Alex Walker
— Isto é tudo que conseguimos sobre ele até agora, mas a Sánchez ainda está puxando mais informações, o problema é o sistema brasileiro que é lento. — Kevin me entrega uma pasta com a ficha do safado que comandou o assalto.
Abro a pasta dando uma olhada rápida nas informações principais, digamos que o que já tem aqui vai deixá-lo um bom tempo preso. Olho pelo vidro que me dá total visão do homem sentado com as mãos algemadas na grossa barra de ferro fixada na mesa de uma extensão a outra e uma espessa placa de acrílico fazendo uma barreira preventiva desde a COVID-19 começou. Apesar de eu ter total visão dele, ele nem faz ideia se estou aqui nesse momento, por mais que ele já saiba a funcionalidade deste espelho a sua frente, pois sim, para o lado de dentro da sala em que ele está o vidro se torna um espelho, porém nunca sabem o exato momento em que estão sendo observados.
— Hora do show! — falo me encaminhando para a porta.
— Tem certeza que quer fazer isso sozinho?
— Tenho, me deixa fazer o policial m*l, se minha tática falhar, você entra mediando, te dou o sinal.
— Certo, estarei aqui.
Vou caminhando lentamente até a sala ao lado e antes de abrir a porta respiro fundo assumindo uma postura fria e calculista, giro a maçaneta da porta adentrando a sala com a pasta na mão na página que contém as informações pessoais do indivíduo.
— Thiago José, brasileiro, natural do estado de Minas Gerais, trinta e oito anos, entrou no país com vista de estudante e se casou com uma mulher 14 anos mais nova, o que te deu um green card, tenho que admitir, nesse parte você foi esperto, mas só nessa.— termino de falar jogando a pasta em cima da mesa e parando em pé a sua frente com os braços cruzados no peito.
— Qual é chefia, tá me chamando de burro? Também não precisa ofender, afinal ninguém saiu ferido. — Fala o malandro se fazendo de ofendido.
— Não saiu nesse roubo, mas no outros dois não podemos dizer a mesma coisa! — Ele arregala seus olhos demonstrando surpresa por eu saber de seu envolvimento em outros dois assaltos. — Uma grávida que quase perdeu seu bebê e ficou estéril depois do parto de emergência em Massachusetts e o segurança que ficou na cadeira de rodas New Orleans.
— Mas em nenhum dos dois eu tive culpa! NÃO FAZIA PARTE DO PLANO MACHUCAR OS REFÉNS! — Tentando se levantar em vão, ele grita a última parte.
— NÃO TEVE CULPA!? SE VOCÊ ESTAVA LÁ COMANDANDO O ASSALTO COM UMA ARMA NA MÃO, ENTÃO CLARO QUE VOCÊ TEVE CULPA! — Perco a paciência com esse i****a que se acha esperto.
— Quero um advogado!
— Te aconselho contratar um muito bom, porque você vai PRECISAR! — Enfatizando bem a última palavra, pego a pasta e saio da sala satisfeito, com sua fala confirmamos que eles são o bando que estavam viajando pelo país e fazendo roubos a bancos.
Kevin vem até mim no corredor e com um sorriso triunfante e me informa que vítima que resgatamos está para receber alta do hospital, uma sensação de urgência me invade, e sendo mais forte que eu, me faz ir imediatamente para o hospital para vê-la.
Com a desculpa de colher o depoimento da bela que na verdade se chama Zoe Sanders, vou rapidamente no meu carro para o hospital, ao chegar me identifico e logo sou encaminhado para seu quarto, me surpreendo ao chegar no quarto e encontrar Zoe pronta para ir embora.
— Hum.... Com licença Zoe Anderson?!
Ela se vira e nossos olhos se fixam, uma onda de adrenalina me invade e minha respiração fica levemente irregular, um sentimento de posse me toma, sinto como se eu precisasse urgente protegê-la de tudo e todos, ao mesmo tempo percebo que Zoe também fica afetada com minha presença e após alguns instantes de silêncio ela decide esclarecer uma dúvida.
— Foi você no banco, na última sexta feira? — Ao ouvir sua pergunta percebo que não fui o único que ficou impactado com nossa troca de olhar naquele dia.
—Sim, você está bem?
— Sim estou, não vai me dizer que foi você hoje de manhã também?
Me aproximo mais um pouco, encurtando a distância entre nós, e sem perder o contato visual, a respondo.
— Sim, espero não ter te machucado, mas foi preciso, não podia deixar que te levassem.
— Não me machucou, e te agradeço, você literalmente caiu do céu naquele momento! — Rimos do seu trocadilho, mas meus olhos continuam presos aos seus, no fim de seu sorriso, Zoe humedece seus lábios coma língua, mordendo levemente seu lábio inferior, e uma vontade louca de agarra-la ali mesmo e tomar sua boca para mim sentido o sabor de seu beijo se apodera de mim, mas antes que eu tenha qualquer reação a esse desejo seu celular toca.
— Alô!.... Sim Jack, não se preocupe estou bem, vou de táxi, não mais tarde te ligo, beijos.
Arqueio uma sobrancelha e abaixo a cabeça olhando o arquivo dela em minhas mãos para disfarçar meu incomodo.
— Hãm... Namorado preocupado? — pergunto sem me preocupar como possa parecer para ela eu fazer essa pergunta.
— Quem? O Jack? Só se eu fosse homem! — Diz rindo me deixando um pouco sem graça, o que ela logo percebe.— Ele é meu amigo e estava entre os reféns, trabalhamos juntos na verdade.
— Entendi, bom já que você não tem ninguém vindo te buscar, o que acha de uma carona, podemos ir conversando sobre o que aconteceu hoje de manhã.
— Até que não é má ideia, estou cansada mesmo, será mais fácil assim não preciso ir a delegacia, não é.
— Sim, mas é bem provável que precisemos nos falar no futuro novamente.
— O que não será r**m com certeza!
Sorrio animado com seu comentário, então ela está querendo me ver novamente.
Faço um gesto para que ela passe primeiro pela porta, após passar pela recepção e assinar alguns papéis da liberação fomos para o estacionamento onde deixei meu carro, quando chegamos no carro, abro a porta para que ela entre e logo após dou a volta para assumir a direção do mesmo.
— Qual o seu endereço?
— Sério que você não sabe, com certeza você tem acesso a esse tipo de informação de qualquer pessoa.
— Sim, você tem razão, mas confesso que estava mais interessado em informações mais relevantes, digamos assim. — respondo rindo.
— Hum, como por exemplo saber se tenho namorado?!
Olho para seu rosto e a vejo corar logo assim que termina de falar, decidido a me divertir um pouco de seu constrangimento, uso minha sinceridade a meu favor.
— Sim, e não só isso, quero saber tudo sobre você, e não se preocupe, daqui para frente nos veremos bastante, provavelmente não tanto quanto eu gostaria, mas ainda sim estaremos próximos. — Despejo minhas palavras olhando em seus olhos seriamente e sem lhe dar chance de qualquer atitude ligo o carro, voltando minha atenção para direção ao colocá-lo em movimento.
— E então? Vou precisar do arquivo pra saber seu endereço? — Pergunto com a atenção ainda voltada para a direção do carro, pois estamos saindo do estacionamento do hospital.
— Na quinta avenida, número 800.
Ao ouvir o endereço meu corpo estremesse, a última vez que estive neste endereço ..... Não pode ser! Será mesmo uma coincidência?!
— Está tudo bem? Você ficou estranho de repente.
Tento disfarçar meu desconforto tentando dar uma desculpa.
— Tive um amigo que morava nesse mesmo prédio.
— Ele se mudou a muito tempo?
— Digamos que há alguns anos.
— E perderam contato?
— Sim, ele morreu infelizmente.
— Sinto muito.
— Eu também, podemos falar sobre hoje de manhã?
— Sim, o que você quer saber?
Enquanto paro no sinal olho em seus olhos castanhos que refletem sua alma e respondo.
— Tudo.