Capítulo 8 – O Segredo de Mariazinha e a Verdade Sobre Aleck

1313 Palavras
Duas horas depois, saí do banho e vesti um vestido vermelho meio florido. Quando terminei de me arrumar, escutei alguém bater na porta e pensei: “Nossa... será que é o Aleck?”. Pensei em não abrir, mas acabei abrindo. Quando olhei, era a Flora. — Ahn, tudo bem? Quer entrar? — perguntei. Ela entrou, sentou-se sobre minha cama e disse: — Preciso conversar com você sobre meu irmão... — Tudo bem, prossiga — respondi. — Então... eu sei que ele se declarou pra você, sei de tudo, na verdade. Mas queria te falar que é tudo mentira. Ele só está querendo te usar. Eu também sou mulher, então achei melhor te avisar... — Usar? Usar como? — Ah, você sabe... Ele só tá fazendo isso porque está sozinho no momento! Homem é homem, né? Achei tudo meio sem contexto e muito estranho. Então, disse: — Hum... tá bom. Muito obrigada pelo aviso. Mas tenho que me arrumar para sair com ele. Se você me der licença... — Se eu fosse você, eu não iria. Ele só quer sair com você porque a Lyliam não está aqui! Meu irmão é casado, Lyra. Não vá! Fiquei muito confusa. Disse apenas: — Casado? Er... tá bom. Pode deixar, não irei. Ela saiu e disse: — Sinto muito. Fiquei sentada na cama, pensando: “Gente... casado? Que história foi essa? Que loucura... Mas será que é verdade? Acho que não... Se fosse, a Seraphina teria me contado logo de cara!” Dois minutos depois, alguém bateu na porta. Suspirei. Quando abri, era o Aleck. Quando ia falar, ele me calou com um beijo. Logo depois, saiu me puxando: — Vamos nos atrasar, temos que correr!! — Onde vamos? — perguntei. — É surpresa. Mas te digo: é um lugar divino, muito mágico, e você é a primeira pessoa que levo lá. — Uiuiui... que fofo — disse, rindo. — Relaxa, eu sei que você está cansada. Mas falta bem pouquinho! Depois de alguns minutos, paramos de correr. — Agora... deixa eu colocar essa venda em você? — Ah, tá bom. Ele colocou a venda e segurou firme minha mão. Tirou minhas sandálias. O chão era de areia. Por fim, ele disse: — Calma, deixa eu te sentar... Abaixei e me sentei no chão. Ele tirou a venda. — Aproveite... e deixe a mágica acontecer! Realmente, era muito lindo. O mar era de um azul escuro, refletindo as estrelas. A areia era tão branquinha e macia... de tirar o fôlego! — É magnífico... tão incrível! — falei, encantada. — Não tão incrível quanto você! Ele pegou minha mão, e eu comecei a rir e a soluçar. Ele riu junto: — Aaaah, Lyra... se prepare! Antes mesmo de eu perguntar por quê, ele me derrubou na areia e começou a me fazer cócegas. — V-você vai ver!! — disse, tentando escapar. Logo depois, uma onda caiu sobre ele. Ele riu: — Uau! Seus poderes já estão bem fortes, hein? — Err... O Marcelo’s está me ensinando, e eu o ensino a lutar! — É como dizem: os alunos se tornam professores! — Mas assim... eu não sei o que está acontecendo entre a gente, mas é melhor pararmos por aqui. Me disseram que você é casado. Sinceramente, isso é ridículo da sua parte... Ele começou a rir: — Não, Lyra, eu não sou casado! Mas, há um tempo, meus pais queriam me obrigar a casar com uma mulher chamada Lyliam. Eu não queria, então fugi com a Flora. Fiquei com medo que fizessem o mesmo com ela... Foi difícil no começo, pois Lyliam era melhor amiga dela. Mas hoje em dia está tudo bem. Na mesma hora, o abracei. Depois de um tempo, ele me perguntou: — Perdão por perguntar isso, mas... por que embarcou no ônibus errado? — Ah... meu pai. Ele bebia demais. Nesse dia, estava batendo na minha mãe. Eu só ouvia os gritos. Desci correndo, joguei um tênis nele e disse: “Se afasta dela agora! Se você encostar nela de novo, eu te mato!” Ele riu, perguntou o que eu ia fazer. Peguei uma faca em cima do armário e disse: “Experimenta…” Ele deu um t**a tão forte na minha mãe... Eu não pensei. Me aproximei e comecei a esfaquear ele. Minha mãe ficou em choque, chorando, e disse: “Você tem que ir agora! Não dá mais pra te esconder. Rápido, vá!” Ela me jogou pra fora e eu não tinha opção. Peguei o primeiro ônibus que vi. Peguei o 4 Estações. E hoje... estou aqui. — Eu sinto muito, minha pequena... — disse Aleck, me abraçando. — Relaxa. Vamos pra casa, está tarde. Ele pegou minha mão e fez um portal florido aparecer. Já era nossa residência. Imediatamente subi para tomar banho. Mas eu não conseguia parar de pensar naquela praia. Pensei em voltar... só que não lembrava do caminho. Fui atrás do meu bruxinho. Abri a porta e gritei: — Espero que não esteja s*******a, mas se estiver, coloque uma! Só quero seu livro emprestado. Peguei o livro de feitiços e fui à biblioteca. Lá encontrei um feitiço de "bússola mágica". Só precisava de um pote, água, coentro, um graveto... e as palavras certas. Desci até a cozinha e preparei tudo. Também levei comida, doces, bebidas... Na floresta, disse: — Praecipio tibi ut me ad me destinatum capias (3x) A bússola começou a soltar fumaça... Quando ela se dissipou, já estava na praia. — Aaaahhh, nunca vou me acostumar com isso! Me sentei na areia, até ver algo brilhando do outro lado. Fiquei curiosa. Era uma pedreira. Tive medo do brilho sumir e fui assim mesmo. Ralei o joelho nas pedras, mas segui. Ouvi uma voz cantar: “Vim de águas claras, de águas cristalinas...” A voz era doce e suave. Passei pelas pedras e encontrei uma cachoeira maravilhosa. O céu estrelado, a água cristalina... e havia uma menininha ali. Ela era morena, cabelos encaracolados, olhos castanhos. Usava um vestidinho roxo e um lacinho da mesma cor. Uma chupeta roxinha na boca. — Tiazinha? Sei que você tá aí! Vem brincar mais eu! — Oi, minha estrelinha... cadê sua mãe? Está perdida? Quer ajuda? — Se acalme, tia! Minha mamãe está em sua casa nas águas. — Eu sinto muito... — Pelo quê? Minha mamãe está bem! Não se preocupe. Mas olha, tia... tem um homem muito mau que quer te fazer maldade. Cuidado... — Hum... tá com fome, pequenina? Vamos comer? — Vamos sim, tia! Mas tem muita gente por aí querendo se aproveitar da sua bondade. Cuidado... Cobri o chão com um lençol e arrumei nossa refeição. — Como você se chama? — Mariazinha! E você é Lyra, né? Eu sei que às vezes você se sente sozinha, mas eu, a moça de vermelho e o homem de cartola sempre estivemos com você! Meu coração disparou. Me senti acolhida. Ofereci suco de guaraná, mas ela recusou: — Não bebo nada dessa cor... — Tudo bem! Tem mais sucos aqui! Ela se jogou nas Marias-moles, meu doce favorito, e comeu bolo também. Depois, começou a juntar doces e bolo num copo. — Tiazinha do meu coração... beba um pouco e faça um pedido. — Er... não, obrigada... Seus olhos se encheram de lágrimas: — Poxa, tia... só um golinho, vai... Eu bebi. Fiz um pedido com todo o meu coração. — Pode me contar mais sobre você? — Tenho uma irmã chamada Juquinha. Éramos filhas de um fazendeiro rico, com muitas terras e escravos. Um desses escravos era meu pai biológico. Um dia, o fazendeiro começou a bater nele e eu defendi. Acabei morrendo... Era pequena e não aguentei. Ele me jogou na cachoeira, e minha mamãe me acolheu. Hoje, ajudo todo mundo e espalho alegria por aí! Comecei a chorar. E só consegui dizer: — Eu sinto muito... Eu sinto muito...
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