Na mesma noite, uma chamada codificada foi feita. Rafael atendeu. Seus olhos se estreitaram ao ouvir a gravação, que Elaine reproduziu em um segundo celular.
— Ele fez o primeiro movimento — disse Rafael. — Agora é nossa vez.
— Ele sabe demais — respondeu Gabriel. — Estamos expostos. Precisamos nos mover.
Rafael fez uma pausa. Do outro lado da linha, Arthur ouvia em silêncio.
— Não voltem para a cidade — Rafael disse. — Pelo menos não agora. Ele quer isso. Quer cercar vocês. Vamos atraí-lo para nós.
— Como? — perguntou Helena.
— Comigo e Arthur como isca — Rafael respondeu. — O império está se expandindo, estamos atraindo olhos. Ele vai se aproximar. Vamos rastreá-lo.
— E quando o encontrarem?
— Vocês terminam o trabalho — Rafael disse com frieza. — Vocês são melhores nisso.
Dante Observa
Enquanto isso, em um galpão industrial repleto de telas, mapas e fotos… Dante observava tudo. A fita fora apenas o começo. Ele tinha acesso às câmeras da cidade. Tinha agentes infiltrados em empresas que antes pertenciam a Victor.
Dante observava a movimentação com paciência cirúrgica. Ele sabia que seus adversários não eram tolos — cada passo teria que ser meticulosamente planejado.
Enquanto a fita cassete provocava inquietação na fazenda, e Rafael rastreava o primeiro rastro deixado por Dante na cidade, um celular vibrava no bolso de um casaco esquecido em um quarto silencioso da fazenda.
Era uma mensagem curta, codificada:
“Eles escutaram. O plano está em curso.”
Do outro lado, Dante sorriu.
— Maravilhosa, como sempre — sussurrou ele para a tela, como se pudesse ver quem havia enviado.
Na manhã seguinte, Elaine preparava café enquanto Gabriel revisava os sistemas de segurança da propriedade. Helena voltava de um breve passeio pela trilha da floresta, e seus olhos pousaram por um segundo a mais em uma camisa jogada na cadeira.
Elaine notou.
— Algum problema? — perguntou, oferecendo-lhe uma xícara.
Helena sorriu, mas havia tensão na sua voz.
— Só estou pensando... será que confiamos demais?
— Em Rafael?
— Em todos. Estamos isolados há um ano. Tudo parecia perfeito demais.
Gabriel entrou na cozinha nesse momento.
— Preciso de vocês na sala. Agora.
Minutos depois, o trio estava diante das câmeras internas da propriedade. Gabriel deu play em uma gravação da madrugada anterior, momentos após ouvirem a fita.
Na tela, alguém caminhava discretamente até a sala de Rafael — o antigo cômodo dele, que agora servia como depósito. A pessoa mexia em algo, trocava uma peça do toca-fitas, e saía.
— Quem é esse? — perguntou Elaine.
Gabriel ampliou a imagem… mas o rosto estava encoberto por um capuz.
Helena cerrou os olhos.
— Mas tem algo familiar nesse andar...
Elaine mordeu o lábio inferior. Uma suspeita lhe corroía o peito.
— Será que…?
— É alguém daqui — Gabriel cortou. — E precisamos descobrir quem antes que Dante nos leve um por um.
Rafael sentia-se inquieto. Algo no comportamento de Arthur havia mudado.
Desde que escutaram a fita, ele estava mais calado. Menos interessado nos negócios. Olhava fixamente para o telefone como se esperasse por algo.
— Você está bem? — Rafael perguntou uma noite, enquanto ajustavam os relatórios da expansão da empresa.
Arthur sorriu… mas o sorriso não chegou aos olhos.
— Apenas lembranças — respondeu. — Às vezes, elas queimam.
Rafael não disse nada. Mas anotou mentalmente a frieza no tom.
Naquela noite, depois que Arthur dormiu, Rafael entrou em seu escritório particular. Verificou o histórico dos últimos e-mails enviados, as chamadas criptografadas.
E encontrou um número desconhecido, repetido várias vezes.
Rafael fechou o laptop devagar.
— Merda...