Patrícia saiu do trabalho e passou no supermercado, antes de ir para a faculdade.
Uma tarde quente na capital paulista e ela desejou comprar um refrigerante bem gelado.
Seria uma noite de muito conteúdo na faculdade. O curso de psicologia envolve bastante leitura. Não é à toa que Patrícia usa óculos.
Bruno saiu do estágio numa consultoria ambiental na zona leste e passou pelo Brás. Ele entraria no supermercado pra comprar umas cervejas pra consumir mais tarde com amigos em sua casa. Parou o carro e entrou no estabelecimento, onde Patrícia já se encontrava.
Ele passou pela seção de cereais até chegar às bebidas. Lá estava Patrícia de frente pra geladeira, escolhendo seu refrigerante.
Bruno estava numa camisa de manga comprida social, cor vinho, calça jeans e sapatênis. Barba bem feita e cabelo arrumado.
— Ei, boa tarde! Tudo bem?
— Oi. Tudo sim. E você?
Patrícia ficou um tanto surpresa por ele ter puxado conversa com ela ali na seção de bebidas. Mas, manteve-se séria e atenta ao que ele falava. Bruno era um rapaz atraente. O calor pedia roupas mais confortáveis. Porém, Patrícia imaginou que ele voltava do trabalho.
— Estou bem. Você bebe cerveja?
Agora soava mais incomum ainda aquela pergunta. "O quê?! Ele está me perguntando se eu bebo cerveja?"
— É... esporadicamente.
— Entendi.
— Por quê? — Agora, Patrícia estava interessada na pergunta dele.
— Eu estava querendo uma informação sobre qual a melhor destas. Hoje tem uma festinha lá em casa. Eu não bebo, mas os amigos me pediram umas cervejas.
Bruno abriu um sorriso. Agora, o coração dela disparou. "Nossa, que sorriso!"
— Ah, sim. Entendo. Bem, se eu puder ajudar, eu costumo beber esta.
— Boa. Muito obrigado!
— Imagina. — Patrícia sorriu e corou.
Abriu a geladeira, pegou seu refrigerante. Olhou para ele, que estava enchendo a cestinha com as latas de cerveja, e disse:
— Tenho que ir. Tenho aula agora.
— Já? — Ele riu — Bem, está de carro?
"Por que quer saber?"
— Não, por quê?
— Também estou indo agora. Quer uma carona?
"Carona?! Eu nem te conheço!"
Com certeza ela não aceitaria aquela carona. Era a primeira vez que o via e nem sabia sobre ele, nome, idade, endereço e reputação. Como se arriscar entrando no carro de um desconhecido?
— Bem, não sei onde você mora. A minha faculdade fica no centro.
— Sério? Eu moro lá.
Aquilo parecia um convite irresistível e inevitável. Irresistível, porque ele era "um gato" (como ela mesmo achou ao vê-lo); e inevitável, pois ele não a deixaria ir embora sem ficar no pé dela.
— Bem, se não for incômodo.
"Uau! Que máquina". Um Camaro branco. Nada menos luxuoso e esportivo. O tipo de carro em que Patrícia jamais sonhou entrar.
Era um lindo Camaro todo branco com duas listras vermelhas, bancos de couro cor de pele e um lindo painel.
— Fique à vontade. — Bruno abriu a porta pra ela em um gesto de cavalheirismo.
— Lindo carro.
— Gostou?
— Adorei.
Ela estava curiosa em saber quem ele era e o que fazia. Mas, pensou em fazer perguntas mais simples.
Bruno colocou uma música romântica internacional.
"Ele curte a minha música preferida". Patrícia começou a se interessar por ele.
— Qual o seu nome?
— Bruno. E o seu?
— Patrícia.
— Você estuda onde?
Patrícia indicou a instituição de ensino dela.
— Legal. Eu moro na rua ao lado.
— Sério?
— Que mundo pequeno.
Ela riu.
— Pois é.
— Você mora perto do Brás?
— Não. Eu moro na zona leste. Mas, trabalho no Brás.
— Lehal. Zona leste. Eu trabalho ali. Eu sou estagiário de engenharia ambiental numa empresa de consultoria.
— Uau! Gostei.
— E você estuda o quê?
— Psicologia.
— Um bom curso.
Terminaram o percurso até a faculdade onde Patrícia estuda.
— Pronto. Me passa seu contato. Vai ser bom bater um papo contigo outra hora.
— Ah, sim.
Patrícia passou o número do celular dela para Bruno.
— Foi um prazer falar contigo. Obrigada pela carona.
— Igualmente, um prazer. — Bruno carregou a voz com um tom sedutor. Puxou Patrícia e beijou seu rosto.
— Até mais.
— Até.
Ao sair do carro, coincidentemente encontrou algumas de suas amigas.
— Uau, amiga! Me conta esse babado! Está namorando o dono do Camaro?
— O quê? Que isso, amiga? Estou não.
Patrícia riu e explicou que o conheceu no supermercado. Ele lhe ofereceu uma carona e ela aceitou.
— Amiga, você tem sorte.
E que sorte! "Que foi aquilo?" Ela se perguntava sem entender ainda aquele final de tarde.