Embora a imigração italiana tenha se iniciado na região Sul do país, a maioria dos italianos se assentou na região sudeste. A concentração de plantios de café na região de São Paulo fez com que os egressos da Itália ficassem em maioria no estado. Até 1920, 70% dos imigrantes italianos no país tinham se instalado em São Paulo. Em 2013, cerca de 34% da população do estado eram ou italianos ou descendentes.
Naturalmente, a presença de italianos trouxe diversos hábitos que se tornaram tão intrínsecos à cultura brasileira que sequer consideramos que nem sempre foi assim. O uso do “tchau” (ciao), hábitos culinários, como spaghetti e panetone no Natal, são breves contribuições.
Em São Paulo, os imigrantes italianos tiveram um impacto geográfico maior. Os bairros do Bexiga, da Mooca e do Brás se tornaram sinônimos da herança italiana. No caso da Mooca, o bairro conta com o Museu da Imigração, inaugurado na década de 90 e re-aberto em 2014 após extensa restauração. O local era anteriormente a Hospedaria dos Imigrantes, fundada em 1887, uma construção feita para os cafeicultores no século XIX tinha como objetivo inserir os imigrantes na província de São Paulo e direcioná-los para as lavouras. Apesar de estar dentro de um bairro predominantemente italiano, o Museu da Imigração presta homenagens às mais de 70 nacionalidades que ajudaram a moldar São Paulo como conhecemos hoje.
O maior contingente de imigrantes vindos para São Paulo foi o de italianos. Dos que chegaram (vindos do Vêneto e da Lombardia) ao Porto de Santos, muitos foram para o interior do Estado trabalhar nas fazendas de café, enquanto alguns ficaram na capital, nos bairros da Mooca, Bixiga, Lapa, Mandaqui, Santa Cecília e Barra Funda, entre tantos outros. Era muito comum, na primeira década do século XX, ouvir italiano nas ruas. Eram tantos os falantes que muitas vezes dava a impressão de se estar na Itália. Famílias como os Martinelli e os Matarazzo fizeram fortunas em negócios de navegação e na indústria. Grande parte do poderio industrial, tanto dos proprietários como dos operários, vem da força italiana. E não podemos nos esquecer do seu maior legado: a pizza! Que transformou São Paulo na maior consumidora de pizza do mundo!
Até 1920, o estado de São Paulo havia recebido aproximadamente 70% dos imigrantes italianos que vieram para o Brasil, representando 9% da sua população total, pelo fato de as fazendas de café terem se concentrado nessa região e de esse estado ter investido grande quantia de dinheiro subsidiando a passagem dos imigrantes. Até o ano de 1920, deram entrada nesse estado 1.078.437 italianos.
São Paulo recebeu imigrantes de diversas regiões da Itália. Nos registros paroquiais de São Carlos, cidade produtora de café no interior de São Paulo, para o período compreendido entre 1880 e 1914, foi-se registrado que, dentre os italianos que ali se casaram, 29% dos homens e 31% das mulheres eram oriundos do Norte da Itália, sendo o Vêneto a região mais bem representada, com 20% dos homens e 22% das mulheres, seguido da Lombardia com 5% dos homens e 6% das mulheres. Os italianos do Sul também eram bastante numerosos, correspondendo a 20% dos homens e 15% das mulheres de nacionalidade italiana. Calábria, com 7% dos homens e 5% das mulheres e Campânia, com 6% dos homens e 5% das mulheres eram as regiões sulistas que mais mandaram imigrantes para São Carlos.
Um dos grandes elementos da cultura italiana a ganhar espaço no Brasil de forma democrática foi a culinária. O macarrão, chamado pelos italianos de pasta é, atualmente, um dos destaques no cardápio ítalo-brasileiro, marcando presença nas mesas de famílias por todo o país, sejam elas descendentes de italianos ou não.
As residências têm revestimentos em madeira ou pedra, materiais mais baratos e acessíveis para serem usados na época que os imigrantes precisavam se estabelecer no país. As casas têm fachadas coloridas, que criam contraste com a madeira. Além disso, outros traços da arquitetura italiana foram incorporados, tais como tijolos e ornamentos em vidro e ferro, estruturas simétricas e com linhas retas, cozinha em espaço grande, telhado aparente, janelas estreitas e muitos quartos.
Além desse grande legado, vieram do navio trazendo consigo o sangue italiano. Filippo e Anita não sabiam que chegariam em solo brasileiro com grandes surpresas. E tais surpresas não se traduzem na língua, cultura e clima diferentes. Anita tinha uma novidade com ela.
Trouxeram da Itália um bebê. Anita descobriu que estava grávida semanas depois que se instalou com Filippo no Brasil. Seriam pais de uma criança brasileira, mas de sangue italiano.