Alexandre
- Que c*****o aconteceu com você? - o Marcelo diz assim que entro em casa.
- Relaxa, estou de boa
- Sua cabeça está sangrando
- Não é a cabeça não, eu cortei minha testa - falo me jogando no sofá.
- E porque caralhos você está assim?
- É isso que eu vou descobrir, tem algum filho da p**a armando contra a gente e eu vou
descobrir quem é - sinto o sangue do meu rosto pingar na minha perna.
-Pera, deixa eu pegar alguma coisa para tampar isso aí - fala subindo as escadas.
Quem será? quem sabia que teria entrega de carga hoje? só de imaginar meu pai falando m***a no meu ouvido eu já fico mais raiva ainda.
- Achei só isso
- Minha mulherzinha vai cuidar de mim é? - falo brincando e ele me dá o dedo do meio me fazendo rir.
- Vai se fuder, se vire sozinho - pego uma gaze que está na caixa e coloco pro sangue não ficar caindo.
-Que cuidadora brava
- Vai se fuder, e a carga?
- Adivinha? explodiu a p***a toda, a gente conseguiu recuperar duas ou três, um fogo do c*****o, a gente não tinha nem o que fazer ali, e as armas que recuperamos nem sei se estão danificadas ou não.
-Você acha que é alguém de dentro de vocês né ?
-Isso é óbvio, meu pai com certeza abriu a boca pra alguém, ele sempre abre se gabando, se fudeu.
- Você se fudeu
- Eu mesmo não, a compra não foi diretamente comigo, só vou ouvir m***a do meu pai.
- Você não disse que um capitão de marinha ia fazer a boa lá?
- Uma carga não substitui a outra, essa aí que está vindo é pra outra galera.
- Cara não é por nada não, mas sua blusa está manchada de sangue - olho e realmente, levanto a camisa e tem um corte abaixo do peito.
- Que m***a
- Como você não sentiu um corte desse tamanho no corpo? Vai tomar um banho vai, você está sujo, sangrando, vai limpar isso.
- Viu esposa, depois você sobe pra fazer um
curativo - falo subindo as escadas e sinto uma almofada em mim e ele me xingando inteiro e dou risada.
Assim que entro no quarto meu celular toca e até demorou.
* QUE c*****o VOCÊ FEZ SEU FILHO DA p**a
* Armaram pra gente pai
* E você foi otario e caiu igual um pato, você é um Gongof ou não c*****o, olha quanto dinheiro a gente perdeu nessa sua irresponsabilidade, e saiba que você que vai custear, quero nem saber, esse prejuízo vai sair do seu bolso.
Diz e desliga na minha cara
- INFERNOOO - nem calculo nada só sinto o celular na parede.
Catherine
Está eu, minha mãe, minha futura sogra e o Alexandre, hoje é o dia que vamos escolher os funcionários para a nossa casa.
O Alexandre está com o rosto machucado e ele parece bem chateado com alguma coisa, e está mais quieto que o normal.
- Bom dia, nome e idade por favor - estamos com mais de trinta currículos na mão.
- Selma, 43 anos
- Quantos anos você tem de
experiência? - questiono.
- Comecei a trabalhar quando tinha 12 anos senhora e oficialmente aos 17.
- Porque você acha que merece a vaga? - o Alexandre pergunta pela primeira vez, eu odeio essa pergunta.
- Eu tenho muitos anos de experiência, e sei fazer com excelência minha função, e eu sei muito bem meu lugar.
- Qual seria o seu lugar? - questiono.
- De empregada, sei até onde meu pé alcança- dou um sorriso, não pela resposta... mas porque nunca tinha ouvido alguém dizer em uma entrevista que não se mete nas coisas do patrão.
- Certo Selma, a gente da um retorno - ela se
retira - Iai? - falo com o Alexandre.
- Eu dou um 7 - ele diz
- Eu gostei dela, dou um 8
(...)
Já estamos a mais de 2 horas aqui e não para de chegar gente, eu não aguento mais, eu e o Alexandre não concordamos em nada, somente a primeira que concordamos, o resto tudo ele gosta e eu detesto, e o mesmo ao contrário, isso já me dá uma prévia de como vai ser essa relação.
Então minha mãe e a mãe dele estão "pontuando" também os candidatos.
- Qual sua idade mesmo Ágatha ? - minha mãe pergunta.
- 22 anos
- Porque você acha que merece trabalhar com a gente? - Alexandre pergunta.
- Ah - ela abre o um sorriso e passa a mão no cabelo, sério? não é possível e ainda por cima olhando pro Alexandre, sim ... ela fez isso - Eu creio que eu possa agregar muito no desempenho da casa e tenho muito a oferecer - diz e sorrir.
- Obrigada Ágatha - falo e ela continua
sentada - pode ir, qualquer coisa entramos em contato.
- Certo, tchau - agora ela levanta e sai.
- Eu gostei dela - o Alexandre diz e nós três olhamos pra cara dele.
- Dou um 4, sendo bem otimista - falo
- Eu um 3 - minha mãe diz.
- E eu um 2, nem experiência ela tem pra dar um balanceada no resto - a mãe dele diz.
- Pra mim é um 7 - ele diz e reviro os olhos.
Estamos agora na última categoria que é segurança e motorista, já entrevistamos 4 e o Alexandre deu nota alta para todos, eu não gostei muito.
- Bom dia - o homem que parece ter no mínimo 2 metro de altura, entra na sala.
- Geovane? - falo com o currículo dele na mão, eu estou dando muita bola, prefiro ouvir o que a pessoa tem a dizer.
- Isso, Geovane Pereira
- Você está com uma recomendação aqui Geovane, fala um pouco de você.
- Tenho 34 anos, sou policial militar a 15 anos, mas estou fora de serviço, sou capoeirista e faixa preta em judô, Jiu-jítsu e faço boxe a 10 anos.
- E você está fora de serviço
porque? - pergunto.
- Por conta de uma operação que participei e acabei perdendo um amigo de farda de uma forma bem triste, e resolveram me afastar, por conta da forma que foi.
- E você acha que tem capacidade de trabalhar com a nossa família? já que está tão abalado - O Alexandre fala no tom mais irônico que ele consegue e o Geovane dá uma risada.
- Modéstia parte senhor, eu sou muito bom no que eu faço e fui afastado para seguir protocolo, e não por incapacidade ou “está abalado” como o senhor sugeriu, então sim, estou mais que capacitado para esse cargo - gostei dele.
A entrevista termina e chegou nosso momento de votar.
- Ele vai ser meu motorista e segurança, decidido - falo.
- E quem está afirmando isso? - o Alexandre diz em tom de desafio.
- Catherine Boaventura a dona dessa
casa - digo olhando para ele que revisa o olho.