o olhar.
- eu te conheço Maria Clara... Fala, quem foi os dois adolescentes sem cabeça que transam sem c*******a? - Maria riu.
- como eles não vão ter cabeça? - ri.
- é uma metáfora. - digo rindo. - significa que eles não pensam. - ela pensou.
- eu tenho cabeça.
- tem. - dei carinho nela. - por isso vai me falar oque tá acontecendo. - ela me olhou séria. - Pedro e Becca não usaram c*******a?
- não é ninguém. - respirei fundo.
- uma hora vai me contar né? Eu te conheço.
- vou... Mais você vai brigar? - neguei, pensando.
- Maria eu te conheço... - comecei a pensar. - quem tá grávida? E por que eu brigaria? - Maria se sentou e eu também. - não foge do assunto.
- ela vai brigar comigo se você saber. - juntei os fatos.
- p**a que pariu. - levei a mão a boca.
- daddy você não pode fazer nada.
Hoje de manhã eu fui o primeiro a acordar e desci... No lavabo Beatriz vomitava tanto, parecia que tinha comido uma panela de comida.
Perguntei se tava tudo bem e ela foi ignorante dizendo que tava.
- não tá falando sério né Maria? - me levantei.
- daddy espera. - se levantou também mas ficando em pé na cama.
- não tá falando isso. - eu estava em choque.
- mais ela...
- ela é lésbica! Ela tem 19 anos! Que p***a. - calcei o chinelo.
- daddy não!
- fica aí.
Desci as escadas e segui pro quarto da Beatriz, ela não tava.
- cadê tua irmã? - perguntei bravo pro Pedro.
- não sei, na rua? - bufei e fechei a porta.
Fui pros fundos... Onde vi Bia chorar encolhida na cadeira.
Aliviei o olhar.
Que o sentimento de culpa venha por que ela faz as coisas sem pensar sim.
- Beatriz. - ela secou as lágrimas mas eu já tinha visto.
Fui até ela.
- eu já tô indo. - se levantou mas impedi.
- não, te senta aí. - sentou e puxei a outra cadeira ficando perto dela. - que história é essa?
- Maria te contou né?
- não, nem precisou.
- Henrique eu..
- tu é uma criança. - riu.
- é assim que todo mundo me vê mas eu tenho 19 anos!
- e vai fazer oque com esse bebê? - ela não falou nada, pelo contrário, engoliu em seco e olhou pra baixo com medo. - como que isso aconteceu? - eu não queria brigar óbvio, mas queria ser autoritário pra ela me falar já que ultimamente mente pra todo mundo.
- eu.. não sei... Eu tava com a Luh e uns amigos dela... A gente bebeu na rua e foi pra casa da Luh, todo mundo bêbado... Aí fizemos..
- todo mundo? Gente que tu nem conhece que pode ter uma doença.
- é Henrique, cinco pessoas dentro de um quarto em cima de uma cama de casal. - revirou os olhos mas vi as lágrimas escorrendo.
- não usaram caminha?
- não. - respirei fundo.
- poxa Beatriz. - fragilizei a voz. - tu ainda é nova... E esse menino? Qual deles era? - ela não falou nada. - pretendia fazer faculdade e vai ter que esperar e tudo bem isso, a faculdade pode ser feita com qualquer idade... Mas e esse neném Beatriz? - ela soluçou.
- parece que sou um monstro.
- não é.. - peguei sua mão. - mais vai tirar por que os teus pensamentos são "eu ainda sou nova, as pessoas vão me odiar".
- é, é isso sim. - chorou. - a mãe vai me mandar embora. - ri.
- não Beatriz, ela vai te querer perto, ela vai ficar preocupada. - me olhou. - eu não sei oque fazer, sempre pensei que tu ia ser a última a ter filhos, imaginava que Pedro ia fazer essa proeza de engravidar meninas por aí. - riu fraquinho.
- eu só... Acho que não quero isso dentro de mim. - me olhou. - tenho medo que esse bebê afete meu relacionamento com a Luh, meu futuro... - colocou as mãos no rosto.
- por isso pegou o dinheiro? - concordou.
- eu ia viajar e tirar ele. - respirei fundo.
- isso pode te m***r.
- eu sei.. mais já não tenho esperança de nada Henrique. - voltou a chorar. - tô cansada de me sentir tão errada mas eu não sei oque fazer. - agora seu choro era pra valer.
Oque me restou a fazer foi abraça-la, não tive outra opção.
Disse várias palavras de conforto a ela e aconselhei que não tirasse, mas não por que isso seria a melhor opção, mas por que eu estava feliz e provavelmente ela também ficaria, é só questão de tempo.
E se um feto atrapalhar um relacionamento, então é um relacionamento tóxico.
Luh não vai abandonar ela, ela estava junto com a Bia no dia.
Mas conversamos bastante, Beatriz só tinha medo e eu entendia.
Depois a levei pro quarto, dei mais um abraço e falei o quanto a amava e que estava aqui e ela sorriu até onde conseguiu.
Eu estava do seu lado, não vou sair por que ela está grávida.
Só foi um choque... Do nada sua irmãzinha está grávida de alguém que ela m*l conhece.
E esse desgraçado vai aparecer, por bem ou por m*l.