Elisabete olhava pela janela da pequena sala, o sol da tarde iluminava as paredes da casa e Pedro estava sentado à mesa, bebendo o seu café e comendo uma broa de fubá, mas seus olhos vez ou outra se desviavam para ela. Havia uma tensão silenciosa entre eles nos últimos dias, uma conversa não dita que pairava no ar.
Elisabete: "Pedro," ela começou, sua voz um pouco mais suave do que o esperado, "precisamos conversar sobre nós."
Pedro pousou a xícara de café na mesa com seus olhos, encontrando os dela. "Estou ouvindo, Elisabete."
Ela se virou para encará-lo, respirando fundo. Elisabete: "Eu… eu reconheço que o estilo de vida conjugal não corresponde às minhas expectativas."
Pedro respirou lentamente, sem surpresa na expressão. Ele já sentia isso há algum tempo.
Elisabete: "Eu desejo vivenciar outras experiências," ela continuou, a voz ganhando um pouco mais de firmeza. "A perspectiva de uma vida rural, construindo sonhos em conjunto… não se alinha mais aos meus anseios."
Houve um breve silêncio, preenchido apenas pelo canto de um pássaro lá fora. Pedro se levantou e caminhou até ela, parando a uma distância respeitosa.
Pedro: "Eu entendo, Elisabete," ele disse, sua voz calma e sem ressentimento. "Eu respeito sua decisão."
Os olhos dela se arregalaram um pouco. A facilidade com que ele aceitava a surpreendeu.
Elisabete : "Então… você concorda com o divórcio?"
Pedro: "Sim," ele respondeu, seus olhos fixos nos dela. "Eu concordo."
Ele fez uma pausa, um leve sorriso melancólico surgindo em seus lábios:
Pedro: "E, para ser honesto, reconheço que o relacionamento foi marcado pela ausência de conflitos significativos."
Elisabete franziu a testa ligeiramente. "O que você quer dizer?"
Pedro: "Quero dizer que não tivemos grandes brigas, grandes desentendimentos," ele explicou. "Era sempre tudo muito tranquilo, talvez até demais. Isso nos impediu de realmente nos conhecermos em profundidade, de enfrentar os desafios que nos fariam crescer juntos."
Ela pensou nas palavras dele e percebeu que havia uma verdade ali. A calmaria excessiva tinha sido, paradoxalmente, um sinal de que algo estava faltando.
Elisabete:"Eu lamento que tenha chegado a esse ponto, Pedro," ela disse, um toque de tristeza genuína em sua voz.
Pedro: "Eu também, Elisabete", ele respondeu. "Mas talvez seja para melhor. Para nós dois."
Ele estendeu a mão e gentilmente tocou o ombro dela. "Espero que você encontre o que procura. E que seja feliz."
Elisabete sentiu uma pontada de emoção. Apesar de tudo, havia um afeto verdadeiro entre eles, um respeito mútuo que persistiria mesmo com o fim do casamento.
Algumas horas depois , Elisabete se despediu de Pedro com uma lágrima solitária escorrendo pelo seu rosto.
Elisabete: "Você também, Pedro. Que você também encontre a sua felicidade."
Elisabete saiu fechando a porta com um olhar triste deixando Pedro para trás.
O que a vida reserva para Pedro ... Você saberá nos próximos capítulos