Roma nunca dormia — apenas trocava de rosto. Os becos respiravam segredos, as avenidas escondiam pecados sob o brilho das vitrines. E no subsolo de um teatro antigo, um homem reconstruía o inferno com as próprias mãos. Chamavam-no de Don Lucero. Para alguns, era um nome inventado. Para outros, um fantasma. Mas ninguém sabia que por trás das cicatrizes e do olhar de aço havia um homem que já teve tudo — e perdeu o que importava. Lorenzo Valente estava vivo. A explosão em Palermo não o matara. Matara apenas o nome, o rosto e o passado. Os ferimentos o deixaram entre a vida e a morte por semanas, e quando finalmente abriu os olhos, não se reconheceu no espelho. A pele marcada, a voz rouca, metade da mandíbula substituída por metal. O médico que o salvara o chamara de milagre, mas

