3 - Eu? Casamento?

1003 Palavras
ÁRIA BLANC O tempo todo eles estavam festejando enquanto eu apenas observava. Estavam tão desinteressados quanto eu. A maioria dos meus tios só conversava com meu pai por causa da conexão que conseguiam com ele. Bando de falsos. Tudo o que eu queria era descansar minha cabeça cansada, mas com toda a minha família respirando no meu pescoço, eu não conseguia escapar. Eu estava sentada perto da minha mãe, tomando champanhe, quando de repente algo passou zunindo por mim e logo o lugar inteiro virou um caos, com tiros vindos de todos os lados. Bem, alguém tinha um jeito especial de me receber. Eu nem tinha passado um dia aqui e já estavam planejando me matar. Os guardas entraram em ação e mandaram todo mundo se abaixar. Será que precisavam mesmo nos dizer isso? Não éramos burros. Tiros estavam sendo disparados, mas não víamos de onde vinham. — Você dá azar, só é o primeiro dia do seu retorno e a família já está sendo atacada — disse minha arqui-inimiga, Jessie. Ela encontra qualquer oportunidade para me irritar. Mesmo em uma situação como essa. Fomos transferidos com sucesso para uma sala segura, longe dos tiroteios e, felizmente, ninguém da minha família se machucou, embora eu desejasse que Jessie se machucasse. — Está todo mundo bem?! — perguntou minha mãe, enquanto se virava pela sala para garantir que ninguém estava ferido. — Quem você acha que faria isso? — meu tio perguntou, como se não estivéssemos todos juntos lá quando aconteceu. — Bem, coisas assim acontecem quando você anuncia seu retorno como uma princesa, sabendo que pode haver inimigos — Jessie falou. Por mais que ela estivesse certa, não precisava fazer parecer que eu não merecia ser tratada como uma princesa. — Você consegue calar a boca, Jessie? — rebati. Estávamos prestes a começar uma discussão quando minha mãe nos lançou um olhar furioso, e isso nos calou imediatamente. — Obrigada a todos pela recepção calorosa. Sinto muito que tenha acontecido assim, mas terei que me recolher ao meu quarto — eu disse a todos que se importavam com meu pedido de desculpas. Eu estava prestes a me retirar quando meu pai me interrompeu. — Ária, precisamos conversar. Por favor, todos nos deem licença. Ele não precisou dizer duas vezes antes que todos saíssem. Certamente passariam a noite ali e só sairiam quando tudo estivesse resolvido. Ser rico é divertido. — Sobre o que você quer falar, pai? — perguntei, virando-me para minha mãe como se perguntasse se ela sabia o que ele ia dizer, mas ela não me deu nenhuma pista. — Sua mãe e eu estávamos conversando sobre algo há algum tempo e chegamos a uma conclusão. Isso não era bom. Sempre que eles conversavam sobre algo e chegavam a uma conclusão, eu sabia que não seria a meu favor. Eles nunca me perguntavam sobre nada, se eu gostaria ou não. Tudo o que importava era que a decisão deles fosse a melhor para mim e eu não tivesse escolha. — Que decisão você tomou desta vez que eu tenho que seguir cegamente? — Não faça parecer assim, Ária. Qualquer decisão que eu e sua mãe tomarmos é para o seu próprio bem — avisou ele. — Surpreenda-me. — Estamos pensando que já é hora de você se casar. Você precisa de alguém de uma família mais forte para te proteger. — Como é?! — Eu sabia que o que quer que eles fossem dizer me surpreenderia, mas definitivamente não era isso que eu esperava. Como puderam tirar essa decisão de mim também? Agora eles iam escolher com quem eu me casaria? — Vocês dois estão falando sério? Me proteger? Quem disse que eu não posso me proteger? E quem disse a vocês que eu preciso de proteção? — Você acha que eu e sua mãe brincaríamos sobre algo assim? — perguntou meu pai, aparentemente nada impressionado com minhas perguntas. — Mas como você pôde? Como pôde fazer isso comigo? Não estou pronta. — rebati. Acabei de me formar e a próxima coisa que eles queriam era que eu me casasse? Eu tinha a sensação de que já tinham alguém planejado para mim. E achavam que ser uma garota com um pai rico era divertido. Ninguém sabe que eu sou apenas uma marionete. — Então eu tenho que aceitar o que você diz porque você acha que é melhor nem me perguntar o que eu acho? — questionei. — Você não acha que eu deveria explorar o mundo antes de pensar em me casar? — Você pode fazer isso com seu marido. Além disso, o que você precisa explorar? Nós a deixamos na América sozinha — retrucou minha mãe. Não consegui evitar a zombaria que escapou da minha boca. — Então vocês acham que a América é o fim do mundo? — Escute. Não contamos nossa decisão agora para que você pudesse ir contra nós. Só queríamos que soubesse para que não fosse uma surpresa — respondeu meu pai. — Bem, obrigada por me contar sobre a decisão de vocês sobre a minha vida. Agora que isso está definido, peço licença. Não esperei que dissessem mais nada irritante. Abri a porta e saí em direção ao quarto que eu ainda lembrava ser meu. Chutei a porta e a fechei assim que entrei. Eu? Casamento? De jeito nenhum. Eu era jovem demais para isso. Essa nem era a pior parte. A pior parte era que eu tinha que me casar com alguém que eles escolheram para mim. Alguém com quem eu nem sabia se seria compatível. Eu poderia muito bem acabar na prisão por matar meu futuro marido. Eu tenho sonhos, todo mundo tem. Mas nem todo mundo tem a sorte de realizá-los. Eu tenho tudo o que é preciso para realizar os meus, mas meus próprios pais estavam sendo um obstáculo. Meu telefone vibrou com uma mensagem. Eu o abri com relutância e vi que era de um número desconhecido. “O que você achou do meu presente de boas-vindas?”
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