— Preciso sair para uma reunião, volto antes do jantar. Informa-me.
— Tudo bem.
Passei o dia inteiro pensando em como me livrar de Samuel, e a oportunidade surgiu de bandeja. O fato de ele sair me dará algumas horas para me arrumar e sair, na esperança de voltar antes que ele note a minha ausência. Levanto-me da cama assim que ouço o som da porta fechando. Caminho devagar até o banheiro e tomo um banho. Ao sair, faço a minha maquiagem com esmero e deslizo o vestido sobre o meu corpo. Fica bem em mim, mas acentua a minha barriga.
Saio de casa às cinco em ponto e pego um táxi, prefiro não me sobrecarregar. Ao chegar, mostro o meu convite na entrada e me permitem passar. Percorro o salão com o olhar, procurando por Conrad, mas não o encontro. No entanto, avisto Joelle se aproximando com a boca aberta.
— Como isso aconteceu? Ela diz, apontando para minha barriga.
Dou de ombros, sem saber o que responder.
— É do Conrad? Ela insiste.
Um momento... Como ela sabe de nós?
— Por que eu teria um bebê do Conrad? Finjo não entender.
— Isso é rui*m, muito r*uim. Você deveria ir, Maggie. Se ela te vir, haverá um problema enorme.
— Se me vir quem?
— Sinto muito, não queria fazer isso, mas ela me obrigou a mantê-la informada de tudo. Não pensei que o seu caso com o chefe fosse tão longe. Oh, não, isso está errado, muito errado. Ela balbucia sem parar. Então ela olha para alguém atrás de mim, fica pálida e dá um passo para trás antes de desaparecer.
Viro-me procurando a pessoa que a assustou, mas não vejo ninguém. Caminho pela sala tentando localizar Conrad, mas ele continua sem aparecer. Enviei mais de dez mensagens, todas sem resposta. As horas passam e a minha frustração cresce. Os convidados se acomodam nas suas mesas para o jantar, no entanto, eu continuo esperando o pai do meu bebê. Não estou com fome, só quero falar com ele e voltar para casa.
— Atenção, senhoras e senhores. Anuncia o anfitrião. — Com vocês, o CEO, Conrad Meier.
Os assistentes aplaudem quando o veem subir ao palco. Conrad sorri, como o enganador que é, e começa a falar sobre o sucesso da empresa e os novos acordos fechados. Eu continuo de pé, esperando que ele me veja e possamos conversar.
De repente, a mulher de forte personalidade que nos visitou nos últimos meses sobe ao palco. Coloca uma mão no peito de Conrad e tira-lhe o microfone. O que está acontecendo?
— Boa noite. Ela diz. — O meu nome é Adelheid Müller, para quem não sabe, sou a esposa de Conrad.
A minha boca se abre, mas não consigo articular uma palavra.
— Esta noite não celebramos apenas o sucesso do meu marido, mas também as suas traições. Resulta que meu marido procurou fora o que já tinha em casa. De fato, a amante dele está aqui conosco. — Não é verdade, Margareth Favre?
Estou parada no meio do salão, cercada por rostos que se voltam para mim, os seus olhos carregados de julgamento e desprezo. A música suave que preenchia o ar há um momento cessou, deixando um silêncio que parece um soco no estômago. Adelheid Müller, com o seu impecável vestido de grife e o seu olhar gélido, dá um passo à frente, a sua voz ressoando com uma calma cortante que destila veneno.
— Então esta é a mulher que decidiu se deitar com o meu marido. Ela diz, cada palavra um chicote que me marca na frente de todos.
As risadas abafadas e os murmúrios crescem ao meu redor. O meu coração bate forte, e por um momento, desejo que o chão se abra sob os meus pés e me engula inteira. Mas não acontece. Estou aqui, presa neste infe*rno que jamais imaginei viver.
— Uma simples empregada que achou que poderia ascender na vida pelo caminho rápido. Continua Adelheid, dando uma volta lenta ao meu redor, como um predador espreitando a sua presa. — E ainda por cima, você tem a desfaçatez de engravidar. Que típico.
As minhas mãos tremem e me agarro às dobras da minha saia, buscando em vão uma âncora nesta tempestade. Quero falar, me defender, dizer que tudo isso não é como ela pinta, que engravidei de Conrad sem querer, passei a noite com ele sem saber o que isso implicaria. Mas minha voz está presa na minha garganta, sufocada pelo peso do desprezo dela e de todos os presentes.
Adelheid para diante de mim, o seu olhar perfurando o meu. Sinto o calor das lágrimas ameaçando brotar, mas me recuso a ceder, me recuso a dar essa satisfação a ela.
— Querida, você não é mais do que um erro. Um capricho passageiro de um homem que, no final, sempre volta para casa. As suas palavras caem como uma sentença final, selando o meu destino neste círculo de olhares cr*uéis.
O salão explode em risadas, algumas discretas, outras descaradamente zombeteiras. Miro para Conrad, buscando nos seus olhos algo, qualquer coisa que me salve dessa humilhação. Mas ele está ali, imóvel, com os lábios cerrados e o olhar perdido no chão. Não se move, não diz nada. O homem que parecia perfeito agora é apenas uma sombra do que eu achava que ele era.
E eu... eu estou sozinha.
Saio daquele lugar o mais rápido que as minhas pernas fracas me permitem. As risadas e murmúrios cruéis ainda ecoam nos meus ouvidos, por que isso tinha que acontecer comigo? Quando acho que estou longe o suficiente, tiro o meu celular da bolsa e ligo para Samuel.
— Venha me pegar, por favor. Suplico entre soluços.
— Não demoro, Maggie. Ele me promete com voz firme.
Fico de pé, confiando que ele virá. Não lhe disse onde estava, mas ele garantiu que viria, e eu acredito nele. Apenas cinco minutos depois, vejo as luzes do carro dele. Enxugo as lágrimas rapidamente e levanto-me do banco para atravessar a rua e encontrá-lo.
Tudo acontece num piscar de olhos: primeiro o som rasgante dos pneus acelerando contra o asfalto, seguido pelo grito desesperado de Samuel implorando para que eu saia do caminho. Vejo o medo refletido nos seus olhos, e então sinto: o impacto do carro contra as minhas pernas, o ar empurrando o meu corpo para cima, o golpe seco ao cair e o zumbido constante nos meus ouvidos.
Mas não há dor, nem sofrimento. Só uma paz profunda que me envolve, a mesma paz que anseio há tanto tempo. Será este o fim? Ouço a voz frenética de Samuel, abro os olhos e o vejo, desesperado, falando e pedindo algo, mas não consigo distinguir as suas palavras.
Tento sorrir, embora m*al consiga. Samuel foi a melhor coisa que me aconteceu desde a morte de Ren, e sentirei muito a falta dele. O meu olhar desvia-se para trás dele, e ali o vejo: a figura do meu irmão mais novo, sorrindo para mim com doçura. Estende a mão, convidando-me a segui-lo. Chegou a hora. Finalmente nos reuniremos.
Os meus olhos se fecham, e o tempo parece parar. Tudo se desvanece numa densa escuridão, e não há mais nada.