Capítulo 4

811 Palavras
Larissa estava no ponto de ônibus a espera de sua condução, quando avistou o carro do professor Roberto, e pensou: “Esse mala não desiste, terei que dar outro passa fora nele. Que homem seboso!” El Diablo, que ainda descia o morro, chegou à estrada cego de ódio, bufando feito um javali, viu Larissa no ponto de ônibus que nem se deu conta do carro de Roberto. Mirou a arma para professora e ditou: — Eu te avisei, vagabunda, falei para não se meter com a minha família! O assassino disparou de forma fria. Larissa ficou paralisada ao vê-lo e, quando tentou correr, era tarde demais. A munição entrou de frente no meio do seu peito. A professora pôs sua mão direita onde sentia queimar, abriu a boca como se quisesse dizer algo, do seu olho escorreu uma lágrima e caiu ao chão. Agonizou por mais alguns segundos e veio a óbito. El Diablo, com um sorriso de satisfação, pegou a bolsa da professora para simular um assalto. O carro de Roberto era filmado com película escura, o bandido pensou que o veículo estivesse estacionado sem ninguém dentro, quando El Diablo voltava, Roberto se desesperou, pensou que o assassino estava indo ao seu encontro e arrancou com o carro. El Diablo atirou no veículo, mas não conseguiu acertar, porém, memorizou a placa de cabeça. [...] Ao ir à janela, Gabriel viu a filha da vizinha chegar da quadra sozinha, logo estranhou o fato de o jogo ter acabado e sua mãe rapidamente não ter voltado, pois Gabriel não era das que gostava de ficar muito tempo fora de casa. O menino indagou: — Cadê nossas mães? — Estão na quadra, a minha está acalmando a sua que tá feito uma fera para cima do seu pai. — Pai?! — perguntou Gabriel já pálido — Meu pai está aqui? — Chegou quase agora e atrapalhou da gente ver o final do jogo. — Vou pra quadra. — Gabriel disse de forma desesperada. — Se for por causa do seu pai, não precisa, ele já veio embora. Minha mãe vai trazer a sua mãe. A confusão já acabou. — Veio pra onde? — o desespero dele aumentou. — Não sei. Pensei que tivesse vindo pra cá. — a expressão de pavor na face de Gabriel fez com que a menina perguntasse: — Está tudo bem? — Está tudo certo. Eu preciso ir agora. O menino deixou a vizinha e desceu o morro correndo. [...] Chegou no asfalto e não tinha ninguém, olhou para os lados e nada. Fitou o ponto de ônibus de maneira fixa, estava sem seus óculos. No desespero, havia deixado a calçada da escola. Se aproximou e viu que tinha alguém caído por detrás do banco no ponto. Seu pensamento foi. “Que medo, Jesus! Que seja alguém bêbado.” Não tinha mais como negar, por mais que o rosto de sua professora estivesse coberto pelos cabelos, viu o sapato caído no chão e teve a certeza de que se tratava dela. Sentiu algo que não sabia explicar, um nó na garganta e abafamento no peito. Queria estar no lugar de Larissa. Era um sentimento de culpa, impotência e de perda. Era só um garoto e começou a chorar copiosamente. A todo tempo pensava. “A culpa é toda minha, se eu não tivesse me iludido com essa história de nova escola. Minha professora adorada estaria aqui.” Ficou ao lado do corpo e sua consternação era algo aparente. Não sabia se ficava ali, ou se saia correndo para pedir uma ajuda, que nada adiantaria. Sem acreditar ainda no que seus olhos insistiam em lhe mostrar. Gabriel somente saiu do transe quando ouviu a sirene da polícia. Foi se afastando do corpo devagar, subiu o morro pensando: quem poderia ter avisado a polícia? Viu populares no meio da rua, para que alguém reconhecesse a professora, disse que ouviu dizer que tinha um corpo no ponto de ônibus. Sabia do interesse mórbido da população, que saíam correndo para ver quando aparecia um “presunto”. Gabriel rodou em torno de sua casa, não queria entrar. Estava assustado, sua cabeça dava mil voltas em perguntas que o menino tinha certeza das respostas. Seu pequeno coração transbordava sentimentos difíceis para um menino de dez anos, que estava sobrecarregado de culpa, raiva e dor. Não queria olhar o homem que era o causador de todo seu desalento. Após rodar muitas vezes em torno de sua casa, finalmente pensou que enfrentar aquela situação era algo que não tinha como fugir. Tomou coragem e entrou em casa, seu pai ainda não estava, sua mãe se encontrava na cozinha. O menino passou “pisando em ovos” sem dizer uma só palavra, entrou no quarto, deitou em sua cama e fechou os olhos, desejando que, quando os abrisse, tudo não passasse de um terrível pesadelo.
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