Capítulo 68
Ester narrando
Eu estava sentada na mesa junto de Sabrina e Joca, conversa ia e conversa vinha e a gente tomava uma cerveja atrás da outra.
— Posso sentar aqui? – Kaianne pergunta
— Deve – eu respondo
Eu era uma pessoa muito difícil de guardar magoa.
— Quero uma cerveja – ela fala para a moça que trabalhava ali.
Aos poucos ia enchendo o pagode e vejo Sampaio e Alana se aproximando.
— Olha o tatu saiu da toca – Joca fala.
— O que o amor não faz – Sabrina fala
— Realmente – Sampaio fala e Alana sorri para ele.
Eu viro mais um pouco de cerveja no copo, adorava beber, senhor como eu gostava de beber.
— Está enchendo – Sabrina fala
— As vendas vão ser boa – Joca fala
— HT que trabalhe né . – ela fala
— Ele quer ficar contigo, tem que trabalhar – Sampaio fala para ele.
— Acho que você se provalece – Sabrina fala
— Desce lá e fica com ele – Joca fala
— Vou fazer isso – ela fala – até depois.
Fica somente eu, Joca , Sampaio, Alana e Kaianne na mesa.
— Você quer? – Joca pergunta segurando um baseado.
— Eu quero – eu falo peganod.
Eu não achava que Joca era traidor, ele era um cara maneiro, que respeitava muito Sampaio aqui dentro, acredito que o que pode acontecer é que ele sinta um pouco de inveja por estar no sub do comando e não no comando por inteiro, mas não acho que ele queira m*l do sobrinho.
Sampaio e Alana se levantam após ela convidar ele para dançar, Kaianne arruma alguém e fica eu e o Joca ali.
— Sampaio é um b***a – Joca fala
— Também acho – eu respondo rindo
— Estou falando sério – ele fala – essa garota está mentindo e usando ele.
— Não acho – eu respondo
— Está sim, essa cara de santinha, que sofre pela morte da filha – ele fala – não me engana.
— O que você sabe Joca? – eu pergunto para ele.
— Você também desconfia dela, você é esperta – ele fala – não é b***a e i****a que nem o Sampaio.
— Eles gostam um do outro, passaram uma por inrreparavel.
— Quer saber de uma coisa? – Joca fala e eu o encaro – eu tenho certeza que ela tem culpa pela morte da filha.
— Não fale isso jamais – eu olho para ele.
— Pode me dar um tiro Ester no meio da minha testa se eu tiver errado – ele fala – mas ela tem culpa na morte da filha deles.
— Um tiro mata Joca.
— Eu sei – ele fala – e tenho certeza que não levarei esse tiro, porque estou falando a verdade.
Eu olho para os dois juntos e Joca encara eles da mesma forma que eu e depois nos encaramos.
— Alana não parece que fazia m*l a filha – eu falo - parece ser uma mãe amorosa.
— Alana engravidou apenas para segurar o Sampaio – ele fala – o papel de fiel dentro do morro, nada mais.
— Mas ele sempre gostou dela.
— Sampaio nunca quis assumir ela por ser traficante , por ser chef do morro – ele fala – ele sabia dos riscos, mas ela pesou na cabeça dele e ai meses depois apareceu grávida, Sampaio é de boa, não faz m*l a mulher, gosta da família, ele jamais deixaria ela sozinha na gravidez, não assumiria a criança ai depois ficou pesando a cabeça dele que ele que tinha que sair do comando do morro e ai quando a garota morreu, passou a vida toda culpando ele pela morte e agora tá ai, cheia de amor para dar a ele.
— Você está insinuando que ela matou a própria filha? – eu pergunto para ele.
— Estou insinuando que ela nunca esteve grávida e que ela armou tudo e que essa criança não era nem filha dele e nem filha de Sampaio – ele fala
— Isso é loucura – eu falo para ele.
— Loucura é o Sampaio estar assumindo ela para o morro todo, fingindo que ela não está agindo estranho.
Ele leva o copo de bebida ate a boca e eu o encaro pensativa.
Capítulo 69
Ester narrando
— Joca – eu falo e ele me encara – mas como ela iria pegar uma criança, e a barriga dela não cresceu? – ele me encara
— Cresceu – ele fala – sei lá, as vezes eu pensava que era falsa, Alana era toda cheia de nhe nhe, posso estar errado em tudo sabe, mas eu não acredito que ela era uma boa mãe para Barbara e sim, pode me dar um tiro se eu tiver errado em questão que ela está envolvida na morte da filha.
— Você está me deixando nervosa – eu falo
— Eu bebi e fumei de mais – ele fala – acho que a gente deveria parar.
— Eu acho que não – eu olho para ele.
— Ele só está com ela por causa do terrorismo que ela fez com ele – ele fala. – Posso estar errado, mas se eu tiver você me dar um tiro na testa Ester.
— Que responsabilidade você sabe que ele me ensinou atirar né?
— Sei – ele fala rindo.
— Me dar mais um baseado via.
— Vai comprar – ele fala
— Porque? Se você me dar de graça – ele me encara e me entrega.
— As cosias que você andou fazendo no morro, são maneiras – ele fala e acende o meu baseado – os moradores estão bem felizes.
— Eu sei – eu respondo – eu sou de mais , diz ai.
— Convencida também. Mas já nos acostumamos com seu jeitinho peculiar de ser – ele fala me encarando.
— Eu gosto daqui do morro – eu olho para ele – morando na sua casa me sinto numa família, igual quando os meus pais eram vivos.
— Você sente falta deles né.
— Muito – eu olho para ele – algo me diz, que meu pai não era quem eu imaginava – não falo nada sobre o que Sampaio tinha me contado – mas ele era o melhor pai do mundo.
— VocÊ sabe quem causou o acidente?
— Provavelmente meu tio – eu olho para ele – talvez até com ajuda do filho da p**a do meu irmão.
— Não deve ser fácil para você.
— Não é a muito tempo – eu olho para ele – eu sempre fui uma criança super protegida pelos meus pais, tímida e com medo de falar as coisas, me arrependo muito por isso, sofri de mais Joca calada. Quando meus pais morreram, JP me deixou solta no mundo, não estava nem ai para mim, tive que aprender muita coisa sozinha e a vida foi dura comigo – ele me olha – a minha forma de agir, o meu jeito de ser, na maioria das vezes é a defesa que eu tenho contra a tristeza que sinto diariamente.
— Você é uma garota maravilhosa, deveria pensar nisso – ele fala me olhando – você é muito mais forte do que imagina.
— Você é um cara legal mesmo que eu ache que muitas vezes você quer puxar o tapete do Sampaio – ele n**a rindo
— Jamais Ester – ele fala – Sampaio é meu sobrinho, crescemos juntos, dei graças a Deus quando ele se livrou do pai dele, que aquele velho morreu, ele era duro de mais com Sampaio, se fosse pelo pai dele, ele seria o pior homem do mundo, mas não é. É um traficante justo por mais engraçado que isso soa, sou fechamento com ele até o dia da minha morte.
Eu abro um sorriso para ele.
— Eu confio nas suas palavras – ele me olha – mas deveria demonstrar isso a Sampaio mais vezes, acho que muitas vezes ele se sente sozinho,.
Capítulo 70
Ester narrando
Era bem noite quando eu estava ainda andando pelo morro, eu fui até o topo onde Sampaio estava me ensinando a atirar, fiquei ali admirando o morro durante a noite, uma noite quente, com uma lua bem forte iluminando tudo e algumas estrelas também.
Eu fico pensando nas coisas que Joca tinha me falado e inúmeras perguntas sem respostas me vem na cabeça, um passado conturbado e cheio de mistérios, onde a vitima foi uma criança inocente.
— Ainda está acordada? – a voz de Sampaio soa atrás de mim
— Como sabia que estava aqui?
— Eu sei de tudo que acontece no meu morro na medida do possível – ele fala se sentando do meu lado.
— Perdi o sono, a noite está bonita – eu falo para ele.
— Andei pensando muito nas coisas que conversamos – ele fala
— E?
— Eu acho que Alana realmente quer vingança pela morte da Barbara.
— Posso te falar uma coisa? – ele me encara – que Joca me disse, que pode te chocar.
— O que?
— Ele não acredita que Alana era uma boa mãe para Barbara – Sampaio me encara
— Não, isso não – ele fala – Alana era uma ótima mãe para nossa filha, ela sempre foi – ele suspira – Barbara nunca reclamou da mãe e sempre a elogiava, chorava toda vez que alamna saia para trabalhar e ela ficava.
— Ele deve ser só preocupado mesmo com você – ele me encara
— Joca é uma incógnita.
— Eu acho que vocês deveriam se aproximar mais, só isso.
— Ester casos de família – ele fala rindo
— E cadê Alana?
— Dormindo – ele fala acendendo o baseado dele – estava sem sono, resolvi dar uma volta.
— Você acha que Alana se aliou ao meu tio?
— Eu tenho certeza que sim – ele fala – eu mandei grampear o celular dela.
Eu vejo pelo tom da sua voz que ele estava totalmente decepcionado com a hipótese dela realmente estar querendo vingança contra ela, porque realmente ele deu a sua vida para reconquistar Alana e que ela a perdoasse.
— Você sabe que não tem culpa pela morte da sua filha – eu olho para ele – não deveria se matilizar tanto dessa forma.
— Eu tenho, eu sei que eu tenho – ele fala – eu jamais deveria ter deixado que Alana engravidasse, até porque um filho sendo quem eu sou, jamais vai estar seguro.
— E você não pensa em ter mais filhos? – eu olho para ele.
— Não, nunca mais – ele afirma – não quero mais nenhuma criança correndo perigo por minha causa, não quero reviver esse sofrimento e fazer mais um inocente pagar por tudo isso.
Ele dar uma tragada em seu baseado e volta a olhar o morro.
Capítulo 71
Sampaio narrando
Eu tinha grampeado o celular dela e volto para o quarto e ela estava dormindo, ligo o meu notbook e começo a vasculhar em tudo e não tinha nada, nenhuma mensagem suspeita, apenas muitas fotos da Barbara, muitas mensagens privadas desde a morte da nossa filha, onde ela colocou diversas mensagens onde ela dizia sentir falta dela.
Eu pego a chave da casa de Alana e vou até ela, quando entro na casa, a casa estava bem organizada como sempre, Alana era ótima em organizar tudo. Eu entro no quarto dela e tinha várias coisas de Barbara, sua boneca preferida e até mesmo a cobertinha que ela usava para dormir, dentro do bercinho que a gente usava no lado da nossa cama quando ela nasceu e que Alana tinha guardado.
Tinha fotos de todos os momentos da nossa filha desde o nascimento, até o dia da morte, fotos que tiraram na pracinha e que eu tinha recebido.
Era impossível acreditar que Alana não amava a nossa filha, ela sempre foi uma mãe totalmente dedicada a ela.
Flash black onn
Eu estava viajando para negociar um carregamento e retorno antes e queria fazer uma surpresa para as duas, encontro elas na cozinha e fico escuando as duas fazendo um bolo.
— Eu errei mamãe – Barbara fala – sou muito r**m.
— Não é não – Alana fala – você é maravilhosa, todo mundo erra, eu também erro, papai erra.
— Vocês erram?
— Sempre erramos – ela fala sorrindo – a única coisa que a gente fez muito bem, foi você.
— Eu amo você mamãe – ela fala sorrindo
— Eu também amo você meu amor – ela fala enchendo Barbara de beijos.
Flash black off
Tinha uma caixinha toda enfeitada com o nome da Ester dentro do guarda roupa da Alana, onde ela guardava desde a pulseirinha da maternidade, o umbigo e todas as coisinhas que ela gostava, até mesmo o laço preferido dela.
Eu puxo as câmeras de segurança do salão e fico ali vendo a noite toda, mas não tinha nada de suspeito, nem mesmo no celular dela.
Eu continuo olhando as câmeras e vejo que na noite em que ela mandou seguir a minha vida, pouco tempo depois que eu sai, ela tinha saído do salão, comecei a seguir os seus passos pelas câmeras do morro e vejo que ela entrou na minha casa e provavelmente deve ter visto eu com a Ester.
E por isso disse a Ester aquilo aquela noite, eu passo a mão pela cabeça.
Capítulo 72
Sampaio narrando
Eu chego no quarto e vejo que Alana não está na cama, sinto o barulho no chuveiro e ela estava tomando banho, eu troco de roupa para deitar mas vejo que ela não sai do banheiro nunca e acho tudo isso estranho.
Eu entro no banheiro e encontro Alana desmaiada e com os pulsos cortados, eu pego Alana no colo e saio gritando.
— Alguém me agua, chamem um carro – eu falo
Joca aparece na mesma hora e eu levo ela correndo para o posto que tinha no morro, os médicos levam ela para dentro e a mesma estava desmaiada.
— Como ela está? – Kaianne pergunta
— Eu ainda não tenho noticias.
— Mas ela se cortou muito?
— Bastante mãe – eu falo para ela
— Oi – Sabrina fala chegando – como está Alana?
— Ainda não tive notícias – eu falo nervoso
— Eu encontrei isso – Sabrina fala – no quarto, quando fomos limpar. – Ela me entrega um papel
— O que é isso?
— Uma carta de despedida Sampaio – ela fala – ela realmente tentou se m***r de verdade.
Eu pego aquele papel na mão, mas quando eu ia abrir, o médico se aproxima.
— Como ela está? – eu pergunto para ele
— Os cortes foram profundos e mais um pouco ela teria perdido muito mais sangue e poderia ter levado ela a óbito.
— Mas ela está correndo perigo? – Sabrina pergunta
— Não – ele fala – ela está estável, está sedada.
— Ela Vai ficar bem? – eu pergunto para o médico.
— Sim – ele fala – acreditamos que sim.
Eu entro dentro do quarto e encontro Alana dormindo, ela estava sedada, e estava com curativos nos braços, ela tinha perdido sangue, mas não o suficiente para causar danos, mas se eu tivesse demorado para chegar provavelmente poderia ter acontecido o pior.
Eu estava com o papel que Sabrina me entregou em mãos e eu me sento no sofá que tinha ali e abro ele.
‘’ Sampaio, eu sei que erre muito com você, principalmente te culpando pela morte da nossa filha, mas a dor que eu sinto é imensa e imagino que deve ser do mesmo tamanho que a sua. A minha defesa para diminuir a minha dor era te culpando e te ofendendo todos os anos toda vez que se aproximava de mim, eu tentava me manter o mais longe possível, porque diariamente eu lutava comigo mesmo por tudo e por todos os sentimentos.
Me perdoe por tudo, eu realmente te amei, amei a nossa família e daria a minha vida, pagaria com toda riqueza do mundo, para ter a nossa vida de volta e a nossa filha. Isso me dói muito, me dói tanto, eu não consigo seguir a minha vida para frente e não quero acabar com a sua vida, não quero que você vire refém dessa dor da mesma forma que eu virei, machucando outras pessoas, machucando você.
Eu sempre te amarei, fica bem. Estarei agora ao lado da nossa filha, cuidando dela, colocando ela para dormir, dando banho, dando comida, como sempre fiz, enfim estarei de volta com ela lá no céu.
‘’