A notícia do término atingiu Estela como um golpe, desestruturando-a completamente. Ao ouvir as palavras de Pedro, que confirmavam o fim do relacionamento, uma fúria desesperada tomou conta dela. A indignação e a dor se misturaram em um coquetel tóxico. Em um ato impulsivo e sem pensar nas consequências, ela buscou refúgio na escuridão do desespero.
Mais tarde naquele dia, a cena que se desenrolou foi de puro terror. Pedro recebeu uma ligação do pai de Estela com a voz tomada pelo pânico.
"Pedro, você precisa vir para cá! A Estela... ela fez uma loucura!" A voz do pai da Estela m*l continha o desespero.
Pedro, atônito, pegou as chaves da sua moto, com o coração batendo descompassado. Chegou à casa de Estela em poucos minutos, encontrando uma cena chocante. Estela estava caída no chão da cozinha, inconsciente, um forte cheiro de produto de limpeza pairando no ar. Um recipiente de amônia, vazio, estava ao lado dela.
Pedro, ágil e corajoso, já a socorria. Ele havia presenciado o ato impensado dela e, sem hesitar, iniciou os primeiros socorros.
Pedro: Ela ingeriu amônia, vou levá-la para o hospital de Manhuaçu.
O trajeto até o hospital foi uma corrida contra o tempo. Pedro com uma determinação impressionante, realizava respiração boca a boca em Estela, enquanto o motorista dirigia o mais rápido que podia, as sirenes da ambulância ecoavam pela estrada afora. Cada segundo era crucial. Graças à intervenção rápida e decisiva de Pedro, Estela chegou ao hospital com sinais vitais fracos, mas presentes.
Os dias seguintes foram de angústia e incerteza. A família e Pedro revezavam-se no hospital, aguardando notícias. Vinte dias de silêncio e esperança, até que, finalmente, a notícia tão esperada chegou: Estela havia recuperado a consciência e a fala.
Pedro correu para o quarto dela, sentindo um misto de alívio e apreensão. Estela para Pedro e com a voz ainda fraca.
"Pedro...", ela começou, a voz trêmula, "Se você me deixar... eu juro que faço de novo. Eu não consigo viver sem você."
Aquelas palavras gelaram o sangue de Pedro. Não era uma súplica, mas uma ameaça velada, um grito de desespero que o colocava contra a parede. Diante da extrema fragilidade emocional de Estela, e da clara ameaça de suicídio, Pedro se viu em um dilema terrível. O que era para ser um alívio pela recuperação, transformou-se em um fardo ainda maior.
Preocupado genuinamente com a saúde mental de Estela e com o peso de uma possível tragédia em sua residência, Pedro tomou uma decisão que o consumiria por dentro: ele optou por permanecer na relação por mais um ano. Não era por amor, pois seus sentimentos por Estela haviam se extinguido completamente. Era por uma responsabilidade dolorosa, uma tentativa de protegê-la de si mesma.
Assim, Pedro e Estela estabeleceram uma convivência sob o mesmo teto, um relacionamento que existia apenas no papel, movido pela sombra do medo e da culpa, e não pelo afeto.