Eu achei que fosse ser um horror ir com a Letícia, mas até que estava tranquilo... até ela começar:
— Já chegou? — Não — respondeu Seraphina, seca. — E agora? Chegou? — Não andamos nem metade do caminho ainda — disse Seraphina. — Falta muito pra chegar? — EU JÁ DISSE QUE NÃO! — respondeu, irritada. — Ah, mas... — PELO AMOR, DÁ PRA CALAR ESSA BOCA POR UM MINUTO???? — gritei, estressada.
No instante seguinte, ouvimos Letícia gritando. Quando olhei para trás, vi um elfo tocando o ombro dela. Ele era alto, de cabelos lisos e longos, e... verde. Estranhei e, por instinto, ergui uma barreira de terra entre ele e nós.
— QUEM VOCÊ PENSA QUE É PRA FAZER ISSO COMIGO?! — gritou o elfo. — Quem VOCÊ pensa que é pra chegar tocando no ombro dos outros? Principalmente de quem você nem conhece? Fui eu que fiz a barreira, e aí? — Quem disse que eu não conheço?
Abaixei a barreira. Ele apontou para Letícia:
— Conheço essa daqui. — E-eu?... mas eu não lembro de te conhecer — disse Letícia, tensa. — Não se lembra de mim, Lelê? — perguntou ele, cabisbaixo. — Mas sei de uma coisa que vai te fazer lembrar!
Ele tirou uma foto de sua bolsa. Nela, havia uma mulher usando um colar e ele ao lado dela. Apontando para a mulher, disse:
— Essa era minha noiva. Mas acabamos nos separando... foi muito triste. — Bom, parece que vocês se conhecem. Então fiquem à v*****e. Vamos, Seraphina?
Deixamos um espaço entre nós para eles conversarem.
— Por que você veio atrás de mim, Eöl? — perguntou Letícia. — Eu te amo, Lelê. Nunca te esqueci. Prometi que viria quando fui preso... pena que você nunca foi me visitar... — Não fui porque, quando você foi preso, minha vida desmoronou. Passei dificuldades financeiras, precisei trabalhar... Conheci um homem. Ele me deu 500 Milelfs para roubar um artefato antigo. Fiz o que pediu, mas quando ele me deu outra missão, recusei. Ele não aceitou. Me caçaram. Me sequestraram. E pra continuar viva, fizemos um acordo: eu teria que seguir uma tal de Lyra e repassar informações. Essa Lyra é a que te atacou. — Eu não sabia... Sinto muito, Lelê. Se você tivesse ido até mim, eu teria te ajudado. — E como, Eöl? Você estava preso! Agora tenho outra vida. Eu ainda te amo, mas não posso ser vista com você. — Podemos ficar escondidos. Mas preciso saber: ainda estamos juntos? — Eu te prometo que, quando tudo isso acabar, vamos nos casar. Até a morte nos separar. — Te amo muito, meu amor! — Também te amo! Mas você precisa ir... Aleck n******e nos ver.
Ele desapareceu num passo de mágica.
Seraphina parecia tensa:
— Tá tudo bem, Seh? — perguntei. — Tô sim... Só preocupada. Esse homem... Eöl... ele é conhecido como “O Misterioso”. — E o que tem? — Ele é um dos maiores traficantes do mundo, Lyra. Temos que ter cuidado com ele e com a Letícia. Tá vendo aquele passarinho nos seguindo? — Achei que fosse da minha cabeça... Mas sim, tô vendo. — Aleck está desconfiado dela faz tempo. Colocou esse passarinho pra espioná-la. — Vocês acham que ela é uma terrorista?
Antes que ela pudesse responder, o laguinho já estava à vista. Assim que os meninos nos viram:
— Até que enfim vocês chegaram! — disse Seraphin.
Marcelo’s correu para abraçar Seraphina.
— É que encontramos um ex-noivo da Letícia, mas nada demais... — falei.
Aleck ouviu e saiu irritado. Letícia foi atrás dele:
— Aleck! Amor!!!
Mas ele estava bravo demais pra escutar.
— Aleck, por favor! Eu posso explicar... Não quero perder mais uma pessoa... — Então me explica. Por que não me contou? — Porque tenho vergonha do meu passado. Tive medo... — Medo de quê? Eu disse que te amava. Não acreditou? — Se você soubesse tudo que fiz, não estaria aqui... Mas eu mudei. E te amo tanto! — E você não vai me perder. Me perdoa pela cena...
E saíram de mãos dadas.
Seraphin olhou pra mim:
— Humm... Me explica isso. Eu sei que você sabe. — Pior que não sei. Só sei que apareceu um elfo dizendo ser ex-noivo da Letícia. — Deixando isso de lado... Você tá maravilhosa. Linda demais — disse com um olhar apaixonado. — E-hh, obrigada... Você também... — Lyra, tá tensa? Fui eu? O que posso fazer pra te deixar bem? — disse, tocando meu braço. — Eu não sei — falei, saindo correndo.
Enquanto isso, Seraphina e Marcelo’s conversavam:
— Sabe o que aconteceu? Não entendi nada — disse Marcelo’s. — O ex-noivo dela apareceu do nada. Mas tem algo estranho nele... Ele é o Eöl. — O Misterioso?! — Sim... Só espero que ela não ponha minha família em risco. — Relaxa, meu amor. Se algo acontecer, eu te protejo — disse ele, abraçando-a. — Uhh, olha só, todo heróico esse feiticeiro! — disse ela, rindo.
Então ouvimos Seraphin gritar:
— VAMOS COMER LOGO, GENTE, TÔ FAMINTO!
Todos nos aproximamos, montamos os pratos enquanto Marcelo’s assava as carnes. Após o almoço, jogamos um jogo e fomos pra casa.
Eu estava exausta. Subi para meus aposentos e fui direto tomar banho. Quando me deitei, alguém bateu na porta.
— Ah, não vou levantar agora... — murmurei. — Entra!
Era Letícia.
— Oi, Lyra. Não queria atrapalhar. Só vim pedir desculpa. A forma como te tratei não foi boa. Perdão.
Ela saiu logo após. E então Seraphin entrou.
— Eh, o que ela veio fazer aqui? — Pediu desculpa... Vai entender. — Talvez tenha caído na real. Mas... o que você acha? — Tem algo errado, mas... nada contra ela. — Adoro quando você tenta ver todos os lados, até os ruins — disse, rindo. — E você? O que veio fazer? — Te chamar pra sair. Aceita? — disse com os olhos brilhando. — Ah, eu...
Antes que eu terminasse, Seraphina entrou:
— Lyra? Você tá aqui?
Ela e Seraphin se cumprimentaram, e ele saiu, mas antes disse:
— Pensa com carinho. Se quiser, se arruma pro jantar e vem ao meu quarto. A gente abre um portal pra sair!
Seraphina já arregalou os olhos:
— EU DISSE! Eu sabia que tava rolando algo! — Não é isso... somos só amigos. Não vai rolar nada entre eu e ele. Eu não vou. — Mas Ly, pensar não mata. Vai que você gosta? Faz um teste só, tá bom? — Tá bom, tá bom. Mas me ajuda a escolher uma roupa? — É claro que ajudo! — disse, abrindo meu guarda-roupa.