O Herdeiro das Cinzas

1398 Palavras

Dez anos depois da noite em que o inferno engoliu Palermo, a cidade continuava respirando sob cinzas invisíveis. As ruínas da mansão Valente tinham sido cobertas por vegetação, mas ninguém ousava construir nada ali. Diziam que, nas madrugadas sem lua, ainda se ouviam tiros e o choro de uma mulher. A poucos quilômetros dali, numa vila à beira-mar chamada Montelupo, uma mulher conhecida como Mira Duarte abria o pequeno ateliê de costura onde trabalhava. Os dedos ágeis, a expressão serena. Mas quem olhasse mais de perto veria que, por trás da calma, havia um medo que nunca dormia. O relógio marcava sete e meia quando um garoto alto, de cabelos escuros e olhos cor de mel, entrou apressado pela porta. — Mãe! — gritou. — Eu me atrasei pro colégio! Mira sorriu sem levantar o olhar da cost

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