CAPÍTULO 03

1352 Palavras
Alex Walker — Isto é tudo que conseguimos sobre ele até agora, mas a Sánchez ainda está puxando mais informações, o problema é o sistema brasileiro que é lento. — Kevin me entrega uma pasta com a ficha do safado que comandou o assalto. Abro a pasta dando uma olhada rápida nas informações principais, digamos que o que já tem aqui vai deixá-lo um bom tempo preso. Olho pelo vidro que me dá total visão do homem sentado com as mãos algemadas na grossa barra de ferro fixada na mesa de uma extensão a outra e uma espessa placa de acrílico fazendo uma barreira preventiva desde a COVID-19 começou. Apesar de eu ter total visão dele, ele nem faz ideia se estou aqui nesse momento, por mais que ele já saiba a funcionalidade deste espelho a sua frente, pois sim, para o lado de dentro da sala em que ele está o vidro se torna um espelho, porém nunca sabem o exato momento em que estão sendo observados. — Hora do show! — falo me encaminhando para a porta. — Tem certeza que quer fazer isso sozinho? — Tenho, me deixa fazer o policial m*l, se minha tática falhar, você entra mediando, te dou o sinal. — Certo, estarei aqui. Vou caminhando lentamente até a sala ao lado e antes de abrir a porta respiro fundo assumindo uma postura fria e calculista, giro a maçaneta da porta adentrando a sala com a pasta na mão na página que contém as informações pessoais do indivíduo. — Thiago José, brasileiro, natural do estado de Minas Gerais, trinta e oito anos, entrou no país com vista de estudante e se casou com uma mulher 14 anos mais nova, o que te deu um green card, tenho que admitir, nesse parte você foi esperto, mas só nessa.— termino de falar jogando a pasta em cima da mesa e parando em pé a sua frente com os braços cruzados no peito. — Qual é chefia, tá me chamando de burro? Também não precisa ofender, afinal ninguém saiu ferido. — Fala o malandro se fazendo de ofendido. — Não saiu nesse roubo, mas no outros dois não podemos dizer a mesma coisa! — Ele arregala seus olhos demonstrando surpresa por eu saber de seu envolvimento em outros dois assaltos. — Uma grávida que quase perdeu seu bebê e ficou estéril depois do parto de emergência em Massachusetts e o segurança que ficou na cadeira de rodas New Orleans. — Mas em nenhum dos dois eu tive culpa! NÃO FAZIA PARTE DO PLANO MACHUCAR OS REFÉNS! — Tentando se levantar em vão, ele grita a última parte. — NÃO TEVE CULPA!? SE VOCÊ ESTAVA LÁ COMANDANDO O ASSALTO COM UMA ARMA NA MÃO, ENTÃO CLARO QUE VOCÊ TEVE CULPA! — Perco a paciência com esse i****a que se acha esperto. — Quero um advogado! — Te aconselho contratar um muito bom, porque você vai PRECISAR! — Enfatizando bem a última palavra, pego a pasta e saio da sala satisfeito, com sua fala confirmamos que eles são o bando que estavam viajando pelo país e fazendo roubos a bancos. Kevin vem até mim no corredor e com um sorriso triunfante e me informa que vítima que resgatamos está para receber alta do hospital, uma sensação de urgência me invade, e sendo mais forte que eu, me faz ir imediatamente para o hospital para vê-la. Com a desculpa de colher o depoimento da bela que na verdade se chama Zoe Sanders, vou rapidamente no meu carro para o hospital, ao chegar me identifico e logo sou encaminhado para seu quarto, me surpreendo ao chegar no quarto e encontrar Zoe pronta para ir embora. — Hum.... Com licença Zoe Anderson?! Ela se vira e nossos olhos se fixam, uma onda de adrenalina me invade e minha respiração fica levemente irregular, um sentimento de posse me toma, sinto como se eu precisasse urgente protegê-la de tudo e todos, ao mesmo tempo percebo que Zoe também fica afetada com minha presença e após alguns instantes de silêncio ela decide esclarecer uma dúvida. — Foi você no banco, na última sexta feira? — Ao ouvir sua pergunta percebo que não fui o único que ficou impactado com nossa troca de olhar naquele dia. —Sim, você está bem? — Sim estou, não vai me dizer que foi você hoje de manhã também? Me aproximo mais um pouco, encurtando a distância entre nós, e sem perder o contato visual, a respondo. — Sim, espero não ter te machucado, mas foi preciso, não podia deixar que te levassem. — Não me machucou, e te agradeço, você literalmente caiu do céu naquele momento! — Rimos do seu trocadilho, mas meus olhos continuam presos aos seus, no fim de seu sorriso, Zoe humedece seus lábios coma língua, mordendo levemente seu lábio inferior, e uma vontade louca de agarra-la ali mesmo e tomar sua boca para mim sentido o sabor de seu beijo se apodera de mim, mas antes que eu tenha qualquer reação a esse desejo seu celular toca. — Alô!.... Sim Jack, não se preocupe estou bem, vou de táxi, não mais tarde te ligo, beijos. Arqueio uma sobrancelha e abaixo a cabeça olhando o arquivo dela em minhas mãos para disfarçar meu incomodo. — Hãm... Namorado preocupado? — pergunto sem me preocupar como possa parecer para ela eu fazer essa pergunta. — Quem? O Jack? Só se eu fosse homem! — Diz rindo me deixando um pouco sem graça, o que ela logo percebe.— Ele é meu amigo e estava entre os reféns, trabalhamos juntos na verdade. — Entendi, bom já que você não tem ninguém vindo te buscar, o que acha de uma carona, podemos ir conversando sobre o que aconteceu hoje de manhã. — Até que não é má ideia, estou cansada mesmo, será mais fácil assim não preciso ir a delegacia, não é. — Sim, mas é bem provável que precisemos nos falar no futuro novamente. — O que não será r**m com certeza! Sorrio animado com seu comentário, então ela está querendo me ver novamente. Faço um gesto para que ela passe primeiro pela porta, após passar pela recepção e assinar alguns papéis da liberação fomos para o estacionamento onde deixei meu carro, quando chegamos no carro, abro a porta para que ela entre e logo após dou a volta para assumir a direção do mesmo. — Qual o seu endereço? — Sério que você não sabe, com certeza você tem acesso a esse tipo de informação de qualquer pessoa. — Sim, você tem razão, mas confesso que estava mais interessado em informações mais relevantes, digamos assim. — respondo rindo. — Hum, como por exemplo saber se tenho namorado?! Olho para seu rosto e a vejo corar logo assim que termina de falar, decidido a me divertir um pouco de seu constrangimento, uso minha sinceridade a meu favor. — Sim, e não só isso, quero saber tudo sobre você, e não se preocupe, daqui para frente nos veremos bastante, provavelmente não tanto quanto eu gostaria, mas ainda sim estaremos próximos. — Despejo minhas palavras olhando em seus olhos seriamente e sem lhe dar chance de qualquer atitude ligo o carro, voltando minha atenção para direção ao colocá-lo em movimento. — E então? Vou precisar do arquivo pra saber seu endereço? — Pergunto com a atenção ainda voltada para a direção do carro, pois estamos saindo do estacionamento do hospital. — Na quinta avenida, número 800. Ao ouvir o endereço meu corpo estremesse, a última vez que estive neste endereço ..... Não pode ser! Será mesmo uma coincidência?! — Está tudo bem? Você ficou estranho de repente. Tento disfarçar meu desconforto tentando dar uma desculpa. — Tive um amigo que morava nesse mesmo prédio. — Ele se mudou a muito tempo? — Digamos que há alguns anos. — E perderam contato? — Sim, ele morreu infelizmente. — Sinto muito. — Eu também, podemos falar sobre hoje de manhã? — Sim, o que você quer saber? Enquanto paro no sinal olho em seus olhos castanhos que refletem sua alma e respondo. — Tudo.
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