Helena e Elaine seconhecem

1817 Palavras
Helena e Elaine se conhecem A música alta reverberava pelo clube, misturando-se ao cheiro adocicado de bebida e perfume. Elaine sentiu o olhar de alguém sobre ela antes mesmo de se virar. Quando o fez, encontrou Helena encostada no balcão, os olhos âmbar brilhando sob a luz difusa. — Você dança? — perguntou Helena, sua voz suave, mas carregada de confiança. Elaine arqueou uma sobrancelha e sorriu. — Depende do parceiro. Helena inclinou a cabeça, avaliando-a com um olhar divertido. — Sorte a minha. Eu sou excelente. O convite não precisou de mais palavras. Quando suas mãos se tocaram pela primeira vez na pista de dança, foi como se algo invisível se conectasse entre elas. O calor da pele, os movimentos sincronizados, a eletricidade no ar... Algo intenso e inexplicável nasceu ali, antes mesmo que qualquer segredo fosse revelado. A batida da música vibrava entre elas, mas o que realmente fazia o coração de Elaine acelerar era a proximidade de Helena. Os corpos se moviam no mesmo ritmo, como se já se conhecessem há anos, como se a conexão entre elas fosse algo predestinado. Helena deslizou as mãos pela cintura de Elaine, puxando-a um pouco mais para perto. O calor do toque fez Elaine prender a respiração por um segundo. — Você sempre aceita convites de estranhos? — perguntou Helena, a voz levemente rouca, próxima ao ouvido de Elaine. Elaine sorriu, um brilho travesso nos olhos verdes. — Só quando sinto que não são tão estranhos assim. Helena riu baixo, inclinando-se ligeiramente para observá-la melhor. Havia algo em Elaine que a intrigava — uma chama, uma liberdade sem esforço. — Eu sou Helena — disse ela, sua boca ainda perigosamente perto da de Elaine. — Elaine. A troca de nomes parecia quase desnecessária naquele momento. O que importava era a tensão que crescia entre elas, o mistério que se desenrolava no olhar de cada uma. Helena deslizou os dedos pelo braço de Elaine, como se estivesse memorizando sua textura. — Me diga, Elaine… — sussurrou Helena, com um sorriso que misturava desafio e sedução. — Você gosta de jogos? Elaine inclinou a cabeça, seus olhos brilhando com um misto de curiosidade e desejo. — Depende das regras. — E se eu disser que não há regras? — Helena provocou. O sorriso de Elaine se alargou. — Então, acho que quero jogar. O mundo ao redor parecia desaparecer enquanto elas se perdiam uma na outra, sem saber que aquela noite era apenas o começo de algo muito maior, muito mais perigoso… e muito mais intenso. O sol da manhã filtrava-se pelas cortinas do quarto de hotel, lançando sombras suaves sobre os lençóis amassados. Elaine despertou primeiro, sentindo o corpo relaxado, mas a mente ainda elétrica com a noite anterior. Ela se virou devagar, os olhos verdes pousando na figura adormecida ao seu lado. Helena dormia tranquilamente, os cabelos espalhados sobre o travesseiro, a respiração ritmada. Pela primeira vez, sem a intensidade dos olhares e das palavras afiadas, ela parecia vulnerável. Elaine sorriu de leve, traçando um caminho imaginário com os olhos pelos traços delicados da mulher ao seu lado. Mas então, algo chamou sua atenção. Sobre a mesa de cabeceira, meio escondido sob um maço de cigarros e uma chave de carro, havia um pequeno envelope preto. Curiosa, Elaine se inclinou e o pegou, deslizando os dedos sobre o papel antes de abrir. Lá dentro, havia uma única folha dobrada, com letras escritas à mão em tinta escura: "Cuidado com quem confia. As sombras observam." Um arrepio percorreu sua espinha. Ela levantou os olhos para Helena, que continuava dormindo profundamente. Quem tinha deixado aquilo ali? O que significava? Helena não parecia ser uma mulher comum. Havia algo nela além do charme e da sedução. Algo que Elaine não tinha percebido na noite anterior… ou que talvez tivesse preferido ignorar. Um mistério estava se desenrolando diante dela. E agora, não havia mais volta. Elaine sentiu um frio percorrer sua espinha ao reler a mensagem. “Cuidado com quem confia.” Quem teria deixado aquilo? Seria um aviso? Ou uma ameaça? Ela olhou novamente para Helena, que ainda dormia serenamente, os lábios entreabertos, o corpo envolto no lençol branco. A imagem era quase angelical, se não fosse a tensão crescente que agora preenchia os pensamentos de Elaine. Apertando o bilhete entre os dedos, ela se levantou da cama e caminhou até a janela, afastando a cortina levemente. A cidade já estava desperta, carros cruzavam as ruas, e as pessoas seguiam suas vidas normalmente. Mas para ela, algo havia mudado. — Você sempre acorda tão cedo? — A voz rouca e ainda sonolenta de Helena quebrou o silêncio. Elaine se virou devagar, guardando o bilhete no bolso antes que Helena percebesse. — Hábitos antigos — respondeu, sorrindo de leve. Helena se espreguiçou languidamente, os olhos âmbar brilhando sob a luz da manhã. — Você fugiu da cama sem se despedir. Isso não é muito educado. Elaine riu, cruzando os braços. — Quem disse que eu ia fugir? Helena a observou por um momento, como se tentasse decifrar algo nela. Então, deu um meio sorriso e se sentou na cama, puxando o lençol para cobrir os ombros nus. — O que foi? — perguntou, notando a expressão distraída de Elaine. Por um instante, Elaine hesitou. Será que deveria contar sobre o bilhete? Confrontá-la? Mas havia algo em Helena… algo que a fazia querer confiar nela, apesar do aviso. — Nada demais — mentiu. — Só estava pensando na nossa noite. O sorriso de Helena se alargou, e ela bateu de leve no colchão ao seu lado. — Então volta pra cá. Acho que a gente pode continuar de onde paramos. Elaine hesitou apenas por um segundo antes de ceder. Mas enquanto se aproximava de Helena, sentiu o bilhete queimando em seu bolso. Ela não sabia quem estava por trás daquele aviso… mas sabia que não tardaria a descobrir. E isso poderia mudar tudo. Elaine deslizou de volta para a cama, tentando ignorar a inquietação que o bilhete havia provocado. Os dedos de Helena roçaram sua pele suavemente, mas sua mente estava dividida. — Você está distante — murmurou Helena, os olhos âmbar analisando-a com intensidade. Elaine sorriu de leve, tentando mascarar a preocupação. — Só estou absorvendo tudo… Acho que sua presença me deixa um pouco distraída. Helena arqueou a sobrancelha, claramente se divertindo com a resposta. — É mesmo? — Ela se aproximou, os lábios roçando de leve o pescoço de Elaine. — Gosto de saber que tenho esse efeito em você. Elaine fechou os olhos por um instante, permitindo-se saborear aquele momento. Mas, no fundo, a preocupação ainda a corroía. Quem teria deixado o bilhete? Seria um aviso sobre Helena? Ou sobre algo maior que estava por vir? Antes que pudesse se perder mais nos próprios pensamentos, o toque do celular de Helena preencheu o ambiente. Ela suspirou, rolando para o lado e pegando o aparelho na mesa de cabeceira. — Droga… — murmurou ao ver o nome na tela. Elaine observou discretamente a mudança em sua expressão. Por um breve segundo, viu a tensão nos olhos de Helena antes que ela escondesse com um sorriso forçado. — Preciso atender. Um minuto. — Helena deslizou para fora da cama e foi até a sacada, deixando Elaine sozinha no quarto. Elaine ouviu o tom baixo da conversa, a forma como Helena falava rápido, como se estivesse argumentando com alguém. A curiosidade e a desconfiança cresceram dentro dela. Seu olhar caiu sobre a mesa de cabeceira, onde o celular de Helena havia estado antes. Ao lado, havia um pequeno caderno preto. Elaine hesitou por um momento. Mexer nas coisas de Helena poderia ser um erro… mas e se houvesse algo ali que explicasse aquele bilhete misterioso? Respirando fundo, ela estendeu a mão e abriu o caderno. O que leu naquelas primeiras páginas fez seu coração acelerar. Nomes. Endereços. Datas. E no fim da página, um único nome sublinhado várias vezes: Gabriel. Elaine sentiu o sangue gelar. Quem era Gabriel? E por que o nome dele parecia tão importante para Helena? Do lado de fora, Helena continuava falando ao telefone, alheia ao fato de que, naquele momento, tudo estava prestes a mudar entre elas. O coração de Elaine batia forte contra o peito enquanto seus olhos corriam pelas páginas do caderno. Gabriel. Quem era ele? Por que seu nome estava ali, sublinhado várias vezes, como se fosse uma peça-chave de um quebra-cabeça que ela sequer sabia que estava montando? Do lado de fora, Helena ainda falava ao telefone, a voz baixa, mas tensa. Ela caminhava pela sacada, gesticulando levemente, como se estivesse argumentando com alguém. Elaine sabia que não tinha muito tempo. Virou mais algumas páginas, os dedos ligeiramente trêmulos. Outras anotações surgiam, fragmentos de frases que não faziam sentido imediato: "Encontro marcado - ele sabe demais." "Cuidado - riscos maiores do que imaginávamos." "V. está cada vez mais perto." Elaine franziu a testa. "V."… Seria Victor? O mesmo homem que agora os perseguia? Antes que pudesse processar mais, o barulho da porta da sacada se abrindo fez seu corpo reagir. Num impulso, fechou rapidamente o caderno e o colocou de volta no lugar, fingindo estar apenas esticando os braços na cama. Helena entrou no quarto, a expressão fechada. Seus olhos âmbar pousaram em Elaine, avaliando-a por um instante. — Tudo bem? — perguntou Helena, sua voz suave, mas carregada de algo que Elaine não soube definir. Elaine forçou um sorriso. — Sim. Só estava esperando você voltar. Helena permaneceu em silêncio por um segundo a mais do que o necessário, depois suspirou e se jogou ao lado dela na cama. — Precisamos sair daqui — disse, encarando o teto. A declaração pegou Elaine de surpresa. — O quê? Por quê? Helena virou a cabeça para encará-la. — Eu… recebi informações. Acho que não é seguro ficarmos nesse hotel. Elaine sentiu um calafrio percorrer sua espinha. A conexão com o bilhete misterioso era óbvia. — Informações sobre o quê? — perguntou, tentando soar despreocupada. Helena hesitou. — Sobre Victor. Ele está se movimentando. Ele pode estar mais perto do que pensamos. O nome dele fez um nó se formar no estômago de Elaine. — Então, para onde vamos? Helena suspirou, passando uma mão pelos cabelos. — Para um lugar onde podemos encontrar… um velho conhecido. Elaine sentiu a tensão em cada palavra de Helena. — Você está falando de Gabriel, não está? — perguntou, testando a reação dela. Helena ficou imóvel por um breve segundo. Depois, seu olhar se estreitou levemente. — Onde ouviu esse nome? O ar no quarto pareceu ficar mais pesado. Elaine manteve a expressão neutra, mas sabia que, naquele momento, Helena estava analisando cada mínimo detalhe de sua resposta. A confiança entre elas, construída na noite passada, agora pendia sobre uma linha perigosa. E Elaine precisava descobrir, rápido, se Helena era sua aliada… ou outra peça nesse jogo mortal.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR