Então ela me abraçou tão forte... Quando saiu do meu abraço, percebeu meu joelho ralado e simplesmente curou. Só curou. Olhei para ela com os olhos arregalados e disse:
— Obrigada... foi como mágica. Uau...
— Mas está ficando tarde, pequenina. Não quer se juntar a mim na minha residência?
Ela respondeu:
— Não, não, tia! Tenho que me juntar com minha família. Mas eu sempre estarei com você, tá bom?
Então eu a abracei. E em um simples gesto... ela sumiu. Só sumiu.
Logo depois, fui para minha residência. Assim que cheguei, deitei na cama e apaguei.
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Pela manhã, escutei alguém batendo na porta:
— Acordaaa, Bela Adormecida!!! Temos um longo dia por aí!
Levantei, tomei um banho, fiz um coque bonitinho, vesti uma blusa social, um corselet preto, calça preta e uma bota marrom.
Depois de alguns minutos, desci para o café. Mas achei estranho: Flora e Aleck não estavam. Eles sempre levantam cedo. Perguntei:
— Cadê o Aleck e a Flora?
Seraphin respondeu:
— Estão dormindo ainda.
Seraphina completou:
— Mais tarde eles descem pra fazer as obrigações, relaxa!
Eu ia responder, mas Marcelo’s me cortou:
— Lyra, temos que iiiiirrrrrr!!!!
Seraphina perguntou:
— Onde vocês vão?
E Seraphin:
— É mesmo, onde?
Me retirei da mesa e disse:
— Vamos treinar. Querem ir junto?
Eles aceitaram. Quando chegamos no campo de treino, expliquei:
— Bom, gente. Primeiro vamos alongar, depois treino com espada, depois arco e flecha, e por fim, nossos poderes elementais!
Todos se alongaram. Treinamos por 1h30. No arco e flecha tudo correu bem. Quando entreguei o arco para Seraphina, ela disse:
— Alguém pode me ajudar com isso? Não sei usar muito bem...
Na hora entendi tudo e disse:
— Marcelo’s, vá ajudá-la!
Ele chegou perto, armou o arco junto com ela, e ela só olhava pra ele. Quando menos esperava, a flecha já havia sido disparada.
Ele se assustou e disse:
— Uau! Isso é porque você não sabe. Imagina se soubesse, hein...
Ela ficou toda envergonhada.
— Hora de treinarmos nossos poderes, né? Vamos? — disse, mudando de assunto.
Todos riram. Marcelo’s então orientou:
— Relaxem o corpo e se concentrem na a**a que desejam usar.
Ele fez surgir uma espada de gelo com facilidade. Seraphina moldou a água como um escudo. Seraphin criou uma espada de fogo.
Mas quando chegou minha vez... algo estranho aconteceu. A espada surgiu em camadas: terra, água e fogo. Mas, em um único suspiro... tudo se desfez.
Todos ficaram com os olhos arregalados e disseram:
— Foi tenso...
— Por hoje chega, né, gente? Vamos voltar pra residência...
Estávamos indo quando Seraphina gritou:
— LYRA!!!
— Oi? Aconteceu algo?
— Acho que tenho uma pista sobre a charada...
Parei, pensei e disse:
— Vamos conversar em outro lugar...
Fechei os olhos e me concentrei para abrir um portal. Quando consegui, nem sabia como reagir — só atravessei, movida pela curiosidade. Era um portal azul, com estrelas em sua superfície.
Chegamos à mesma praia onde Aleck me levou. Sentamos e eu contei a ela sobre a Mariazinha.
— Ela é uma das guardiãs das águas! Deve ter sido incrível, né? Ela deve ser sua protetora. A minha se chama Melzinha! — disse Seraphina, empolgada.
— Gente... vocês sempre me surpreendem... — falei, boquiaberta.
Ela me olhou com carinho e disse:
— Você está evoluindo tão rápido, Lyra. Estou orgulhosa! Mas segura essa: a charada dizia pra voltarmos ao começo, certo? Onde tudo começou. Onde você acha que foi?
Falamos juntas:
— Campo-17!
— Faz sentido agora. Mas antes, temos que nos preparar. Não sabemos o que nos aguarda — disse eu.
— Claro, né Ly! Mas e se a gente chamasse as guardiãs? Faz um tempo que não vejo a Melzinha...
— Tem como?
— Tem sim! Quando você veio pra cá, deixou algo escondido para quando voltasse?
— Como você sabia?
— Ah, Lyra... eu já passei por isso!
Peguei minhas coisinhas e falei:
— Temos que ir até a cachoeira onde vi a Mariazinha?
— É depois daquelas pedras, né? Vamos sim!
Chegando lá, ela me olhou e disse:
— Preparada? Pegue dois pratinhos, duas velas e traga os doces! Vou colocar os favoritos da Melzinha. Como você não conhece muito bem a Mariazinha, vá pela intuição!
Me agachei e comecei a montar as oferendas. No pratinho da Mariazinha coloquei maria-mole, beijinhos e bolo de coco.
Seraphina disse:
— Agora atenção... vamos acender as velas e chamá-las, ok?
Acendemos as velas e começamos a chamar por elas. Minutos depois, ouvimos risadas de crianças. E então... elas apareceram.
Mariazinha veio junto com outra menininha linda e fofa. Cabelinhos ondulados, olhos verdinhos, vestidinho amarelo e uma chupeta com adesivo de abelhinha.
Quando Melzinha viu Seraphina, gritou:
— Que saudadeee, tia! Por que a senhora me abandonou??
Seraphina a abraçou apertado.
Mariazinha se aproximou de mim e disse:
— Tia, lembra do seu d****o? Daqui a uma lua e meia ele irá se tornar realidade!!!
Eu não entendi nada, mas agradeci. Após uns 30 minutos de conversa, formamos uma roda para brincar de adoleta. Foi aí que a sapeca da Melzinha perdeu... e me jogou na cachoeira. Quase morri de frio!
Cinco minutos depois, Marcelo’s e Aleck chegaram. E assim que os viram... Mariazinha e Melzinha desapareceram.
— Ah, então vocês estavam aqui, né? — disseram.
— Eu estava preocupado, Lyra... — disse Aleck.
Marcelo’s abraçou Seraphina e disse:
— Que alívio... fiquei tão preocupado com você.
Quando saímos dali, Seraphina estava toda contente com o abraço. Comecei a brincar com ela.
— Hmmmm... você gosta, eu sei! Safadinha...
Ela ficou toda vermelha:
— Quê?! Isso é coisa da sua cabeça, tá doidinha?
— Xiuuu, xiu! Eu sei de tudo!
Aleck chamou:
— Meninas! Vocês vêm ou vão ficar aí?
Entramos pelo portal próximo e voltamos para a residência.