Ouço sons de pássaros cantando alegremente, junto à isso, o sol bate no meu rosto fazendo-me recuar para o mais longe possível. Deveria ter fechado a janela quando eu cheguei, ao afastar-me esbarro algo macio, abro os olhos totalmente confusa e tenho belo vislumbre de Deus grego deitado junto a mim. Opa... Eu não estou na minha cama e muito menos no meu quarto. As lembranças voltam de forma fragmentada.
Dylan.
Conheci Dylan na balada.
Fui para a casa dele.
Tive uma noite maravilhosa com ele.
Dylan.
Espreito o rosto dormindo pacificamente ao meu lado, num sono profundo e tranquilo. Nos dois estamos cobertos até os ombros, escondendo a nossa nudez. O meu desejo no instante é tirar esse pano fino de cima dele, e admirar cada pedacinho do seu esplêndido corpo de anjo, um sorriso preenche meus lábios quando os fragmentos finalmente se encaixam. A noite com certeza será inesquecível, pelo menos para mim.
O braço de Dylan aconchega-me agarrado a minha cintura. Preciso sair daqui, tenho que ir embora, afinal de contas, não se sabe qual será a reação dele ao me ver. Empurro-o devagar até eu estar livre para levantar, com todo cuidado possível deixo a cama, encaro o meu lugar vazio lamentando muito não poder estar ali, abraçada naquele corpo maravilhoso, sentindo o perfume madeirado penetrar nos meus sentidos.
Procuro minhas roupas, e logo um lapso de memória faz-me lembrar que não conseguimos nem chegar no quarto, então está na cozinha. Abro o guarda-roupa de Dylan, e pego a primeira camiseta que encontro, dou uma última olhada no homem dormindo antes ir à cozinha. O sol forte causa-me uma cegueira momentânea, uma dor de cabeça alucinante atinge meu cérebro, esfrego os dedos na testa como se fosse algum tipo de remédio.
Reencontro meu vestido no chão, em frente ao fogão, o meu salto na porta, e a única coisa que não encontro é minha calcinha. Agacho sobre o chão, olhando debaixo dos móveis da cozinha. Droga! Onde está?!
- Bom dia, Sophia.
Ao ouvir sua voz, minha cabeça se vira para ele. Dylan observava-me enquanto eu vasculhava em baixo dos móveis, ele estava ali a um bom tempo, tenho certeza. Apresso em levantar.
- Bom dia, Dylan. — cumprimento ficando vermelha.
A vergonha toma meu corpo ao notar que ele apenas veste uma cueca boxe apertada, forço os meus olhos a focarem no meu vestido.
- Dormiu bem? — ele pergunta indo a geladeira.
Ele está tão a vontade comigo, que até aparenta que nos somos um casal de namorados tradicional, acordando numa manhã de domingo com vários planejamentos para realizar ao longo do dia. Dylan volta a olhar-me, estranhando a minha falta de resposta.
- Sim, dormi muito bem e você?
- Estou de ressaca, mas imagino que você esteja pior. — ele sugere erguendo a sobrancelha.
Nunca mais bebo assim, ele poderia ser um maníaco e eu teria a chance de estar morta agora, minha falta de imprudência me assusta.
Mas, graças ao bom Deus, Dylan parece ser uma pessoa íntegra. Sento no banco de frente a ele.
- Só um pouco de dor de cabeça, mas nada além disso. — respondo e sem conseguir evitar, fito os músculos bem definido de seu abdômen.
Como eu consegui ter uma noite com um homem desses? Ele sorri ao me flagrar secando seu corpo.
- Quer remédio?
- De que? — pergunto confusa.
- Para a dor de cabeça. — fala se divertindo com a minha confusão.
- Não, não obrigada. Eu... Eu... — respondo constrangida. Foi um mico atrás do outro hoje. — Preciso ir, posso usar seu banheiro para me trocar?
Dylan ergue a sombrancelha e recolhe duas canecas de café com leite, que o mesmo preparou enquanto eu estava o admirando trabalhar.
Ele da a volta no balcão, ficando a centímetros de mim. Mordo os lábios, esforçando-me a manter minha respiração regular, Dylan não está facilitando nem um pouco.
- Relaxa, não sou nenhum serial killer. — brinca estendendo uma das canecas. — Toma pelo menos uma caneca comigo, aí te levo pra casa.
Apanho a caneca e só aí noto o quanto estou com fome, tento tomar aos poucos para não dar tanto na cara. Dylan se senta ao meu lado, se divertindo com a minha timidez.
- Você estava tão falante ontem. — comenta concentrado em meu rosto.
Ontem eu tava muito bêbada, pois se estivesse lúcida, não estaria aqui na casa de um estranho.
Tomo o último gole da caneca. Os olhos verdes de Dylan estão dilatados, sua linguagem corporal indica alta tensão nos músculos. Ele quer se aproximar, sinto isso.
- Estava comemorando ontem. — eu compartilho sendo sincera. — E acabei exagerando na bebida, o que claramente foi um erro.
Seus olhos se estreitam e o seu corpo recua, minhas palavras foram como um tapa em seu rosto. Basicamente, ele entendeu que me arrependi da noite passada, eu entenderia a mesma coisa se estivesse em sua posição.
- O que estava comemorando? — pergunta na tentativa de quebrar o gelo.
Deveria ter guardado para mim, agora ele está mais distante.
- Vou começar a minha pós graduação amanhã. — respondo feliz ao me lembrar das minhas conquistas.
Dylan repousa a caneca na banqueta, se voltando para mim na sequência. Seu olhar busca algo em mim, algum tipo de arrependimento, ou até mesmo algum sinal de desespero.
Ele acha que quero ir embora, mas a realidade é que eu nem queria ter saído da cama.
- Temos aqui uma mulher estudiosa. — observa num tom gentil. — Parabéns.
- Eu não quis dizer que me arrependo por ontem. — me explico ignorando seu elogio, tentando fazê-lo e entender meu ponto de vista. — Você a de convir comigo, foi suicida eu sair com um estranho que conheci na balada, e ir direto para a casa dele... Mas, eu não me arrependo da noite anterior.
Dylan levanta do banco e se posicionando em minha frente.
- Você está certa. — declara olhando nos meus olhos. — Mas, se você acha que foi um erro a noite anterior, não precisa mentir, e fique tranquila faço questão de te levar para casa.
Ao se virar minhas mãos agarram seu braço, ele para no meio do caminho.
- Se existia algum arrependimento, agora não existe mais...
Dylan segura meu rosto entre as mãos e me beija, mas que beijo. Uma chama instantâneamente começa no meu interior, e vai se alastrando com fogo e pólvora. Dylan passa os braços por de baixo de minhas pernas me erguendo, seus lábios que antes eram gentis agora são possessivos, e é claro que da minha parte não é diferente.
Entrelaço minhas pernas em sua cintura, fazendo ele gemer.
- Estou ficando viciado em você. — declara entre os lábios.
Suas palavras funcionaram como um catalisador.
Me afasto abruptamente de seus lábios, Dylan me olha cheio de desejos, e aos poucos a confusão se espalha por seu rosto com a quebra de contato. Desço do banco e me agacho na sua frente, abaixo sua cueca e seu m****o pula para fora, rígido e pingando. Lanço um último olhar para ele e começo a trabalhar, faço movimento de vai e vem lentamente.
- Sophia... Deus... — ele murmura se deliciando.
Aumento o movimento e uso minha mão para auxilar, Dylan projeta o quadril para frente, para eu ter o melhor aproveitamento possível.
Beijo a cabecinha e ao voltar com ele na boca, intensifico ainda mais os movimento dando uma leve mordiscada na cabeça.
Dylan se afasta me pegando no colo, seus passos rápidos me levam para a sala de estar. Ele repousa o meu corpo sobre o sofá, e some entre minhas pernas, logo sinto sua língua brincar com o c******s, mordo os lábios ao sentir a sensação penetrar meu íntimo, subindo pelas minhas costelas até o fundo da minha alma.
Sinto seu dedo afundar em mim, e sua língua deslizar suavemente fazendo movimentos torturantes, ele deposita um pequeno beijos no meu c******s e volta a trabalhar.
Isso foi demais para mim.
- Você vai me fazer gritar. — aviso segurando os cabelos dele.
Ele ergue a cabeça e um sorriso malicioso cresce nos lábios.
- Grite, mas quando gritar, grite meu nome. — pede volta me lamber.
Ele introduz mais um dedo aumentando discretamente a velocidade.
Antes de chegar ao meu ápice, ele para fazendo meu corpo reclamar, ignorando meus gemidos frustrados Dylan sobe beijos, coxas, barriga, p****s, ombro e ao chegar no pescoço, seu m****o me penetra de uma vez.
- Ah! — gemi alto.
Ele beija minha mandíbula, e finalmente seus lábios capturam os meus, e em nenhum momento Dylan para de fazer os movimentos de vem e vai.
Ele pega minha cintura e afunda com tanta profundidade, que consigo sentir seu m****o por inteiro, e foi o que bastou. Uma onda de tremedeiras invadem os músculos das minhas pernas, e um calafrio toma meu corpo. Jogo a cabeça para trás, extasiada. Minha mente está em um branco total.
- Dylan! — exclamo sendo atingida pela onda de prazer.
Dylan chega ao pico junto comigo, ele levanta a cabeça olhando em meus olhos. Pego seu rosto entre as mãos e o beijo, foi um beijo gentil e de certa forma carinhoso, a resposta dos seus lábios é imediata, de repente quero tudo de novo quero poder refazer, em todos os cômodos da casa, mas já fiquei tempo de mais, preciso ir.
Ele levanta do sofa e me ajuda.
- Onde fica o banheiro, Dylan? — pergunto indo pegar meu vestido que deixei cair na cozinha.
- É a porta do lado do quarto. — responde vestido a cueca.
Corro ao banheiro e me sento no vaso. Preciso me recompor, ainda estou alterada, e pensando em como vim parar com esse homem. Se eu tivesse uma bola de cristal, teria ido atrás dele quando Nancy o notou na balada. Dylan é simplesmente inesquecível, sem dúvida o melhor amante que já tive. Quero conhecê-lo melhor. Preciso reencontrar ele, nem que tenha que caçar ele pela cidade toda.
Termino de me trocar deixando pra lá a questão da calcinha. Confiro o celular e duas coisas me assustam, o fato de ser 4 horas da tarde, e as várias ligações perdidas tanto de Nancy quanto de Derek.
Saiu do banheiro e volto a sala, fico sentada esperando Dylan aparecer. Respondo Nancy e Derek dizendo que estou bem e peço para que me encontrem na minha casa. Espero que não tenham chamado o FBI.
- Antes de irmos. — Dylan fala entrando na sala. — Gostaria de te perguntar uma coisa.
Dylan está tão perfeito em sua vestimenta, a camiseta polo vinho destacam seus músculos, que por sinal, não é exagerado como o pessoal de academia, é no ponto certo. Mordo os lábios, descendo os olhos pela sua calça jeans preta e seu sapato esportivo também preto.
Retorno minha atenção em seu rosto, ele se escora na parede de frente a mim. Dylan aparenta estar nervoso, esfregando a ponta dos dedos freneticamente uns nos outros. Ergo as sobrancelhas ansiosa pelo o que tem a dizer.
- Você quer sair comigo amanhã? Queria muito te conhecer melhor, consigo sair do meu trabalho mais cedo. — ele pergunta com sorrisinho de canto. — Se tiver algo a fazer amanhã, eu entendo, afinal de contas é segunda-feira.
Penso por alguns instantes, a ideia me agrada muito e sinto meu coração palpitar ao pensar em encontrá-lo. Após uma breve reflexão, acabo cedendo, a manhã é o meu primeiro dia na pós, não terá problema nenhum se eu matar uma ou duas aulas no final do período.
Dylan espera paciente uma resposta minha.
- Claro, que horas mais ou menos? — minha pergunta arranca um sorriso de seus lábios.
- Pode ser as duas da tarde? Na lanchonete em frente a boate.
- Sim, perfeito.
Nós sorrimos juntos, cada um em sua bolha particular de pensamento.
Saímos da casa e assim que chego no carro, ele abre a porta com um perfeito cavalheiro. O carro se movimenta suavemente pelas ruas, vou lhe guiando o caminho para minha casa.
- Pode estacionar aqui, Dylan. — lhe oriento.
Ele para na calçada em frente a minha casa. Viro-me para Dylan e uma estranha sensação de saudade, arrebata meu coração. Como se lê-se meus sentimentos, ele me puxa para um beijo longo e delicado, seus dedos gentis acariciam minha bochecha fazendo-me tremer.
- Nós vemos amanhã, amor.
A palavra "amor" fez todo o meu corpo inflamar, o fogo que sobe em meus sentimentos é absurdo. Agarro seus cabelos sem querem me soltar dele.
- Até amanhã, lindo.
Beijo seus lábios pela última vez, e antes que eu não consiga mais sair, apresso-me a abrir a porta do carro. Ele ri com a minha presa.
Aceno para Dylan e ele vai embora.
Que situação interessante, eu Sophia rendida a um homem que conheci ontem, rio sozinha e me viro para entrar em casa. Tomo um bom e longo banho, imaginando como seria se Dylan estivesse aqui junto a mim. Seus dedos acariciando meus s***s, os lábios me devorando cheios de paixão, quando estou prestes a chegar ao meu clímax ouço a campainha.
Deve ser os meus amigos, saiu do chuveiro e visto um pijama curto. Abro a porta e Derek entra sem prévio aviso. Ele está nervoso e preocupado.
- Você é louca só pode. — fala se sentando no sofá.
Vamos lá, eu mereço.
- Me desculpe, eu acabei acordando muito tarde. — falo me acomodando ao seu lado.
Ele balança cabeça chateado.
- Achei que tinha acontecido o pior. — fala bravo.
- Ei, eu estou aqui. Tô bem. — falo segurando a mão dele.
Derek se aproxima e me abraça, aos poucos ele vai baixando a guarda.
- Quer alguma coisa pra beber? Ou comer? — pergunto ao me afastar.
Antes dele responder, levanto correndo e pego uns sanduíches caseiros que eu tinha feito, seguro embaixo do braço uma garrafa de Coca-Cola e dois copos. Levo para a sala com cuidado.
- Agora coma. — lhe ordeno e ele não hesita em se servir.
- A noite deve ter sido boa, hein? — ele comenta.
Um sorriso escapa meus lábios, ao me lembrar.
- Ele é maravilhoso. — comento mordendo um sanduíche.
Derek se diverti com a minha cara de paisagem.
- E como foi a sua? Conseguiu se livrar da louca? — pergunto me lembrando da garota que Derek deu um perdido.
Ele se encolhe como se tivesse relembrando algo muito doloroso.
Aconteceu alguma coisa.
- O que foi? Me conta. — pergunto preocupada.
Eu nunca o vi assim, vejo seu corpo se recolher ainda mais ao ouvir a campainha.
- Não vai sair daqui até me contar, ouviu? — lhe garanto.
Abro a porta me deparando com Nancy. Ela bate palminhas e me abraça. Isso eu não esperava.
- Ganhou a aposta, amiga! Quero saber de tudo! Não me polpa os detalhes! — ela pede animada.
Esperava que ela fosse ficar nervosa pela falta de contato, mas Nancy ficou bem tranquila. Aliás nem lembrava dessa aposta, fui mais por que eu quis.
- Vai pro sofá, vou pegar mais um copo.
Ao retornar o clima está bem pesado, encaro os meus dois amigos. Derek está na ponta do sofá sem dirigir o olhar para Nancy, e ela permanece em pé nervosa com algo que não faço ideia.
- O que aconteceu com vocês? — pergunto repousando as mãos na cintura. — Dá pra alguém me explicar o que tá havendo?
Eles se olham, Nancy fica vermelha e volta a olhar para o chão, Derek morde os lábios ansiosamente.
Uma possibilidade começa a se validar na minha cabeça.
Olho para os dois e respiro fundos.
- Vocês dormiram juntos, não é?
Observo a reação de cada um. Derek encara o chão como se sua vida dependesse disso. Nancy vira literalmente uma pimenta de tão vermelha.
Uso as mãos para tapar a boca, estou sem acreditar. O silêncio acabou de confirmar tudo.
- Vocês realmente... Essas coisas acontecem... Gente...
Não tenho palavras, apenas paro de falar para tentar raciocinar.
- Isso não é o final do mundo. — falo tentando apaziguar.
Bom eu espero que não seja para os dois.
- Como não? Isso não deveria ter acontecido. — Derek fala em negação.
Nancy balança a cabeça descrente do que ouviu.
- Foi tão r**m assim?... — Nancy fala deixando o raciocínio morrer no meio do caminho.
Ela quer mesmo ficar com Derek, para Nancy foi mais que uma noite, o que me choca bastante. Não me recordo dela ter dado algum sinal de que era interessada nele.
- Você sabe que essa não é a questão aqui. — Derek fala se levantando e indo até ela. Ele tenta pegar na sua mão, mas Nancy não permite se afastando trombando com a parede atrás de si. — Não podemos e não vamos estragar a nossa amizade.
Os observo e por alguns instantes, consigo ter um vislumbre do casal maravilhoso que os dois seriam. Claro que será um risco se os dois quiserem mesmo ficar juntos, afinal a amizade nunca mais será a mesma. Nancy o olha triste.
- Nada nunca mais será do mesmo jeito. — Nancy declara cansada. Derek recua. — E você sabe disso, só está tentando tapar o sol com a peneira.
Nancy sai pisando duro, sem dizer uma palavra vai embora batendo a porta.
- Nancy! — Derek grita correndo atrás dela.
Deixo Derek correr porta a fora atrás dela, eu não vou dar palpite, esse é um assunto que os dois tem que resolver sozinhos, só vou me meter se eu sentir que devo.
Passam mais de uma hora e nenhum dois voltam, vou para o meu quarto. Amanhã eu vejo como essa história se desenrolou, mas agora preciso descansar, amanhã será um longo dia. Adormeço pensando no Dylan, ele penetra meus sonhos mais profundos.