Italianos e Meio Ambiente

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ITALIANOS E MEIO AMBIENTE Na Europa, dentre os vários fatores responsáveis para imigração italiana ao Brasil, pode-se apontar, por exemplo, o difícil acesso a terra, pois os nobres proprietários raramente se desfaziam do que possuíam. Aconteciam também conflitos internos como depressão econômica, fatores relacionados à Revolução Industrial, o processo da unificação do estado nacional italiano (1850–1860) e os altos impostos cobrados dos camponeses. Com a chegada dos imigrantes italianos, uma série de alterações começa a ocorrer no meio ambiente. A agricultura, o comércio e a indústria, especialmente as serrarias e a vinicultura, devem ser entendidos, para além de seu viés econômico, como fatores de modelagem da paisagem Provincial. O sistema de cultivo em suas colônias era o da derrubada e queimada da mata, adotando-se depois o rodízio de cultura de tal modo que uma parte da propriedade sempre descansasse, recobrindo-se de capoeira que, posteriormente, seria cortada e queimada. Essa técnica trazida da Europa correspondia com férteis colheitas e vários produtos característicos da imigração italiana como trigo, vinho e milho (os principais cultivados por eles). As grandes florestas já não existissem mais na península itálica, muitos imigrantes italianos trouxeram consigo técnicas de exploração de madeireira, as quais foram difundidas e culminaram, posteriormente no desenvolvimento de indústrias do setor moveleiro. Os imigrantes italianos desde a chegada em seus lotes coloniais mantiveram relação com a natureza. Para tanto, essas relações com a natureza acarretaram uma série de degradações a terra, água, fauna e flora que foram somente pensadas na segunda metade do século XX, visto que estes imigrantes italianos chegaram à segunda metade do século XIX. Chegando as terras destinadas a eles, os colonos imigrantes depararam-se com uma porção de mata fechada e o contato com esta natureza, ora foi de espanto, ora do espírito desbravador e de domesticação para com a natureza, sobretudo para garantir por meio do trabalho a sua subsistência. A técnica das queimadas, a prática da agricultura e a rotação dos plantios para um melhor aproveitamento dos produtos foram atividades frequente entre os imigrantes italianos. A maioria dos imigrantes italianos e seus descendentes chegando a suas terras se depararam com uma grande variedade de vegetais, que serão apresentadas conforme sua percepção da flora sul rio-grandense. Exemplos esses como o angico, guajuvira, louro, cabriúva, cangerana, entre outros. Também a abundância dos animais eram destacados nos relatos destes imigrantes que atacavam suas plantações e casas, como tigre preto, capivara, tamanduá, jaguatirica e muitas aves. Instalados em suas terras os colonos imigrantes de italianos introduziram mudas e sementes como uva, milho, trigo e feijão, partindo assim para uma produção de subsistência. Também enfrentavam dificuldades para as plantações, principalmente porque muitos animais, como macacos, papagaios, gafanhoto e algumas aves, atacavam suas plantações. As degradações ambientais voltadas para o progresso e desenvolvimento fez com que surgissem alterações ambientais como o desmatamento, degradação do solo, extinção de animais e assoreamento dos rios. Nesta perspectiva é que se inserem os estudos da história ambiental, que procura analisar, além dos seres humanos, também a história da natureza. Percebe-se ainda que a instalação dos imigrantes italianos em áreas de maior altitude e de relevo acidentado ocorreu sob forma de pequenas propriedades, intensificou a produção agrícola e a produção de excedentes, possibilitando assim o acúmulo de capital e o investimento em novos empreendimentos comerciais e industriais. Para efetivar suas plantações e plantar seus produtos os italianos e seus descendentes praticavam a derrubada de mato e a queimada, presentes no seu cotidiano. Além desta relação com a natureza e a degradação do mesmo, os imigrantes italianos e seus descendentes também continuaram a manter laços culturais e relações interpessoais dentro dos seus lotes coloniais. Desta forma, trouxeram e preservaram elementos culturais sobre este ambiente endereçando valores e ressignificações que configuraram em seu território.
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