Capítulo 14- Laços, Conflitos e Cabelos Curtos

1957 Palavras
Acordei com um sonho bem estranho. Sonhei com Chimera e parecia tão real... Foi igual à primeira vez que o conheci, tão mágico e divertido. Um pouco depois, desci para a cozinha — estava com tanta sede... Quando olhei para onde ficavam as panelas, lembrei de quando conheci Zazi. Enquanto bebia água, fui me perdendo nessas memórias... Pouco antes de sair da cozinha, encontrei Letícia. — Você não deveria estar dormindo, Lyra? Ignorei e continuei andando, mas ela me segurou, dizendo: — Fique longe do Aleck! Sem entender muito bem, perguntei: — Como é? — Você é s***a? Eu falei pra ficar longe dele — disse com um tom de superioridade. — Olha, barbiezinha, eu não quero nada com o Aleck, isso é fato... Mas também não vou me afastar dele só porque você mandou. Se um dia eu me afastar, vai ser por decisão própria, tá? Agora, se me dá licença, vou dormir. Após dizer isso, saí andando. Fui dormir? Não. Fui para a biblioteca. Fiquei lá um tempo e acabei achando o feitiço da bússola, e pensei: “Ué, esse livro não é do Marcelo’s?” Com isso, lembrei da praia. Acabei cedendo à v*****e e desci até a cozinha para pegar umas guloseimas antes de ir pelo portal. E, por uma incrível coincidência, encontrei Mariazinha por lá. — ESTRELHINHAAA! — gritei. Ela veio correndo me abraçar e, depois do abraço, perguntou: — Titia... meus docinhos? — Ixi, eu acabei esquecendo... Com os olhos arregalados e cheios de lágrimas, ela abaixou a cabeça. Meu coração derreteu. — Brincadeira, meu amorzinho! Eu trouxe tudo! — disse rindo. Começamos a arrumar as coisas para comer. No meio disso, acabei soltando: — Estava com saudades... Ela respondeu com o sorriso mais puro: — Tia, eu sempre estou com você. Sempre estive. E, quando a senhora sentir saudade ou estiver tristinha, me chame! Depois de comermos, fomos brincar. Mas, em certo momento, ela disse que precisava ir — a vovó estava chamando. Então, me deu uma pulseira rosa com miçangas em formato de bala e sumiu. Eu adorei aquilo com todo o meu coração. Juntei minhas coisas e fiquei deitada na areia, vendo as estrelas, ao som do mar indo e voltando... Ubirajara não saía da minha cabeça. E o pior: eu tinha quase certeza de que ele estava com outra pessoa. Algumas horas depois, voltei para a residência. Era tão bom e tão r**m estar de volta. Deitei na cama, tentando dormir, mas nada de conseguir. Resolvi então tomar um banho. Acendi umas velas aromáticas, enchi a banheira e fiquei lá, viajando nos pensamentos. Minutos depois, ouvi alguém abrindo a porta e me chamando. A voz era estranha, não reconheci de imediato. Quando levantei e me enrolei na toalha, Seraphin abriu a porta. — Lyra? — disse meio envergonhado. Fiquei totalmente sem reação. Ele se desculpou e fechou a porta. Vesti o roupão e fui falar com ele. — Lyra... não dá pra acreditar! — disse me abraçando. — Seraphin? — É... não lembra de mim? — perguntou confuso. — Você mudou tanto... — (Ele estava mais fortinho e com os cabelos mais longos.) — Que nada, Ly. A única coisa que tenho feito é treinar mais. Não só luta, mas meus poderes também! — E a Flora? — perguntei, curiosa. — Ixi, essa daí ficou com um príncipe que conheceu nessa última viagem... Nem sei como vou dizer isso pro Aleck. Afinal, já falou com ele? Deve estar bem animado com sua volta... — disse, meio desconfortável. — Ah, sim... Falei com ele mais cedo. — Você ainda sente algo por ele? — Ah, meu Deus! Eu não aguento mais vocês perguntando isso! Vocês sabiam que sentimentos mudam? O mundo não gira em torno dele, pelo menos o meu não — respondi estressada. — Calma, garota... Eu só perguntei. Mas, sabe... os meus sentimentos não mudaram — disse, segurando minha mão e colocando-a sobre seu peito. — Seraphin, melhor você ir — disse, empurrando ele pra fora. — Tá bom... Boa noite — disse me abraçando. Depois que ele saiu, fiquei pensando naquilo... Mas meu coração não pertencia a ele. E eu sabia disso. Mas vai saber, né? O amanhã é um mistério. De manhã, fui acordada por Seraphina: — Eiii, Lyra, bom dia! — sussurrou. — Deixa eu dormir... — murmurei. — ACORDA LOGO! No susto, acabei caindo da cama. — Que isso? QUAL A NECESSIDADE??? — TODA! Eu te chamei na primeira vez e você não acordou, isso que dá! — disse, com um tom debochado. — Agora, levanta e vai se arrumar! Levantei, me arrumei... Mas estava cansada e queria algo diferente. Coloquei um vestidinho florido e desci. Quando cheguei lá embaixo, tinha um lugar vazio perto do Aleck. Quando me viram: — LYRA, MALUCA, VOU TE m***r! — exclamou Seraphina. — Está completamente perfeita... — disse Seraphin. — Lyra... — disse Aleck. — Uau, que diferença — cochichou Letícia. — LYRA, MEU DEUS! — exclamou Marcelo’s. Com tantos comentários ao mesmo tempo, fiquei embolada. — Gente, calma lá! É só um cabelo... — UM CABELO? Lyra, você cortou ATÉ O OMBRO! — disse Seraphina. — Calma, maninha! Ela está incrível como sempre — disse Seraphin. — É, temos que concordar que ficou bom nela sim — completou Marcelo’s. Depois do café, todos tinham o que fazer... Menos eu e Letícia. — Quer ir colher umas frutas comigo? — perguntou Seraphina. — Você acha que eu vou estragar minhas unhas fazendo isso? Olha só, amor... — disse Letícia rindo. — Desculpa aí, barbiezinha. Mas eu não estava falando com você! — retrucou Seraphina. — Vamos sim, Seh! Só vou falar com o Seraphin rapidinho — disse, com um leve sorriso. Marcelo’s passou por mim e não disse nada, apenas resmungou: — Eu não acredito que você deixou ela fazer isso... — Você contou, né? — perguntei, rindo. — Tá tão na cara assim? Até que ele reagiu melhor do que imaginei. Mas... o que te traz aqui? — perguntou enquanto tirava a blusa para trocá-la. — O que você tá fazendo?... — perguntei, envergonhada. — Trocando de blusa, ué. — Acho melhor eu voltar outra hora... melhor eu voltar outra hora. — Não, Ly, de modo algum! Fica. É um prazer tê-la comigo — disse, se aproximando um pouco. — Ô Seraphin... o que você acha que tá fazendo, hein? — perguntei, nervosa (muito). — Nada, Lyra. Tá envergonhada assim por quê? Te deixo nervosa? — Quê? Não! Tá maluco? — disse, empurrando ele. Saí de lá e desci. Seraphina já havia pego tudo, me deu uma cesta e fomos direto. — O que você foi falar com o Seraphin, hein? — perguntou, levantando as sobrancelhas. — Ué, fui perguntar sobre a Flora, só isso. — Hum... não botei muita firmeza nisso, viu. Tem certeza? Ele tava te olhando de um jeito... E te elogiou demais também! — Aahhh, Seraphina! Você tá colocando minhoca na sua cabeça e quer enfiar uma na minha também? — Não... — disse ela, rindo. --- Enquanto isso... — Amor, o cabelo daquela esquentadinha ficou h******l, né? Você viu? — disse Letícia, rindo alto. Aleck apenas suspirou, sem responder. — Aleck? Amor? Tô falando com você — insistiu Letícia. — Letícia, para! Pelo amor de Deus, Lyra é minha amiga e você não tem direito nenhum de falar assim dela. Você m*l conhece a garota e já tá julgando? Cadê o caráter? Maturidade? Ao invés de ficar falando dos outros, vai caçar alguma coisa útil pra fazer! Você não faz nada da vida — disse Aleck, visivelmente estressado. — Você acha que é quem pra falar assim comigo?! — gritou Letícia. — E quem VOCÊ acha que é pra falar assim da Lyra? Ela é uma ótima pessoa. O contrário de você! — retrucou Aleck. Letícia saiu batendo portas e gritando. No caminho das escadas, deu de cara com Marcelo’s. — Er... o que acabou de acontecer? — perguntou Marcelo’s, confuso. Letícia apenas o ignorou e subiu, sem dar uma palavra. --- Quando Marcelo’s entrou no quarto: — Ixi, briga? Quer falar sobre? — perguntou. — Ai, sinceramente? Não sei nem como fui capaz de pedir uma pessoa tão amarga em namoro. — O que a gente não faz pra m***r a carência, né... — disse Marcelo’s, meio alto. — Já está pronto? Seraphin sugeriu fazermos um almoço no laguinho pras meninas — continuou ele. — Ah, vamos lá, né. --- Na sala, Letícia encontrou Seraphin, que esperava os meninos: — Seraphin? Nem tivemos tempo pra conversar, né? — disse, se aproximando. — Pois é... Cadê o Marcelo’s e o Aleck? — perguntou ele. — Deixa esses dois pra lá. O assunto agora é eu e você. Você tá tão bonito... — disse, se aproximando demais. — É? Obrigado! Agradeço o elogio, mas mantenha distância. Sei muito bem o que você tá pensando em fazer — disse, sério. — E já adianto: não vai rolar. — Você namora com o Aleck, e eu jamais trairia meu irmão assim. No mínimo, devia respeitá-lo. Mesmo se vocês não estivessem juntos, eu amo a Lyra — afirmou Seraphin. — Ah, pelo amor... um beijo não arranca pedaço de ninguém — disse Letícia. — Eu já disse que não, e espero que isso não se repita. Além de ser desrespeitoso pro meu irmão, seria totalmente ridículo pra mim também. Eu tenho minhas próprias leis. Avisa que vou esperar lá fora, por favor — disse, saindo. Logo em seguida, Marcelo’s e Aleck desceram. — Cadê o Seraphin? — perguntou Marcelo’s. — Lá fora — respondeu Letícia, subindo as escadas. --- Quando eles saíram, encontraram as meninas: — Seraphinaaa! — disse Marcelo’s, indo abraçá-la. — Lyraa!! — disse Seraphin, indo correndo me abraçar. Aleck ficou apenas parado, observando a cena. Meio desconcertado, soltou: — Esperem a gente no laguinho que a gente treinava. Vamos fazer um almoço! — Estragou a surpresa, hein! — reclamaram Marcelo’s e Seraphin, ao mesmo tempo. Os meninos foram preparar as coisas, e nós entramos para nos arrumar. --- Mais tarde, no laguinho... Seraphin e Aleck estavam pescando, enquanto Marcelo’s usava magia para preparar as comidas. — Acho que vou terminar com a Letícia — disse Aleck, quebrando o silêncio. — O quê?! — perguntaram Marcelo’s e Seraphin ao mesmo tempo. — Vai terminar com ela por causa da Lyra? Você ainda sente algo? — perguntou Seraphin. — Não tem nada a ver com a Lyra. É só que agora que convivo mais, percebi que a Letícia é uma pessoa amarga, s*******o — respondeu Aleck. — Ah, e você não ficou nem um pouco mexido com a volta dela? — insistiu Seraphin. — Fiquei. Mas é porque ela é minha amiga. Fiquei muito tempo sem vê-la! — respondeu Aleck. — Vocês vieram pra conversar ou pra fazer esse almoço acontecer? — interrompeu Marcelo’s. --- Enquanto isso... Eu e Seraphina subimos para avisar Letícia e, no caminho, ouvimos: — Ela voltou pela noite. Quer que eu faça o quê? Antes que pudéssemos escutar mais, Seraphina tropeçou e fez barulho. Letícia saiu do quarto: — Nossa, que susto! Vocês me assustaram — disse Letícia. — Eh... somos nós — respondeu Seraphina, sem graça. — Os meninos vão fazer um almoço no lago. Vai se arrumar se quiser ir com a gente — falei, só querendo sair logo dali. — Uhm... almoço? Tá bom — respondeu, se virando. Fomos para o quarto de Seraphina nos arrumar. Ela soltou seus lindos cabelos, colocou um maiô preto, e eu escolhi um biquíni branco. Por cima, colocamos cangas. Estávamos quase prontas quando Letícia entrou no quarto: — Lyra... você pode amarrar o maiô aqui pra mim?... Amarrei pra ela e, logo em seguida, descemos todas juntas.
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