O Despertar do Trio

715 Palavras
Um drone sobrevoando a floresta ao amanhecer. Pegadas recentes na trilha que apenas eles conheciam. Um som metálico no celeiro, mesmo quando todos estavam dormindo. Gabriel foi o primeiro a notar o padrão. Ele começou a deixar pequenas armadilhas, dispositivos de alarme rudimentares. Quando um deles foi desativado com precisão cirúrgica — e sem disparar — ele soube: alguém os estava observando. Helena, que sempre confiou nos próprios instintos, passou a dormir com uma adaga sob o travesseiro. Elaine… voltava a pintar compulsivamente. Quase como se estivesse tentando capturar, nas telas, o pressentimento que apertava seu peito. A mensagem de Rafael não havia sido a única. Outras começaram a aparecer. Bilhetes presos em pedras jogadas na varanda. Uma rosa seca dentro da caixa de correspondência — o mesmo símbolo usado por Victor em antigos rituais de intimidação. E então… uma fotografia. Era de Elaine. Tirada de longe. Sozinha na trilha. E no verso, apenas três palavras: "Eu ainda vejo." Helena ficou pálida. Gabriel quase quebrou a moldura de raiva. Mas Elaine… Elaine não disse nada. Apenas guardou a foto em uma caixa trancada com outras memórias. Rafael, em uma chamada cifrada, confirmou o que temiam: Victor havia deixado mais do que dinheiro e influência para trás. Ele havia deixado um herdeiro. Não um filho biológico. Mas um aprendiz. Dante. Um nome sussurrado entre as sombras. Um antigo protegido de Victor — treinado, moldado e depois… descartado. Um gênio tático com tendências sádicas. Obcecado por concluir o que Victor começou. Mas ao contrário do antigo mestre, Dante não desejava o império. Ele queria ruína. Queria os corpos. Queria sangue. E queria fazer do sofrimento… arte. Enquanto Rafael e Arthur mantinham o império sob controle, Dante se infiltrava nas rachaduras. Comprando informantes. Silenciando aliados. Montando uma rede nas sombras, onde cada passo do trio era observado. E pior: ele queria usar o elo emocional entre todos eles — o amor, o desejo, os ciúmes m*l resolvidos — como armas contra eles mesmos. "Vou quebrá-los por dentro. Um por um. Até que me implorem para morrer." Essa foi a última mensagem interceptada por Rafael. E ele sabia que Dante estava perto. Muito perto. Naquela noite, depois de mais uma mensagem enigmática deixada no batente da janela, Elaine acendeu uma fogueira no centro do pátio. Helena sentou-se ao lado dela. Gabriel ficou em pé, os olhos atentos à escuridão. Elaine segurava uma pintura nova nas mãos. Queimou-a em silêncio. — "É hora de parar de se esconder." — ela disse, firme. Helena assentiu. Gabriel apertou os punhos. O jogo recomeçaria. Mas desta vez… não havia planos de fuga. Desta vez, o trio lutaria. E quando o passado voltasse a bater à porta… Eles estariam prontos para responder. Na madrugada seguinte, enquanto a neblina ainda se arrastava preguiçosa pelos campos ao redor da fazenda, um som cortou o silêncio: um estouro seco. Não era um tiro. Não era um animal. Era a cerca elétrica da parte norte… desativada. Gabriel, já em alerta, foi o primeiro a sair da casa com a arma em punho. Helena surgiu atrás, silenciosa como um espectro. Elaine demorou segundos para vestir um casaco e seguir os dois. Na beirada da cerca, encontraram um pacote. Envolto em tecido de linho preto, com um laço vermelho-sangue. Gabriel hesitou. Helena se abaixou e abriu com cuidado. Dentro: uma fita cassete. — Isso é algum tipo de piada? — Gabriel perguntou, franzindo a testa. — Não — disse Elaine, os olhos fixos na fita. — Isso é arte. Arte perversa. Ele está nos provocando. De volta à sala da casa, colocaram a fita em um velho toca-fitas que Gabriel encontrou no depósito. A gravação começou com estática… e depois, uma voz distorcida: — “Vocês dançaram tão bem o primeiro ato... o amor, o desejo, o caos. Agora, a plateia quer sangue.” — “Victor errou ao querer controlar vocês. Eu não quero controle. Quero quebra-los. Um por um. E vou começar por quem tem mais a perder…” [silêncio. então o som de uma risada baixa, mecânica.] — “Nos vemos em breve, ruiva.” Elaine empalideceu. Helena passou a mão pela cintura da amante com força, como se tentasse protegê-la do próprio som. Gabriel não disse nada. Apenas fechou os olhos e deixou o ódio crescer...
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